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Underground & Indie

“Algo entre Cure e At The Drive-In”: Somos O Que Ouvimos entrevista Que Paso?

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Eles conseguiram realizar o primeiro show no palco do Clube Outs, um dos espaços para música alternativa e independente mais estimados pelo público e mais cobiçado por bandas da cena paulistana. Com uma sonoridade peculiar que transita entre influências como Smashing Pumpkins, The Smiths, The Cure, Sonic Youth, At The Drive-In e Pink Floyd, a banda Que Paso? de Arnóbio Júnior (voz/guitarra), Raul Fist (baixo) e Gustavo Sprenger (bateria) começa a mostrar a que veio.  Júnior fala ao Somos O Que Ouvimos sobre a recente saída do então segundo guitarrista, a experiência de tocar no Outs, a cena atual, suas inspirações e expectativas. É de se supor que Billy Corgan, que toca amanhã na capital paulista, ficaria orgulhoso.

 
 

Como e quando surgiu a Que Paso? ?

O primeiro ensaio oficial foi em maio de 2009, mas eu e o Gustavo (bateria) já trocávamos e-mails planejando uma banda bem antes disso. A princípio eu só tocaria guitarra e ele baixo, mas o nosso até então baterista de repente sumiu, e não achávamos ninguém disposto a cantar. Decidimos então que eu começaria a cantar e ele ia tocar bateria, chamamos o Raul pra tocar o baixo e pronto, estava formado o “Que Paso?”.

Como foi fazer a primeira apresentação no Clube Outs?

Bom, quando chegamos ninguém havia nos avisado que teriamos apenas 30 minutos, acabamos fazendo um show de uma hora, acho que nem a banda principal da noite tocou tudo isso. Fora isso, foi tudo maravilhoso. Tocamos todo nosso set list com algumas jams entre as músicas. Foi como um ensaio, mas com plateia. O que realmente me chamou a atenção e me deixou muito satisfeito com o show foi o público. Bastante gente ficou para assistir ao show até o final, pude sentir que realmente houve um interesse da galera em nos ouvir. Isso foi gratificante, nos mostrou que estamos indo no caminho certo.

Como estão lidando com a saída do outro guitarrista, César Carvalho?

O César foi um membro que deu uma “cara” pra banda, nos fez trabalhar melhor as melodias e a estética das canções, sem contar que era um grande amigo. A saída dele nos pegou de surpresa, ficamos meio que sem reação na hora, mas seguimos em frente. O César contribuiu muito para o “Que Paso?”, agora temos que continuar em frente.

Vão se estabelecer como trio a partir de agora?

Pudemos perceber que as músicas novas estão bem mais agressivas, melódicas e intensas. Em certos momentos sinto a necessidade de mais um instrumentista, mas estamos em fase de teste. Estamos procurando outro guitarrista, mas se o som ficar ao nosso gosto como trio, assim será.

Muitas bandas não gostam de rotular sua música, mas normalmente para o público é importante ter essa referência. Como o som da Que Paso? poderia ser melhor definido?

Somos uma banda de Rock Alternativo, abordamos nossas influências de uma maneira ampla. A banda, no geral, tem forte influência do rock dos anos 90 e 80, e sonoramente nosso som ecoa muito isso. Bandas como The Cure, Smashing Pumpkins, The Smiths, At the Drive-In, Fugazi, Jesus and Mary Chain, Pavement e por aí vai… O que evitamos ao maximo é nos focar em uma só coisa, por exemplo só Shoegaze, só Guitar, só Britpop, só Hardcore. Aproveitamos o melhor e o que mais nos agrada de cada para fazermos as canções. Não estou dizendo que nossas músicas sejam uma espécie de picadinho disso tudo, mesmo porque seria terrível ouvir isso tudo mixado. Creio que nosso som seja um Alternativo com alma Punk, algo entre The Cure e At The Drive-In, eu acho.

Alguma banda nacional independente te inspirou a formar a banda?

