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Underground & Indie

Archive for abril 2013

Entrevista: As bandas 3éD+ e zeemer apresentam suas sonoridades e ideias

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As bandas 3éD+ (São Paulo)  e zeemer (Santo André) se apresentam no próximo domingo, 21 de abril, no Gambalaia Espaço de Artes e Convivência em Santo André (a noite também contará com show da banda Intrínseco). Somos O Que Ouvimos conversou com integrantes das duas bandas. As duas entrevistas você lê na sequência:

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

“Hey, menininho bonitinho, aumenta essa guitarra!”. Quem solta o verbo é o inquieto vocalista e guitarrista do duo paulistano 3éD+, Dom Orione. Sincero e provocador, ele conta um pouco da trajetória da dupla underground formada em 2005 com Leandro Lima, fundamentada em bateria e guitarra fugazes, além do vocal (por vezes) esganiçado do próprio, e faz uma avaliação do cenário independente paulistano.

por Talita Lima

Qual a expectativa para o show de domingo em Santo André?

Tocar sempre é bom. Ficamos contentes em saber que o zeemer aceitou dividir o palco conosco e ainda convidou outra banda, a Intrínseco. Isso graças ao Mateus (vocalista de banda Krias de Kafka) que fez a ponte pra gente.

Como você definiria a sonoridade do 3éD+ para quem não os conhece, se é que existe essa preocupação?

Simples e direto. Dois caras fazendo rock do jeito que sabem, sem se preocupar com rótulos ou estética.

Será a primeira vez que o 3éD+ tocará fora de São Paulo?

Este ano sim. Já tocamos em muitos lugares, e os mais inusitados que você possa imaginar. O pessoal do ABC sempre nos recebeu muito bem. Temos os amigos do Krias de Kafka por lá, os meninos da banda Espasmos do Braço Mecânico. E os caras têm os nomes de bandas mais originais que já ouvi, nomes como Sentimento Carpete, Special Cigarettes, que já tocaram conosco. Acho fantástico!

Quando vocês conceberam a ideia da banda, houve alguma inspiração no formato de duplas como The White Stripes, ou mesmo Yeah Yeah Yeahs que, apesar de ser trio, também não tem baixo na formação?

Não, até eu acho estranho pensar nisso, mas a ideia da banda, desde o formato até as temáticas das músicas, na verdade veio do Leandro (baterista). Ele me chamou pra tocar, deu o nome pra banda. Nossas influências ainda são uma salada, a gente ouve de quase tudo, só conheci os White Stripes e Yeah Yeah Yeahs depois de tocar com o 3éD+. Em 2005 a Internet ainda era discada, então não era fácil baixar músicas como é hoje em dia, e o que tínhamos como referência de site para baixar músicas era o site da Trama, as pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. É engraçado, já fomos comparados com muitas bandas dos estilos mais variados possíveis.

O duo passou por uma pausa, certo? Como decidiram que era hora de recomeçar?

Certo, ficamos quase um ano sem tocar e quase não nos víamos. Houve uma ruptura de uns oito meses mais ou menos, eu parti para outro projeto e o Leleco foi respirar outros ares. Ele montou uma banda chamada Celene e eu o SuperDuo. Mas a amizade falou mais forte, então durante um show do Jair Naves o Leandro perguntou se eu não estava a fim de voltar a fazer barulho com ele. Lógico que eu aceitei de primeira, isso foi no começo do ano passado, em duas semanas já tínhamos 10 músicas, mas só consideramos 5 para apresentar ao pessoal. Elas estão disponíveis na nossa página, nós somos meio preguiçosos… A pausa foi boa para revermos todo o processo que passamos nos últimos 7 anos, muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins.

Eu tenho o privilégio de ter uma cópia de um enérgico CD demo do 3éD+. Naquela época (2004, se não me engano), os meios para “subir” e compartilhar música própria e independente na Internet ainda não eram tão populares como atualmente, não existam plataformas gratuitas como o SoundCloud, por exemplo. Como foi essa mudança para vocês?

Poxa, que legal, eu não tenho material nenhum dessa época. Eu lembro que quando gravamos o cd, que na verdade não passava de um ensaio ao vivo, nós cogitávamos conquistar o mundo! Tínhamos apenas 5 meses de banda e tudo foi feito muito rápido, em 2 horas já estava pronto, simples assim. Tínhamos uma urgência muito grande, o cenário independente estava cheio de moleques e molecas tocando guitarra e fazendo barulho. A mudança ocorreu no bolso. Ficou muito mais fácil pra dois caras que sempre foram duros [risos]. Antes tinha que comprar um monte de mídia, ou mesmo K7, tirar xerox… aí você ia até os bares entregar. Agora é bem mais fácil, mas confesso que sinto falta desse contato com as pessoas, ainda tenho muitos CD-Rs desse tempo.

