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Underground & Indie

Entrevista com Leandro Ayuso da Mandíbula

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Leandro Ayuso Foto: Arquivo Pessoal

Leandro Ayuso atualmente se dedica ao seu projeto musical Mandíbula onde, despretensiosamente, produz “barulho” de forma independente. Reconhece-se como um autodidata perfeccionista, um paranóico em busca do entendimento da natureza humana e da paz interior em meio ao caos. Ayuso falou ao Somos O Que Ouvimos sobre sua fase atual de “músico amador” criativo mas desempregado,  sobre mídia musical independente, Internet e, claro, sobre o Mandíbula.

por Talita Lima

O que te levou a querer ser músico?

Não sei. Acho que ainda não sei bem o que é ser um. Eu gosto de música. Gosto de guitarra, de tambor, de violão! Rock. Desde pequeno meu lance era desenhar. De uma forma ou de outra meu “mecanismo biológico” sempre esteve apontado para a criatividade. Criar é o mais legal e é o onde o “músico” ou “desenhista” pode tentar parir sua arte da forma mais original e perfeita possível.  

Atualmente você se dedica apenas à música?

Não! Dedico-me também a tentar entender a natureza do ser humano, a tentar ser uma pessoa mais humana mesmo, sabe? Mas como todo bom paranóico de natureza, ando me decepcionando muito com a minha visão.  Também dedico uma boa parte do meu tempo na busca de um emprego! Ando meditando também. É uma atividade interessante. Buscar a paz interior no meio do caos. No meio das feridas…

Há quanto tempo você compõe profissionalmente?

Prefiro me encarar como um amador. Nem diploma eu tenho, saca? Sou apenas “um cego tentando construir o seu próprio castelo” e não me envergonho disso. Busco apenas ser respeitado pelo que faço, pelo que penso. E gosto muito de compor. Eu costumo dizer que não sei tocar, sei criar! Sou criativo, acho esse meu ponto forte como “músico amador”. Saber fazer barulho. Sou autodidata nato. Claro, vou sempre dar o melhor de mim no que faço, pois sou perfeccionista. Uma vez doente, doente para sempre. (risos)

O Mandíbula já era algo que você executava enquanto sua antiga banda, a Monaural, ainda existia?

Eu executava apenas algumas coisas na guitarra, tinha as idéias sim e algumas delas estavam destinadas ao Monaural. Bastou uma coisa levar à outra. Um fim leva sempre a um novo recomeço.

O atual projeto atinge um público diferente?

Ainda não dá pra saber. Continua sendo rock. Rotulado ou datado? Eu gosto de pensar que to fazendo algo novo assim como todo mundo gosta. Mas essa ilusão de ser um revolucionário ou um grande inovador dentro do rock, nunca me entusiasmou. O tempo e o amadurecimento tomam conta disso para gente. É preciso um pouco de humildade para assumir que ainda se sabe pouco do que está fazendo. É apenas um começo despretensioso.

Quais são as principais referências musicais da Mandíbula?

Jawbox, Fugazi, Arcwelder, Slint, Shellac, Nirvana, Sunny Day Real Estate, Raul Seixas, Plebe Rude, Gang Of four…

Como é o processo de produção das músicas?

Sei lá, varia. Às vezes de um riff de guitarra, às vezes de uma linha de baixo. Não tem muita regra. Improvisando em cima de loops de bateria? E a coisa acaba tomando sua forma no final.

Como é compor, produzir e divulgar de forma independente?

É simples e ao mesmo tempo trabalhoso, basta você querer fazer. O lance de compor para mim sempre foi independente, apenas dependo da minha inspiração e criatividade… Agora produzir e divulgar… bem, eu comecei baixando os programas para gravação, tive que investir uma grana numa interface de guitarra e um controlador MIDI. Na Internet você encontra todas as ferramentas para fazer seu som de graça para download, desde a parte criativa até a finalização e divulgação. A Internet certamente é fundamental em todo esse processo.  Nos dias de hoje é meio difícil negar ou fugir dessa ferramenta poderosa e que está cada vez mais acessível às pessoas. Mas isso não quer dizer que tudo deva estar focado somente na Internet. O contato com as pessoas, as redes sociais, divulgação impressa, Zines, Revistas, etc… Tudo soma no resultado final.

Já está se apresentando ao vivo?

Não. Os ensaios com banda ainda vão se iniciar. Aguardo ansioso por isso! (risos)

O que você acha da mídia atual, especialmente a musical?

Às vezes sem conceito, às vezes conceitual demais! O que realmente é rock, não é rock para mídia. É uma inversão de papéis contínua. Mas o legal da mídia independente também é que todo mundo tem acesso a tudo e pode tirar suas próprias conclusões usando um pouco do seu bom senso.

O que acha dos festivais musicais que vêm acontecendo no país? Vai a algum? Que banda (s) mais quer ver?

Não vou, pois como disse, tô sem trampo!  Infelizmente perdi várias bandas que gostava e isso vai continuar até as coisas melhorarem. Espero que logo!

Se pudesse escolher fazer um show de abertura para alguma banda admirada, qual seria?

R.E.M? (risos). Com o Monaural abrimos para o La Carne! Isso já foi do c******.

A Mandíbula definida em poucas palavras…

Rock simples e direto. Sem gelo no pelo. Do meu jeito, sem frescura ou medo.

O que tem entre os dentes de um antissocial?

Resíduos da minha verdade…

“Essa ilusão de ser um revolucionário ou um grande inovador dentro do rock nunca me entusiasmou. É preciso um pouco de humildade para assumir que ainda se sabe pouco do que está fazendo. É apenas um começo despretensioso.”   – Ayuso

www.myspace.com/amandibula

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Written by Talita Lima

30/09/2010 às 1:21 PM

Publicado em Entrevista, Independente, Rock Nacional

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Uma resposta

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  1. Gostei da entrevista!!!

    Erika Moreira

    01/10/2010 at 8:52 PM


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