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Underground & Indie

Archive for outubro 2012

A inspiração por trás da música da Malavera: Somos O Que Ouvimos conversou com Freddy Guazzone, vocalista da banda de Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio e Martin Carrizo. Divulgação

A delirante onda indie e garage rock que inundou o mundo da música especialmente na primeira década do Século XXI, protagonizada por bandas como The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys deu novo fôlego ao rock and roll e inspirou músicos como os da Malavera a formarem suas próprias bandas. Subproduto dessa nova geração de bandas britânicas e norte-americanas, mas não somente dela, Malavera surgiu em 2007, em Buenos Aires, Argentina. Eles têm um álbum de músicas demo e um CD single com as faixas, “The Sex Scene” e “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos conversou pela Internet com o simpático vocalista Freddy Guazzone sobre suas referências musicais – que vão além do “mass media indie” dos anos 2000 -, o novo single, turnês e música brasileira.

por Talita Lima

Malavera tem uma evidente influência do indie rock americano e britânico produzido no começo dos anos 2000, no qual as bandas trouxeram de volta à cena o pós-punk e o garage rock e o fizeram popular ao longo daquela década, especialmente.  Como condensam estas grandes referências sem que a música fique parecendo só uma reprodução do que veio antes?

Freddy: Bandas como The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club e mais algumas dessas “bandas de garagem” pós-2000 são, de fato, uma grande influência para nós. Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos.

Quanto a não ser apenas uma reprodução do mesmo som, eu acho que todo músico é uma recordação e uma mixagem de todas as coisas que ele ouviu antes. Gon [guitarra], Johann [guitarra], Tape [bateria], Martin [baixo] e eu somos grandes amantes de música. Nós não ouvimos apenas The Strokes, The White Stripes, The Hives e todas essas grandes bandas dos últimos 12 anos, mas temos muitas influências a mais que, na maioria dos casos, têm raízes mais profundas em nós do que o Movimento Garagem do início dos anos 2000. Eu mesmo sou um grande fã de David Bowie e quando eu me ouço percebo que “roubo” muito dele. Também gosto muito da forma como Nick Cave canta, ou Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley ou um milhão de outros nomes.

Eu amo o jeito que Julian Casablancas canta, mas com todas essas outras influências tentando sair quando estou cantando, ele não tem tanta influência no resultado. Acredito que este é o caso com todos na Malavera. Nós amamos essas bandas novas e eles evidentemente influenciaram nossa música, mas isso é apenas uma pequena porcentagem do que trazemos para o nosso trabalho.

No primeiro contato com a banda, as fortes influências de Strokes, Libertines – “indie rock geração 2000” basicamente – são claras… para o público é importante conhecer as outras influências que são tão relevantes quanto eles.

Freddy: Quando você está tocando esse tipo de punk rock, pós-punk de garagem, com a mesma configuração instrumental (duas guitarras, baixo, bateria e um cantor) isso pode mostrar semelhanças porque essas bandas estão muito “frescas” em sua memória, elas apareceram muito na mídia nestes últimos 12 anos.

O que estou tentando dizer é que se John Frusciante, The Replacements, Fugazi e The Birthday Party fossem tão evidentes na cena musical de hoje, você iria encontrar muitos elementos em comum entre Malavera e essas bandas, como com The Strokes. Além disso, é tudo parte de encontrar a sua própria voz, que você raramente alcança no começo. Nossas últimas canções soam bastante diferente do nosso primeiro trabalho.

Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal, foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos. (Freddy)

Cantar em inglês foi uma escolha da banda desde o começo?

Freddy: Sim, com certeza. Quase toda música que amamos é cantada em inglês. Toda música que eu cresci amando é em inglês. Gon gosta de alguns artistas latino-americanos, Johann também gosta de alguns. Martin e Tape também. Até eu gosto de quatro ou cinco canções espanholas. Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim. No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. Mas, para não desviar do assunto, não havia chance de eu cantar em qualquer idioma que não fosse o inglês. Eu me sinto muito confortável cantando e escrevendo em inglês e eu acho que isso aparece na música. É bastante natural, não vem como algo forçado.

