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Archive for outubro 2011

Entrevista: Banda Sober

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Felipe, Vinícius, Alberto e Eduardo – Arquivo Pessoal

Nesta entrevista, Sober (Guarulhos, SP) fala de suas relações com público, covers, casas de show, festivais e Internet, além da experiência de ir de ônibus a Minas Gerais para tocar em um festival de bandas independentes em 2009. Você também vai descobrir que apesar das fortes influências “de peso”, a banda também se diverte com referências musicais inusitadas para uma banda de rock, provando que a música vai além das limitações por gênero.

por Talita Lima

Todos os integrantes são de Guarulhos?

Vinícius – Sim, Alberto (baixo) e eu (bateria) somos amigos de infância, crescemos juntos. O Eduardo (guitarra e voz) eu conheço desde 2002 ou 2003 e o Felipe (guitarra base/solo) faz 1 ano e pouco que o conhecemos.

Há quanto tempo existe a Sober?

Vinícius – Sober com 3 integrantes, tem 2 ano e meio, e com o Felipe 1 ano completo.

Por que o nome Sober?

Vinícius – Gostamos de uma banda chamada TOOL e eles têm uma música chamada “Sober”. Até tentamos mudar de nome, mas por consenso geral mantivemos o nome. Descobrimos tempo depois que tem uma banda espanhola chamada Sôber, mas nada de se preocupar, né? (risos).

Qual o melhor show até agora e por quê?

Vinícius – Show do dia 12/08/11 no Musicall Rock Bar porque fizemos uma produção a mais com bandeira, camisetas… [veja foto] e o repertório estava bem bacana, variado. Pela presença de muitos amigos e por contar que foi o 1ºshow só nosso, a noite toda.

O que acham do tratamento dado às bandas novas e independentes nas casas de show?

Vinícius – O tratamento está “meia boca”, e isso parte do público, a galera não está muito aberta a novos sons, a galera quer se divertir com covers, geralmente. Mas dentro de cada show colocamos um som próprio, temos que mostrar nossas músicas próprias também.

Eduardo –  E está “meia boca” também pelas casas de show terem cota de ingresso. Quase nenhum lugar dá valor ao talento das bandas e sim ao dinheiro que irão ganhar com a cota de ingressos vendidos.

A banda já se arrependeu de tocar em algum lugar?

Vinícius – Da nossa parte não. Cada lugar, sendo ele ruim ou bom, faz parte da nossa história.

Como é tocar fora de Guarulhos?

Vinícius – Muito bom. É bom sair do porão um pouco e aos poucos estamos atrás de festivais fora do estado de são Paulo. Em 2009 tocamos em um festival em Minas Gerais, foi uma experiência sem explicação.

Conte sobre essa experiência em Minas Gerais.

Vinícius – Eu acho que foi o mais foda pra nós. Tocamos em Juiz de Fora, o Felipe (guitarra) ainda não estava na banda. Foi legal pois teve aquele “perreio” de banda… busão, chegar atrasado… Mesmo que por meia hora, fizemos um grande show. Eram dois (sons) próprios e um cover. Uma pena que não avançamos para a próxima fase.

Você lembra como foi o processo de seleção?

Vinícius – Era só mandar um som para os caras e se inscrever, nada de muito complicado.

E o festival no Blackmore Rock Bar, em São Paulo?

Vinícius – O mesmo esquema: manda um som, vende ingressos e torce pra fazer o seu melhor, o pessoal curtir e a banda passar.

Tiveram que vender ingressos para o festival de Juiz de Fora, também?

Vinícius – Não. Tivemos que pagar a inscrição, mas até aí, beleza, pois o equipamento era bom. Mas não é só no Black More, sempre que você ouvir falar em festival de bandas independentes, vai ter venda de convite.

Então vocês pagaram a inscrição e viagem até Minas Gerais, valeu a pena?

Vinícius – Pra dizer a verdade, valeu!

Existe algum um lugar/casa de show que vocês gostariam muito de tocar e ainda não tocaram?

Vinícius – Pra mim, só de estar tocando já está bom. Queria ter tocado na Led Slay, mas agora já era, fechou.

Por que na Led Slay?

