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Underground & Indie

Volar: “Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si”

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Volar/RS   Foto: Divulgação

Volar/RS   Foto: Divulgação

Da pequena Barão, na Serra Gaúcha, vem a Volar. Somos O Que Ouvimos tem acompanhado, ainda que fisicamente distante, a trajetória desta corajosa banda. Como tantas outras, Volar persiste, como pode, na concretização dos mais ordinários ideais que permeiam toda banda autoral independente. A banda falou ao Somos O Que Ouvimos sobre cena, projetos, desalentos e esperanças.

Após o recesso, como a banda está nesse momento? 

Juliano Ebeling: Creio que estamos vendo as coisas de uma forma diferente, com mais profissionalismo e levando mais a sério. Queremos shows maiores, chamar atenção da mídia de forma mais eficaz e por isso apostamos muito nesse novo single.

Como avaliam a recepção ao single “Alquimia”?

Juliano: Na verdade nós não chegamos a divulgá-lo de forma adequada. Voltamos a ensaiar, gravamos, lançamos e logo em seguida paramos de ensaiar de novo. Foi um curto espaço de tempo. Na minha opinião não agregou muito à nossa trajetória. Talvez mais pela má divulgação. Mas o público aceitou bem, inclusive nos shows.

Wagner Muller: Particularmente, achei o single muito bem recebido. Achei que haveriam algumas ressalvas, visto que tínhamos acabado de voltar de um tempo ocioso dentro da banda, mas dentro do que eu ouvi sobre, os comentários foram bem animadores.

No início deste ano a banda anunciou em seu blog que começaria a trabalhar em material inédito. Como está a produção desse material atualmente?

Juliano: Entramos em estúdio agora no início de julho. Vamos gravar um single (“Medo”) e lançar no mesmo mês. Esse material vai ser gravado em Porto Alegre, no Hill Valley Studios, com a produção do Davi Pacote, cara que produziu também nosso primeiro single “Procurando” . Depois vamos seguir na estrada, quem sabe gravar um clipe pra esse som. Coisa que não fizemos com os outros sons.

Conversamos em duas ocasiões: em 2011, quando a banda ainda se chamava Lila, e depois em 2012. Hoje, como estão enxergando a cena underground gaúcha?

Juliano: Talvez eu seja o integrante da banda mais envolvido com isso, por conta de ser quem marca os shows e afins. E na minha opinião vivemos um tempo difícil. Ao mesmo tempo que surgem coletivos e pessoas que realmente se importam com a música e que criam espaços para que as bandas exponham seu trabalho, ainda há muito bar fuleiro e bandas que se submetem a tocar junto com mais dez bandas numa noite sem ganhar um pila. Não acredito numa ‘Cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer. Assim nós viajamos o Brasil na última tour e assim que vamos chegar ainda mais longe na próxima.

Wagner: Acho que a cena gaúcha em si é uma cena muito rica. Não digo somente no underground, mas até nas bandas mais mainstream. Acho que o Rio Grande do Sul tem uma espécie de clamor à cultura em geral de uma forma bastante interessante, talvez até por ser um estado bastante tradicionalista.

 

Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução”. Isto foi dito pelo Jonas, na nossa entrevista de 2012. Naquela época ele dizia que tinha a sensação de que se vivia um tempo de transição, o qual pendia para a abertura de espaços para bandas com música autoral. De acordo com o blog da banda, vocês tiveram duas passagens por rádios locais. As oportunidades estão crescendo?

Juliano: Não. Ainda vivemos os mesmos tempos difíceis. Com poucos locais pra divulgar o trabalho e ainda dentre esses poucos, os maiores são monopolizados. Essa é uma opinião minha. Pois eu enfrento muita dificuldade para fazer com que nosso trabalho chegue até as pessoas. Talvez a gente tenha encontrado atalhos pra chegar aos melhores resultados. Mas certamente não está mais fácil do que antes.

Wagner: Me parece que essa coisa da cultura saudosista está mudando um pouco. Há algum tempo, quando era anunciado um show cover de alguma banda consagrada, dava pra ver que esses lugares movimentavam bastante gente. Hoje esses bares já não apresentam um público tão grande pra esses eventos. Acho que, com a diminuição disso, é natural que a médio prazo as oportunidades tendam a crescer para bandas autorais em geral.

Comente sobre próximos shows e atividades da banda.

Juliano: Pretendemos lançar o single “Medo” em julho e aí vamos rodar por aí. Divulgar esse som novo, fazer shows e continuar a produção dos outros sons do EP. Que pretendemos lançar ano que vem. Por hora creio que trabalharemos mais intensamente na divulgação do single, começarei agora a procurar por shows. Em agosto tocamos em um Festival em Sapiranga/RS. E é só. Por enquanto.

https://www.facebook.com/curtavolar

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Written by Talita Lima

26/06/2014 às 12:51 AM

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