Por que “The Sex Scene” e “Fat Buda” foram escolhidas como single?

Freddy: Nós sempre soubemos que queríamos “The Sex Scene” para ser nosso primeiro single. É a primeira música que escreveu que realmente ressoou com todos nós e nos fez perceber que tinha uma chance de se tornar uma banda de verdade com canções que realmente gostava. É a primeira música que escrevemos que realmente ressoou em todos nós e nos fez perceber que tínhamos uma chance de ser uma banda de verdade com canções que realmente gostávamos. Também foi a canção que recebeu as melhores críticas de pessoas que nos ouviram e queríamos exibir algo que nós gostamos, mas também algo que todo mundo pode se relacionar.

A ideia original era de lançar “Happiness” como o lado B, porque sentíamos uma sensação muito semelhante à de “The Sex Scene”: muito atmosférico e escuro, mas em um ritmo mais lento. Mas quando nos reunimos com o produtor do single para conversar e escolher as músicas que iríamos gravar, ele ressaltou que talvez fosse uma boa ideia lançar duas músicas que apresentassem o nosso espectro musical em vez de mostrar apenas o lado mais “deprê” da Malavera. “Fat Buda” é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. Assim, entre essas duas você tem uma imagem melhor de quem somos como banda.

Fat Buda é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. (Freddy)

Como tem sido os shows atuais?

Freddy: Nós realmente não temos excursionado muito ainda. Nós temos empregos, namoradas, esposas, etc., e ser capaz de organizar cinco pessoas diferentes para viajar, mesmo que por uma semana ou duas, é bastante difícil. Mas é definitivamente um projeto para o futuro próximo para nós. Estamos tocando bastante aqui em Buenos Aires e tocar ao vivo é muito gratificante em qualquer lugar, mas nós definitivamente queremos planejar uma pequena turnê em breve.

Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim . No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. (Freddy)

Há planos para tocar no Brasil em breve?

Freddy: Nós realmente gostaríamos de tocar no Brasil. Qualquer lugar do Brasil seria ótimo, mas Rio e São Paulo são dois lugares que nós realmente gostaríamos de visitar com a Malavera. Esperamos estar aí em breve.

Se você pudesse nomear o melhor álbum dos anos 2000 e o melhor de todos os tempos, quais seriam?

Freddy: Essas são realmente questões difíceis para um amante da música como eu. O melhor álbum que ouvi nos últimos 12 anos? Eu tenho Sky Blue Sky do Wilco, Is This It dos Strokes, Ziltoid The Omniscient de Devin Townsend, I Am a Bird Now de Antony and the Johnsons, Cripple Crow de Devendra Banhart, Live in Tokio de Brad Mehldau. Há muitos para escolher apenas um. Álbum favorito de todos os tempos? Jesus, isso é difícil também. Grace do Jeff Buckley, Five Leaves Left do Nick Drake, Closing Time do Tom Waits e Piano Works de Erik Satie. Sim, esses quatro são meus álbuns favoritos de todos os tempos.

www.malavera.com

Written by Talita Lima

26/10/2012 at 5:52 PM

The inspiration behind the music of Malavera: Somos O Que Ouvimos talked with Freddy Guazzone, lead singer of the band from Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio and Martin Carrizo. Divulgation

The delirious indie and garage rock wave which flooded the music world especially in the first decade of this century, starring bands such as The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand and Arctic Monkeys gave new breath to rock and roll and inspired musicians, such as the members of Malavera, to form their own bands. Byproduct of this new generation of British and American bands, but not only, Malavera arose in 2007 in Buenos Aires, Argentina. They have an album with demo songs and a single with the tracks “The Sex Scene” and “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos chatted on Internet with the friendly lead singer Freddy Guazzone about his musical references – which goes beyond the “mass media indie” of the 2000s -, the new single, tours and Brazilian music.

por Talita Lima

Malavera has an evident influence of American and British indie rock produced in the early 2000s, in which bands brought post-punk and garage rock back to scene and made it very popular over the decade. How to condense these great references without the music seeming just a reproduction of what came before?