3éD+ Foto: Felipe Mandl

Leandro Lima e Dom Orione, o 3éD+  Foto: Felipe Mandl

As pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. (Orione)

E vocês continuaram apostando no formato físico, em tempos em que até artistas nacionais famosos lançam música em formato digital. Por quê?

Sim, hoje em dia o CD serve como cartão de visitas, mas precisa ser bem gravado. Como disse, antes era tudo muito precário, só os pessoal que tinha “paitrocínio” lançava CDs bem feitos ou o pessoal mais abastado da cena. Nós xerocávamos as capas, as músicas eram gravadas com uma qualidade muito baixa – nosso disco mesmo -, mas tinha um certo charme nisso. Eu lembro de ver amigos produzindo CD em casa mesmo, eu ainda curto isso, e provavelmente é o que vamos continuar fazendo, até termos grana para fazer algo mais “profissional” ou até alguém querer bancar isso pra gente. Mas não tenho dúvidas que os sites especializados em música virtual hoje são responsáveis por 99% da divulgação do trabalho.

A moda agora é se arrumar para o DJ. (Orione)

Você já pode ser considerado um veterano no cenário underground paulistano. Qual avaliação faz da sua atuação e do cenário em geral? 

[Risos] Senti-me velho. Bem, com o 3éD+ estamos na ativa há 8 anos. No começo tentamos nos infiltrar onde as bandas mais populares – por assim dizer -, tocavam. Mas creio que nunca fomos recebidos com bons olhos e acho que ainda não somos. Ainda encontro dificuldades para marcar shows, divulgar a banda. Como costumamos dizer, a gente ainda fica à margem da cena. Hoje o que fazemos são parcerias com bandas e pessoas. Achamos válida a troca de informação por dois motivos básicos: o primeiro inclui o respeito à música e, segundo, não é a falsidade que era há um tempo. Hoje somos mais tranquilos, estamos mais maduros, participamos de alguns festivais, o último foi o Esquema Noise Underground, idealizado pelo Kleber do Estúdio Primeiro Andar, junto com a Cia Humbalada de Teatro. Participamos de todo o processo do evento, desde as escolhas das bandas, atrações e intervenções, até a devolução dos equipamentos do Kleber. Foi bem legal. Nesse evento tocamos com as bandas All Acaso, Radioviernes e Ordinária Hit. Posso dizer que somos vitoriosos, porque ainda não desistimos do nosso propósito que é tocar. Com toda a dificuldade que ainda encontramos, estamos aí. As casas mudaram muito, a moda agora é ser DJ, o pessoal mais novo não curte tanto shows ao vivo e muitas bandas novas estão bunda-mole demais, fazendo som pra agradar a mãe. Como diz o Damazio, um cara que sou fã: “se sua mãe gosta das suas músicas, vai tocar outra coisa. Rock não é pra ser bonitinho”.  A moda agora é se arrumar para o DJ.

Comente sobre os planos futuros…

Tocar e tocar e continuar tocando. A música vem em primeiro lugar para nós. É nosso meio maior de expressão, se não fosse pela música, pela banda, acho que eu não seria metade da pessoa que sou hoje, não conheceria nem um terço das pessoas que conheço. Acho que conseguimos um pouco de respeito por insistirmos. Estamos trabalhando em um material novo, já tem músicas sendo trabalhadas. Temos tido a companhia do Targino (Monorock) no palco, nos ajudando com um sintetizador. Em breve músicas novas para download, uns vídeos… essas coisas… a Internet é uma grande ferramenta, acho que é isso.

[Posso agradecer algumas pessoas?]

Primeiramente, quero agradecer algumas pessoas e bandas que nos boicotaram, falaram mal de nós, tentaram  – e em alguns casos conseguiram – nos queimar. Como somos quase desconhecidos, não fez muita diferença, mas valeu porque ficamos mais ao menos “falados”. Quero agradecer as bandas, artistas, donos de bares e de estúdios que viraram parceiros, principalmente fora do palco, os amigos que vêm nos acompanhando… Não temos um público de mil pessoas, no máximo uns 15 amigos que estão conosco sempre que podem e que no fim fazem toda a diferença. Obrigado pelo espaço, para nós é uma honra poder contar um pouco mais sobre o 3éD+.

https://soundcloud.com/3edmais

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

zeemer. Sim, é isso mesmo, faz lembrar o nome de uma banda de nerds norte-americanos muito famosa. Mas as influências da zeemer vão muito além. Com a voz de Vanessa Stibich (Nes)Gabriel Arrais (Gabes) na guitarra, Willians Caires (Urso) na bateria e Jorge Leandro (Goró) no baixo, zeemer começou 2013 com novo fôlego, dando sequência na contribuição com o fecundo cenário underground de Santo André. Somos O Que Ouvimos falou com Gabes e Urso a respeito do recomeço da banda, a escolha da nova vocalista e mais.

por Talita Lima

Da onde veio a inspiração para formar a zeemer? 

