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Underground & Indie

Archive for junho 2014

Volar: “Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si”

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Volar/RS   Foto: Divulgação

Volar/RS   Foto: Divulgação

Da pequena Barão, na Serra Gaúcha, vem a Volar. Somos O Que Ouvimos tem acompanhado, ainda que fisicamente distante, a trajetória desta corajosa banda. Como tantas outras, Volar persiste, como pode, na concretização dos mais ordinários ideais que permeiam toda banda autoral independente. A banda falou ao Somos O Que Ouvimos sobre cena, projetos, desalentos e esperanças.

Após o recesso, como a banda está nesse momento? 

Juliano Ebeling: Creio que estamos vendo as coisas de uma forma diferente, com mais profissionalismo e levando mais a sério. Queremos shows maiores, chamar atenção da mídia de forma mais eficaz e por isso apostamos muito nesse novo single.

Como avaliam a recepção ao single “Alquimia”?

Juliano: Na verdade nós não chegamos a divulgá-lo de forma adequada. Voltamos a ensaiar, gravamos, lançamos e logo em seguida paramos de ensaiar de novo. Foi um curto espaço de tempo. Na minha opinião não agregou muito à nossa trajetória. Talvez mais pela má divulgação. Mas o público aceitou bem, inclusive nos shows.

Wagner Muller: Particularmente, achei o single muito bem recebido. Achei que haveriam algumas ressalvas, visto que tínhamos acabado de voltar de um tempo ocioso dentro da banda, mas dentro do que eu ouvi sobre, os comentários foram bem animadores.

No início deste ano a banda anunciou em seu blog que começaria a trabalhar em material inédito. Como está a produção desse material atualmente?

Juliano: Entramos em estúdio agora no início de julho. Vamos gravar um single (“Medo”) e lançar no mesmo mês. Esse material vai ser gravado em Porto Alegre, no Hill Valley Studios, com a produção do Davi Pacote, cara que produziu também nosso primeiro single “Procurando” . Depois vamos seguir na estrada, quem sabe gravar um clipe pra esse som. Coisa que não fizemos com os outros sons.

Conversamos em duas ocasiões: em 2011, quando a banda ainda se chamava Lila, e depois em 2012. Hoje, como estão enxergando a cena underground gaúcha?

Juliano: Talvez eu seja o integrante da banda mais envolvido com isso, por conta de ser quem marca os shows e afins. E na minha opinião vivemos um tempo difícil. Ao mesmo tempo que surgem coletivos e pessoas que realmente se importam com a música e que criam espaços para que as bandas exponham seu trabalho, ainda há muito bar fuleiro e bandas que se submetem a tocar junto com mais dez bandas numa noite sem ganhar um pila. Não acredito numa ‘Cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer. Assim nós viajamos o Brasil na última tour e assim que vamos chegar ainda mais longe na próxima.

Wagner: Acho que a cena gaúcha em si é uma cena muito rica. Não digo somente no underground, mas até nas bandas mais mainstream. Acho que o Rio Grande do Sul tem uma espécie de clamor à cultura em geral de uma forma bastante interessante, talvez até por ser um estado bastante tradicionalista.

 

Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução”. Isto foi dito pelo Jonas, na nossa entrevista de 2012. Naquela época ele dizia que tinha a sensação de que se vivia um tempo de transição, o qual pendia para a abertura de espaços para bandas com música autoral. De acordo com o blog da banda, vocês tiveram duas passagens por rádios locais. As oportunidades estão crescendo?

Juliano: Não. Ainda vivemos os mesmos tempos difíceis. Com poucos locais pra divulgar o trabalho e ainda dentre esses poucos, os maiores são monopolizados. Essa é uma opinião minha. Pois eu enfrento muita dificuldade para fazer com que nosso trabalho chegue até as pessoas. Talvez a gente tenha encontrado atalhos pra chegar aos melhores resultados. Mas certamente não está mais fácil do que antes.

Wagner: Me parece que essa coisa da cultura saudosista está mudando um pouco. Há algum tempo, quando era anunciado um show cover de alguma banda consagrada, dava pra ver que esses lugares movimentavam bastante gente. Hoje esses bares já não apresentam um público tão grande pra esses eventos. Acho que, com a diminuição disso, é natural que a médio prazo as oportunidades tendam a crescer para bandas autorais em geral.