Freddy: Bands like The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club and a few more of those post-2000 garage bands are, indeed, a big influence for us. Seeing a band like The Strokes succeed in a medium that, up to that point was populated by either prefabricated pop bands or nü metal bands was a huge inspiration for Malavera and – I´m sure of this – for a whole generation of new bands that flourished all over the world in the last 12 years.

As for being able to not be just a reproduction of that same sound, I think every musician is a recollection and a mix down of all the things he or she has heard before. Gon [guitar], Johann [guitar], Tape [drums], Martin [bass] and myself, we are all huge music lovers. We don´t just listen to The Strokes, The White Stripes, The Hives and all of those great bands from the last 12 years but we have many more influences that, in most cases have deeper roots in ourselves than the early 2000s Garage Movement. I´m a huge David Bowie fan and when I hear my singing I realize I “steal” a lot from him. I also really like the way Nick Cave sings, or Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley or a million other names.

I love the way Julian Casablancas sings but with all of the other influences trying to come out when I´m singing he doesn´t have that much input on the outcome. I believe this is much the case with everybody in Malavera. We love those new bands and they have evidently influenced our music but that´s just a small percentage of what we bring to our craft.

At first contact with the band the heavy influences of Strokes, Libertines – “indie rock 2000 generation” basically – are clear… it’s important to the public know the other influences which are as relevant as them.

Freddy: When you are playing that sort of punk, post-punk, garage rock with the same instrument configuration (2 guitars, 1 bass, 1 drum kit and 1 singer) it can bring up resemblances because those bands are very “fresh” in your memory, being in pretty heavy media rotation these last 12 years. I guess what I´m trying to say is, if John Frusciante, The Replacements, Fugazi and The Birthday Party were as prevalent in today´s music scene you would find as many elements in common between Malavera and those bands as with The Strokes. Also, it´s all part of finding your own voice, which you rarely achieve from the very beginning. Our latest songs are quite different sounding from our earliest work.

Seeing a band like The Strokes succeed in a medium that up to that point was populated by either prefabricated pop bands or nü metal bands was a huge inspiration for Malavera and – I´m sure of this – for a whole generation of new bands that flourished all over the world in the last 12 years. (Freddy)

Was singing in English the band’s choice from the beginning?

Freddy: Yes, it most definitely was. Almost all of the music we love is English-sung. All the music I grew up loving is in English. Gon likes a few Latin-American artists, Johann also likes a couple. Martin and Tape do to. Even I like four or five Spanish-sung songs. I also like Caetano Veloso and Tom Jobim very much. Last summer I was in Rio and found Caetano´s Domingo and Jobim´s Wave in a record store. Really amazing records. But, not to divert from the subject, there wasn´t even a chance that I was going to sing in any other language than English. I feel really comfortable singing and writing in English and I think it shows in the music: It doesn´t come out as a forced thing but it´s rather natural.

Why “The Sex Scene” and “Fat Buda” was chosen as the single songs?

Freddy: We always knew we wanted “The Sex Scene” to be our first single. It´s the first song we wrote that really resonated with us all and made us realize we had a chance of becoming a real band with songs that we actually liked. Also it was the song that received the best reviews from the people that heard us and we wanted to put out something that we liked but also something that everybody else could relate to. We had the original idea of putting out “Happiness” as the B side, because we felt it had a very similar feel to “The Sex Scene”: very atmospheric and dark but on a slower time. But when we got together with the single´s producer to talk and choose the songs we were going to record he pointed out that maybe it was a good idea to put out two songs that showcased more of our musical spectrum instead of showing just the more brooding side of Malavera. “Fat Buda” is a much more optimistic, brighter song and it has a more pop flavor to it so between those two you have a better picture of who we are as a band.