Urso: Tudo começou há sete anos, quando eu e o Gabes nos conhecemos na faculdade, tendo em comum o gosto pela música. Logo nos tornamos bons amigos e decidimos montar uma banda com a participação de outro amigo da faculdade que cantava e tinha algumas composições. Meu amigo de infância, Daniel Penha, também foi convidado para tocar baixo. Logo no primeiro ensaio, Gabes apresentou algumas composições dele que eram bem diferentes do que tínhamos em mente, o que irritou o vocalista, que não havia gostado do estilo, mas agradou ao resto do grupo. Pronto, ali nascia um power trio, a banda zeemer: Urso na bateria, Gabes na guitarra e Daniel Penha no baixo. Vale ressaltar que a banda já passou por muitas coisas: mudanças de integrantes, quando o Daniel saiu e o Goró entrou assumindo o baixo, além de uma grande pausa entre 2007 e 2012.

Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez. (Gabes)

Quais são as bandas mais influentes na sonoridade produzida pela banda?

Gabes: Smashing Pumpkins e Weezer são as mais evidentes quando se escuta o zeemer, mas outras bandas como The Presidents of the United States of America, Stone Temple Pilots, Nirvana, Sleater Kinney e White Stripes também foram bastante influentes. Bebemos muito da fonte dos anos 90. Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez [risos]. Também nos inspiramos no cinema e histórias em quadrinhos.

Por que escolheram compor e cantar em inglês?

Gabes: Temos algumas músicas em português, mas nunca tivemos coragem de executá-las ao vivo. Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso. Foi uma decisão difícil optar por só tocar as músicas em inglês, pensamos muito nas bandas que tentaram misturar e acabaram perdendo a identidade no meio do processo. O Forgotten Boys (que é uma banda que nós adoramos) nasceu para ser em inglês, cantando em português parece que fazem covers deles mesmos.

Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso(Gabes)

Como foi o processo de escolha de uma nova vocalista e por quê a escolhida foi a Nes?

Urso: Foi como acertar na loteria. Após retomarmos as atividades com a banda em 2012, não conseguíamos encontrar um(a) vocalista que encarasse com seriedade o nosso trabalho. Queríamos alguém que fizesse parte e que dividisse as responsabilidades da banda, chegamos até a pensar em deixar o Gabes cantando e retomar um power trio, mas foi quando, por acaso, Nes, uma antiga conhecida, postou no Facebook um vídeo onde ela interpretava com maestria a canção “Black” do Pearl Jam. Fizemos um convite para ela vir a um ensaio cantar alguma coisa, ouvir nossas músicas, ver se rolava… e rolou logo de cara. Ela assumiu uma postura profissional, aprendeu as músicas, correu atrás e, no bom português, vestiu a camisa do zeemer.

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich.

Vocês irão se apresentar pela terceira vez no Gambalaia, um espaço dedicado às artes em geral. De alguma forma isto mostra que estão faltando lugares focados em música (especialmente a independente) em Santo André? 

Urso: Não, pelo contrário. Achamos que não só em Santo André, como no ABC em geral, a música independente tem bastante força. Existem várias casas que recebem bem o rock alternativo, o problema é que existe, por parte de alguns artistas, uma certa resistência em apoiar novos músicos, novas bandas. Enfim, podemos até dizer que existem algumas panelinhas e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade.

Comente a relação da banda com a Internet e as redes sociais… Vi que vocês são bem ativos no Facebook, por exemplo. 

Urso: Hoje em dia é imprescindível uma boa interação através das redes sociais, pelo seu poder de alcance incrível. Podemos dizer que fazemos tudo pela Internet:  marcamos ensaio, fazemos reuniões, acertamos shows,  convidamos as pessoas para as apresentações, etc.

Comente os planos e projetos futuros, como gravação de disco, vídeo e/ou agenda de shows…

Gabes: Estamos finalizando nosso primeiro EP com quatro músicas. Ele está  previsto para ser lançado na primeira semana de junho. No segundo semestre, gravaremos mais algumas músicas. Estamos gravando com o guitarrista, produtor e amigo Thiago Orsioli, no estúdio Ilumi Narts. Tem sido bem divertido, todas as vezes que fomos lá saímos embriagados e com as maçãs do rosto doendo de tanto rir. Nada pode dar errado quando se está entre amigos.

Podemos até dizer que existem algumas panelinhas, e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade. (Urso)

Urso: Também estamos planejando um videoclipe para a música “Running Without You/Sex Without You”. Quanto aos shows, pretendemos tocar em todos os  lugares que aparecerem, porque é disso que nós gostamos. Quem quiser acompanhar nossa agenda, é só curtir nossa página no Facebook.

facebook.com/zeemeroficial

Written by Talita Lima

19/04/2013 at 10:34 PM