Comente sobre próximos shows e atividades da banda.

Juliano: Pretendemos lançar o single “Medo” em julho e aí vamos rodar por aí. Divulgar esse som novo, fazer shows e continuar a produção dos outros sons do EP. Que pretendemos lançar ano que vem. Por hora creio que trabalharemos mais intensamente na divulgação do single, começarei agora a procurar por shows. Em agosto tocamos em um Festival em Sapiranga/RS. E é só. Por enquanto.

https://www.facebook.com/curtavolar

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Written by Talita Lima

26/06/2014 at 12:51 AM

Blear: “Lugares pra tocar estão escassos em São Paulo”

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blear

 

Anderson Lima (baixo), Erick Alves (vocal e guitarra), Rodrigo Lima (guitarra) e Kajiro (bateria) formam a banda Blear. Seu primeiro single, Melting Sun (2013), é a impecável combinação de elementos do shoegaze e do grunge que atinge em cheio os ouvidos e corações dos que estimam os berros e as doces melodias alternadas. Confira a entrevista com a banda que atualmente se prepara para lançar seu primeiro disco.

 

Qual é a experiência anterior de vocês com a música? Tocaram em outras bandas ou a Blear é a primeira de todos?

Como tocamos há alguns anos já passamos por algumas bandas sim, inclusive o Kajiro (baterista) toca na Hollowood.

Como surgiu a Blear?

Blear surgiu em 2011 com o Erick e o Rodrigo compondo algumas músicas. O Anderson e o Ricardo Azedo (primeiro baterista) entraram em 2012 pra completar a banda, então começaram os ensaios e novas músicas foram surgindo até a gravação do nosso primeiro single ‘Melting Sun’, em outubro de 2013.

Quais bandas exerceram as mais relevantes influências na sonoridade da Blear?

Sonic Youth, Swervedriver, Nirvana, Smashing Pumpkins, Dinosaur Jr., Helmet, Therapy e muitas outras bandas dos anos 80 e 90.

Como foi o processo de produção do primeiro single, ‘Melting Sun’?

Como gostamos muito de tocar nós compomos muitas músicas desde o primeiro ensaio. Escolhemos as duas que mais representavam nossa sonoridade até então.

Sobre o que tratam suas músicas?

Cada música fala sobre um certo momento de nossas vidas, coisas como levantar cedo e ir trabalhar, preguiça, ficar de saco cheio, desafetos, brigas…

Como está indo a produção do próximo material? Será um disco cheio e digital?

Estamos em processo de gravação, fazendo tudo com muita calma para alcançarmos a sonoridade que desejamos. Será um disco cheio, provavelmente com 9 músicas, e ainda não decidimos em qual formato será lançado.

Tem previsão de lançamento?

Queremos lançar ainda esse ano, estamos nos esforçando pra isso.

Continuam compondo letras em inglês? E por que essa escolha?

Sim, porque a maioria das bandas que escutamos cantam em inglês e isso nos influencia muito. Além da métrica em inglês casar melhor nesse tipo de música.

Em ‘Melting Sun’ a sonoridade ‘grungegaze’ fica bem evidente. O próximo lançamento seguirá a mesma proposta?

Surpresa!

Como avaliam o recente cenário musical underground em SP?

Sobre bandas, achamos que está rolando uma cena bem legal. Temos o Twinpine(s), Mudhill, Vapor, Poltergat, Chalk Outlines entre muitas outras que representam muito bem o rock alternativo e não ficam devendo nada pra nenhuma banda que está em evidência por ai. Temos um pequeno público que tem acompanhando essa galera toda e tem curtido muito a energia que rola nos shows. Lugares pra tocar estão bem escassos aqui em São Paulo. Estamos tocando em lugares mais inusitados como praças e bares em locais mais distantes do circuito central que estávamos acostumados há um tempo.

http://blear.bandcamp.com/

Written by Talita Lima

07/06/2014 at 9:26 PM