Fat Buda is a much more optimistic, brighter song and it has a more pop flavor. (Freddy)

How has the current tour been?

Freddy: We haven´t really toured much yet. We all hold day jobs, girlfriends, wives, etc., and being able to organize five different people to go away for even a week or two is quite difficult but that´s definitely a project for the near future for us. We are playing quite a lot here in Buenos Aires and playing live is very rewar ding anywhere you do it but we definitely want to plan a small tour sometime soon.

I also like Caetano Veloso and Tom Jobim very much. Last summer I was in Rio and found Caetano’s Domingo and Jobim’s Wave in a record store. Really amazing records. (Freddy)

Are there plans to play in Brazil soon?

Freddy: We would really love to play in Brazil. Anywhere in Brazil would be great but Rio and Sao Paulo are two places we´d really enjoy visiting with Malavera. Hopefully we´ll be there soon.

If you could name the best album of the 2000s and the best of all times, what would they be?

Freddy: Those are really difficult questions for a cross-genre music lover like myself. The best album I heard in the last 12 years? I´ve got Wilco´s Sky Blue Sky, The Strokes´s Is This It, Devin Townsend´s Ziltoid The Omniscient, Antony and the Johnsons´s I Am a Bird Now, Devendra Banhart´s Cripple Crow, Brad Mehldau´s Live in Tokio, there´s too many to just pick one. Favorite album of all times? Jesus, that´s a tough one too. I´ll try and stick to one. I would have to go with Jeff Buckley´s Grace. And Nick Drake´s Five Leaves Left. And Tom Waits’ Closing Time. And Erik Satie´s Piano Works. Yeah. Those four are my favorite album of all times.

www.malavera.com

Written by Talita Lima

26/10/2012 at 5:47 PM

“A música precisa de inconsequência”, diz Jonas Schommer, vocalista da banda gaúcha Volar

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Foto: Gustavo Carniel

Jonas Schommer (voz/guitarra), Wagner Muller (baixo) e Juliano Ebeling (bateria) formam a Volar, que um dia foi Lila. Até pouco tempo restrita à pequena cidade natal (Barão/RS), a banda da serra gaúcha prepara seu segundo EP, sucessor de Faço De Conta Que Ainda Existo (2011) e segue rompendo os limites geográficos por amor à música autoral, seja com a presença na Internet e nas redes sociais ou na estrada, efetivamente. Somos O Que Ouvimos voltou a conversar com os gaúchos para saber sobre a nova fase da banda e suas recentes passagens por cidades do Sul e Sudeste do país.

por Talita Lima

Por que a banda deixou de ser Lila e passou a se chamar Volar? E por que escolheram este nome?

Juliano Ebeling: Acho que Lila já não nos agradava mais e havia bandas com nomes semelhantes. Sugeri Volar por ter sonoridade forte e o Wag [Wagner Muller] gostou, depois o Jonas acabou simpatizando com o nome também. Volar significa voar em espanhol.

Jonas Schommer: Lila foi um período importante de reconhecimento de si mesmo e aprendizado.  É duro decidir por alterar o nome, porém nos pareceu inevitável. Acredito sermos sempre náufragos em meio a um mundo que nos permite experimentações e jogos de tentativa e erro. Insistir em um nome que não mais significava para nós, apenas por medo de perder algumas de nossas conquistas com ele seria, no mínimo, estupidez. A decisão foi demorada, gradativa e consensual. Acreditamos na Volar. Acho que ela nos deixa mais livres, com um horizonte mais amplo.

“Precisamos interagir, mobilizar-nos para além do lugar comum,produzir diferença.” – Jonas Schommer 

Em novembro de 2011, quando fizemos nossa primeira entrevista, vocês já diziam que planejavam uma turnê pelo Sul e Sudeste (SC, PR e SP). Agora, em 2012, isso se concretizou, vocês estiveram em todos os estados citados. Como foi?