Vinícius – Era uma das maiores casas de show, todos os meus amigos tocaram lá com bandas-cover. E eles estavam abrindo espaço para bandas de som próprio.

A banda começou a investir em um site oficial. As redes sociais e outras comunidades de divulgação pela Internet não são suficientes?

Vinícius – Por enquanto estamos com o site em construção, mas em breve estaremos fazendo uma divulgação bem mais pesada na Internet.

Eduardo – Sempre foi uma vontade nossa, desde o início da banda. E por todas as grande bandas terem seu próprio site, independentemente das redes sociais.

Vinícius – E também por termos achado um guitarrista [Felipe] que por coincidência trabalha com Web Design.

 O símbolo da Sober lembra o do Alice in Chains…

Vinícius – O símbolo foi criação do Felipe. Pode ter sido inspirado sim no AIC, não era a intenção, mas fico muito louco (risos).

Já que falamos de Alice in Chains, quais suas influências musicais?

Eduardo – Anos 90, Lenine , TOOL e algumas bandas novas.

Vinicius – São muitas, mas a que mais gosto é Foo Fighters, minha maior influência. E anos 80 né, tem que dançar também (risos).

Alberto – Cólera, Soundgarden e Nirvana.

Qual a trajetória musical de cada integrante antes de se juntar à Sober? E de que maneira isso contribuiu com a sonoridade que vocês alcançaram juntos?

Vinícius – O Felipe já tocou numa banda cover de Pearl Jam, e toca sempre que pode na igreja. O Eduardo já teve várias bandas antes do Sober, o que fez ter uma boa experiência para trazer ao Sober a sonoridade que tem hoje. Achamos que cada um traz sua pegada de onde veio, a forma de tocar, e até de se expressar no instrumento. E no nosso caso isso é bom porque nossa sonoridade é bem variada.

Qual a maior influência musical compartilhada por todos os membros?

Vinícius – Alice in Chains.

O que você achou da volta do Alice in Chains?

Vinícius – Pra mim, deveria ter voltado com outro nome, pois o AIC e só com Layne Staley. Então voltava como uma banda nova e pronto. Ficar usando o nome do AIC é a mesma coisa de usar o nome do Nirvana sem o Kurt Cobain, né?

E o que de mais inusitado cada um gosta de ouvir?

Felipe – Às vezes Teatro Mágico, Ana Carolina.

Eduardo – Lenine.

Alberto – Sidney Magal.

Vinicius – Bandas românticas dos anos 80, como Spandau Ballet.

A letra de “Um Ato de Coragem” critica certa “insensibilidade social”. Vocês dão muita importância a letras que passem uma mensagem ao público?

Vinícius – Sim, com certeza. Acho que todos nós temos certa indignação pelas injustiças que ocorrem em nosso país. Eu tive a inspiração quando um cara morreu tentando salvar dois moleques de se afogarem ou algo assim, e ninguém da família foi dizer um Oi para a família do cara que se sacrificou para salvá-los. Pra mim, isso já e principio do fim.

Você acha que consegue definir o tipo de público da Sober?

Vinícius – Acho que conquistamos mais aquela galera dos anos 90 e uma galera que gosta não só de um som específico mas sim que curte várias vertentes do rock.

Comente a relação da banda com covers.

Vinícius – Nossa relação com covers é bacana. Todos temos nossas preferidas, nos identificamos de um modo geral, mas sempre tem aquela que não rola uma química no ensaio. Mas basicamente estamos com essa proposta de covers variados, justamente para, atrás deles, conseguir divulgar nosso trabalho, nosso site, mostrar a nossa cara.

Eduardo – Porém, se for para agradar o público, nós tocamos [a cover] mesmo se não gostamos muito.

Um disco fundamental do rock?

Eduardo – Facelift (Alice in Chains).

Vinícius – Nevermind (Nirvana).

Felipe – Ten (Pearl Jam).

Alberto – Alice in Chains Unplugged.

Eduardo de Oliveira Silva: Guitarra e Voz

Vinicius de Moraes Queiroz: Bateria e Backing Vocal

 Alberto Luiz Neto: Baixo e Backing Vocal

Felipe Augusto Serrano: Guitarra Base/Solo

http://bandasober.com.br/

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Written by Talita Lima

16/10/2011 at 7:10 PM