Lembro que minhas primeiras bandas foram ou Pop ou Hardcore. Eu não acreditava que uma banda como as que eu ouvia pudesse fazer sucesso ou conseguir status por aqui. Eu tinha uns 16 anos na época e era uma febre de Hardcore, New Metal e Skate Rock, não se via muita coisa diferente e, quando aparecia, ou dava medo ou dava vergonha mesmo. Foi quando eu ouvi o Pin Ups aqui de São Paulo e o Madeixas de Santa Catarina, as bandas já tinham um tempo de atividade, vieram antes da onda HC, mas na época foram elas que convenceram a investir no que eu realmente queria e gostava, o Alternativo.

O que acha da cena nacional independente hoje em dia?

Bom, irei falar do que eu vejo aqui em São Paulo… O que eu percebo da parte do público, no que se trata de rock alternativo, é que as pessoas ainda esperam alguém dizer o que é bom ou não, quando não é isso, não existe o interesse nas mais diferentes. Por exemplo, se o cara lê um rótulo ou uma influência que ele nunca ouviu falar, ele nem se dá ao trabalho de ouvir a introdução da música, isso é triste e de um empobrecimento cultural exacerbante. Da parte das bandas, eu vejo muita banda boa por ai, mas eu sinto uma certa singularidade da parte de algumas delas, algo do tipo “a gente só toca pra quem curte e conhece as mesmas coisas que a gente”. Eu concordo que apresentando para os íntimos da sonoridade o sucesso é mais garantido, mas se você limita sua música a um certo grupo, você limita também seu potencial e isso acaba prejudicando muito no desenvolvimento. A banda não precisa ser um Nirvana ou um Smashing Pumpkins, encher estádios e vender milhões, mesmo porque creio que muitas nem anseiam por tanto. O que eu quero dizer é que se elas procurarem expandir seu alcance, ou melhor, o público, sem perder a identidade, a cena vai melhorar bastante.

Além do rock, existe outro gênero musical que exerça influência nas composições?

Eu gosto de ouvir Jazz e MPB. É bom quebrar a rotina de vez em quando. O rock é muito viciado em certas fórmulas. Ouvindo coisas diferentes você acaba se desprendendo desses vícios.

O que você acha do atual mercado fonográfico nacional?

Se você não convencer o dono da gravadora que sua banda consegue vender pelo menos 50 mil cópias, creio que fica difícil conseguir um bom patrocínio sendo uma banda iniciante. A Internet está ajudando muito, mas creio que seja difícil acontecer com alguma banda brasileira o que aconteceu com o Arctic Monkeys. Dificil, não impossivel, afinal de contas a Mallu Magalhães está aí colhendo os frutos que o My Space lhe concedeu.

De que forma a Internet tem contribuído para que a Que Paso seja conhecida?

Hoje em dia os sites de relacionamento dão bastante suporte para os artistas independentes. A Internet é uma maneira bem econômica de divulgação.

Quais os próximos shows e planos da banda?

Dia 03 de Dezembro estaremos no Bar Balburdia com mais algumas bandas-amigas. Queremos gravar mais músicas e lançar um CD o mais rápido possível e sair em turnê também.

Qual sua expectativa quanto aos shows de Smashing Pumpkins e Pavement, duas das maiores influências da banda, no Festival Planeta Terra de amanhã?

Estou bastante ansioso, são duas bandas muito importantes pra mim, pois iniciei meu aprendizado musical com elas. Mal posso esperar. Eu exijo no mínimo 15 clássicos de cada uma das bandas. Da parte do Pavement tem que rolar “Silence Kit” e “Perfume V”, do Smashing Pumpkins espero “Stand Inside Your Love”, “Ava Adore” e “Hummer”, mas se eles tocarem qualquer uma do (álbum) Gish, o que acho muito dificil de acontecer, acho que eu desmaio.

No link a seguir, você assiste a um vídeo do último ensaio da banda: http://www.vimeo.com/16752401

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Written by Talita Lima

19/11/2010 às 10:42 PM

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