Juliano: Foi fantástico! Em Santa Catarina, dividimos o palco com a Kura, uma banda local bem legal, foi uma noite muito massa. Em São Paulo, tocamos no Rasgada Coletiva em Sorocaba. Foram dois shows em uma noite, foi uma experiência incrível, muita gente que respira cultura e, de quebra, ainda conhecemos a gurizada da INI, banda que citamos na outra entrevista como uma das que mais admirávamos. No final de setembro, fomos ao Paraná pra tocar junto com a Sonora Coisa e La Vantage, gurizada gente finíssima assim como todos que conhecemos em Sorocaba e Santa Catarina. Viajar sempre é bom pra conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes.

Jonas: Quebramos muitas de nossas barreiras conceituais com relação a viajar pra mais longe, mesmo tendo andado longos km por diversas cidades do Rio Grande do Sul. Tocar em Santa Catarina e São Paulo foi, com certeza, um gás a mais para seguirmos. Ainda é pouco, precisamos confessar. A crença na nossa música e, enfim, na música e na arte como um todo, nos faz pensar que as fronteiras precisam ser deixadas de lado. Em um mundo tão descentralizado não há porque insistirmos somente nos mesmos lugares. Precisamos interagir, mobilizar-nos para além do lugar comum, produzir diferença.

Vocês estão prestes a entrar em estúdio para a gravação do segundo EP. Ele já tem nome? Serão quantas músicas?

Jonas: Esboçamos alguns nomes, mas nada certo. Temos hoje cerca de seis músicas com potencial de gravação. Estamos aguardando juntar mais algum dinheiro, aprovar alguns projetos federais e estaduais dos quais aguardamos contemplação como o “Level: Música Sem Fronteiras” e o “Arte!: Construindo Saberes”, com vistas a disponibilizar ao público um material de primeira.

“Sempre cultuei os primeiros álbuns de artistas, eles têm uma magia que ninguém tira.” – Jonas Schommer 

Como avaliam essa passagem de um EP a outro?

Juliano: Acho que evoluímos muito musicalmente e também trouxemos muitas experiências das viagens.

Jonas: Estamos muito mais descontraídos. “Maduro” não me parece uma boa palavra, pois a música precisa de inconsequência. Colocamos-nos hoje em um lugar de muito mais apropriação de nosso espaço artístico, temos consciência de que somos ouvidos e, por vezes, cortejados, ao mesmo tempo em que aprendemos a lidar com a crítica. Isso, de certo modo, aumenta nossa confiança em nós mesmos, pois é disso que sobrevivemos. Eu, particularmente, sempre cultuei os primeiros álbuns de artistas, eles têm uma magia que ninguém tira: um amadorismo, uma gravação mal feita e uma crueza que, de fato, desaprendemos a ter nos trabalhos seguintes. Acredito estarmos em uma linha tênue entre a sensação de inauguração de um trabalho de uma banda com um novo nome, um novo direcionamento. E esse “calourismo”, mesclado ao processo evolutivo natural, fará desse novo EP um trabalho genuíno. Estamos ansiosos.

Há novos elementos e referências incorporados à sonoridade da banda?

Juliano: Acho que sim. Até porque esse EP terá composições minhas também. Além disso, creio que cada um de nós conheceu novos sons e trouxe novas influências.

Jonas: Estamos mais permissivos entre nós. Não há meta ou medida. Há o desejo. De fato, há um respeito pelos gostos, que sempre perduram bastante divergentes. Por vezes, não é possível entender como seguimos juntos, com tantas distâncias conceituais. E não são somente musicais, são nas formas de entender as coisas, na maneira de conviver com as pessoas. Tocar é um exercício de sobrevivência com e pelo outro. É aí que nos encontramos.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução.” – Jonas Schommer

Houve alguma melhora no cenário local em relação a lugares para tocar e melhor aceitação de trabalhos autorais em detrimento das bandas covers?

