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A inspiração por trás da música da Malavera: Somos O Que Ouvimos conversou com Freddy Guazzone, vocalista da banda de Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio e Martin Carrizo. Divulgação

A delirante onda indie e garage rock que inundou o mundo da música especialmente na primeira década do Século XXI, protagonizada por bandas como The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys deu novo fôlego ao rock and roll e inspirou músicos como os da Malavera a formarem suas próprias bandas. Subproduto dessa nova geração de bandas britânicas e norte-americanas, mas não somente dela, Malavera surgiu em 2007, em Buenos Aires, Argentina. Eles têm um álbum de músicas demo e um CD single com as faixas, “The Sex Scene” e “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos conversou pela Internet com o simpático vocalista Freddy Guazzone sobre suas referências musicais – que vão além do “mass media indie” dos anos 2000 -, o novo single, turnês e música brasileira.

por Talita Lima

Malavera tem uma evidente influência do indie rock americano e britânico produzido no começo dos anos 2000, no qual as bandas trouxeram de volta à cena o pós-punk e o garage rock e o fizeram popular ao longo daquela década, especialmente.  Como condensam estas grandes referências sem que a música fique parecendo só uma reprodução do que veio antes?

Freddy: Bandas como The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club e mais algumas dessas “bandas de garagem” pós-2000 são, de fato, uma grande influência para nós. Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos.

Quanto a não ser apenas uma reprodução do mesmo som, eu acho que todo músico é uma recordação e uma mixagem de todas as coisas que ele ouviu antes. Gon [guitarra], Johann [guitarra], Tape [bateria], Martin [baixo] e eu somos grandes amantes de música. Nós não ouvimos apenas The Strokes, The White Stripes, The Hives e todas essas grandes bandas dos últimos 12 anos, mas temos muitas influências a mais que, na maioria dos casos, têm raízes mais profundas em nós do que o Movimento Garagem do início dos anos 2000. Eu mesmo sou um grande fã de David Bowie e quando eu me ouço percebo que “roubo” muito dele. Também gosto muito da forma como Nick Cave canta, ou Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley ou um milhão de outros nomes.

Eu amo o jeito que Julian Casablancas canta, mas com todas essas outras influências tentando sair quando estou cantando, ele não tem tanta influência no resultado. Acredito que este é o caso com todos na Malavera. Nós amamos essas bandas novas e eles evidentemente influenciaram nossa música, mas isso é apenas uma pequena porcentagem do que trazemos para o nosso trabalho.

No primeiro contato com a banda, as fortes influências de Strokes, Libertines – “indie rock geração 2000” basicamente – são claras… para o público é importante conhecer as outras influências que são tão relevantes quanto eles.

Freddy: Quando você está tocando esse tipo de punk rock, pós-punk de garagem, com a mesma configuração instrumental (duas guitarras, baixo, bateria e um cantor) isso pode mostrar semelhanças porque essas bandas estão muito “frescas” em sua memória, elas apareceram muito na mídia nestes últimos 12 anos.

O que estou tentando dizer é que se John Frusciante, The Replacements, Fugazi e The Birthday Party fossem tão evidentes na cena musical de hoje, você iria encontrar muitos elementos em comum entre Malavera e essas bandas, como com The Strokes. Além disso, é tudo parte de encontrar a sua própria voz, que você raramente alcança no começo. Nossas últimas canções soam bastante diferente do nosso primeiro trabalho.

Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal, foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos. (Freddy)

Cantar em inglês foi uma escolha da banda desde o começo?

Freddy: Sim, com certeza. Quase toda música que amamos é cantada em inglês. Toda música que eu cresci amando é em inglês. Gon gosta de alguns artistas latino-americanos, Johann também gosta de alguns. Martin e Tape também. Até eu gosto de quatro ou cinco canções espanholas. Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim. No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. Mas, para não desviar do assunto, não havia chance de eu cantar em qualquer idioma que não fosse o inglês. Eu me sinto muito confortável cantando e escrevendo em inglês e eu acho que isso aparece na música. É bastante natural, não vem como algo forçado.

Por que “The Sex Scene” e “Fat Buda” foram escolhidas como single?

Freddy: Nós sempre soubemos que queríamos “The Sex Scene” para ser nosso primeiro single. É a primeira música que escreveu que realmente ressoou com todos nós e nos fez perceber que tinha uma chance de se tornar uma banda de verdade com canções que realmente gostava. É a primeira música que escrevemos que realmente ressoou em todos nós e nos fez perceber que tínhamos uma chance de ser uma banda de verdade com canções que realmente gostávamos. Também foi a canção que recebeu as melhores críticas de pessoas que nos ouviram e queríamos exibir algo que nós gostamos, mas também algo que todo mundo pode se relacionar.

A ideia original era de lançar “Happiness” como o lado B, porque sentíamos uma sensação muito semelhante à de “The Sex Scene”: muito atmosférico e escuro, mas em um ritmo mais lento. Mas quando nos reunimos com o produtor do single para conversar e escolher as músicas que iríamos gravar, ele ressaltou que talvez fosse uma boa ideia lançar duas músicas que apresentassem o nosso espectro musical em vez de mostrar apenas o lado mais “deprê” da Malavera. “Fat Buda” é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. Assim, entre essas duas você tem uma imagem melhor de quem somos como banda.

Fat Buda é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. (Freddy)

Como tem sido os shows atuais?

Freddy: Nós realmente não temos excursionado muito ainda. Nós temos empregos, namoradas, esposas, etc., e ser capaz de organizar cinco pessoas diferentes para viajar, mesmo que por uma semana ou duas, é bastante difícil. Mas é definitivamente um projeto para o futuro próximo para nós. Estamos tocando bastante aqui em Buenos Aires e tocar ao vivo é muito gratificante em qualquer lugar, mas nós definitivamente queremos planejar uma pequena turnê em breve.

Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim . No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. (Freddy)

Há planos para tocar no Brasil em breve?

Freddy: Nós realmente gostaríamos de tocar no Brasil. Qualquer lugar do Brasil seria ótimo, mas Rio e São Paulo são dois lugares que nós realmente gostaríamos de visitar com a Malavera. Esperamos estar aí em breve.

Se você pudesse nomear o melhor álbum dos anos 2000 e o melhor de todos os tempos, quais seriam?

Freddy: Essas são realmente questões difíceis para um amante da música como eu. O melhor álbum que ouvi nos últimos 12 anos? Eu tenho Sky Blue Sky do Wilco, Is This It dos Strokes, Ziltoid The Omniscient de Devin Townsend, I Am a Bird Now de Antony and the Johnsons, Cripple Crow de Devendra Banhart, Live in Tokio de Brad Mehldau. Há muitos para escolher apenas um. Álbum favorito de todos os tempos? Jesus, isso é difícil também. Grace do Jeff Buckley, Five Leaves Left do Nick Drake, Closing Time do Tom Waits e Piano Works de Erik Satie. Sim, esses quatro são meus álbuns favoritos de todos os tempos.

www.malavera.com

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Written by Talita Lima

26/10/2012 às 5:52 PM

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