Juliano: Ainda é difícil, mas de uns tempos pra cá estamos tentando criar um intercâmbio com bandas de outras cidades. Conversamos bastante com a Slow Bricker, de Caxias do Sul, banda muito legal e que está lançando seu primeiro disco agora, essa parceria ainda vai render bons frutos pra cena local.

Jonas: Há a sensação de um período de transição. Essa situação não pode perdurar pra sempre. Vivemos em um hiato cultural justamente em um período de forte ebulição dos incentivos à arte e à cultura tanto no país, como no RS. Há uma ebulição visível na perspectiva cultural e somos parte dela. Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução. As políticas públicas e, principalmente, o movimento da sociedade civil do meio artístico sabe do importante momento que estamos vivendo e o quão sem volta ele é. Sinto que o espaço para a arte está sendo criado, a passos de zumbi, mas está sendo criado com, no mínimo, honra. Mesmo assim, a classe musical, principalmente a autoral, é marginalizada e se perde nos cantos, refém do jabá e da manipulação midiática. Acredito que justamente essa descentralização, essa “desterritorialização” que as bandas vêm instituindo mostram uma força que não vai cessar. Estamos cavando espaços e fazemos isso da maneira mais elegante: criando.

Em 2011 comentamos também sobre o uso da Internet como meio de divulgação. De lá pra cá, isso se intensificou?

Juliano: Creio que não mudou muito. Enquanto o Twitter perdeu força, o Facebook se tornou mais importante. Mas a Internet continua sendo muito importante pra gente tanto em divulgação quanto na busca de contatos.

Jonas: A mídia impressa, mesmo tendo um peso tremendo, vem perdendo força, justamente por não ser mais tão prático. Com certeza não abrimos mão dela, assim como da TV e do rádio. O poder de ação delas é inquestionável. Mas percebemos uma democratização do acesso mais ferrenha e instantânea com a Internet. Ela nos move a produzir, a inovar o tempo todo. Ela não é mais um mecanismo de divulgação, ela é sim um instrumento de criação, ela é propulsora de criatividade, por isso é tão cativante. Não funciona mais como funcionava. Um hit não te tira da lama por muito tempo, ele te coloca à vista do grande público. E como até a criação se tornou algo descartável (o que não precisa ser ruim) ainda perduram os trabalhos sérios voltados à cultura, à música, como uma forma de viver e não um instrumento financeiro. Para quem produz, a Internet é totalmente benéfica.

Definam rock preto e branco.

Juliano: Para mim é apenas rock, sem frescuras ou definições.

Jonas: Simplicidade. Expressa “sem voltas”,  “sem delongas”. Espontaneidade. O rock preto e branco é catártico e certeiro. Não é “poser”. O rock preto e branco acontece em um show sem a preocupação de agradar, pois ele alivia por si só. É crer em si mesmo, ser livre, dividir o palco e a guitarra com o público. Tocar com amor e entrega. Esse é o rock preto e branco. Essa é a Volar.

“Evoluímos muito musicalmente e também trouxemos muitas experiências das viagens.” – Juliano Ebeling

Próximos shows?

Juliano: Temos um show no dia 20/10 no Show Bar, em Carlos Barbosa (RS), com os Cartolas, uma banda da qual gostamos muito. Depois, no dia 09/11, tocamos com os amigos da Slow Bricker, no Roça in Rio, festival que nós mesmos organizamos com o objetivo de difundir a música autoral da nossa região, coisa bem difícil por aqui.

Página oficialhttp://bandavolar.blogspot.com.br/

Link relacionado:

Entrevista – Primeira entrevista da banda ao blog, ainda como Lila, em 2011.

Written by Talita Lima

03/10/2012 at 7:03 PM