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Guilherme Eddino: “A percepção das pessoas em relação à música é muito livre”

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O músico Guilherme Eddino, que lança hoje seu segundo disco independente, ‘Tremor’, falou ao SOQO sobre sua discografia autoral e como sua percepção sobre o mercado fonográfico contemporâneo alterou sua relação com o download gratuito.

O que você apontaria como principal diferença entre seus dois discos?

Sonoramente falando, o ‘Tremor’ ficou bem mas apurado. Não que eu não goste do meu primeiro disco, mas acho que as músicas em si são melhores do que as gravações finais delas. O ‘Tremor’ soa muito melhor. A gravação, a mixagem, a masterização, foi tudo feito com mais precisão e esmero. E também, acho que esse disco é bem mais maduro que o anterior, tanto nas letras quanto nos arranjos e na coerência do conjunto das músicas. Canções como “Mea Culpa” e “Lá De Onde Eu Vim” estão entre os meus melhores trabalhos até hoje.

Seu primeiro disco, ‘Pulsar’, não foi disponibilizado para download gratuito na época do lançamento, diferente do que ocorre agora com ‘Tremor’. Por que decidiu que era hora de oferecer ao público a opção de não pagar pelo disco?

Porque a gente vive em outros tempos, e eu tive que admitir isso. Hoje em dia a percepção das pessoas em relação à música é muito livre, muito desprendida do conceito do fonograma como produto, como era antes. E também eu li o livro da Amanda Palmer e as ideias dela me esclareceram muito, sobre você disponibilizar seu material gratuitamente e buscar o apoio dos fãs de outras maneiras. Gosto muito da ideia do crowdfunding e de maneiras alternativas de capitalizar com a música. Tenho vontade de me envolver nisso, quando conseguir uma base de fãs maior.

Que diferencial terá aquele que optar pelo download pago?

O diferencial será me ajudar a pagar minhas contas (risos). Na verdade eu decidi dar as duas opções para quem gostar do trabalho a ponto de decidir contribuir pagando alguma coisa por ele. Tenho alguns rascunhos de faixas que não entraram em ‘Tremor’ e penso em distribuí-las no futuro para quem se interessar, mas não penso em manter nada exclusivo.

Comente sobre as próximas datas de shows de divulgação de ‘Tremor’.

Estou com um quarteto de apoio incrível, não vejo a hora de começar os shows. O disco sai no dia 10, e no dia 11 a gente sobe no palco da Praça Victor Civita como parte do Projeto Ponto Pro Rock (entrada grátis). Vai ser a primeira vez que mostramos o novo trabalho, apesar de ser um show mais curto. O primeiro show completo acontece no dia 24 de abril, no Armazém Cultural, em Pinheiros. E também tocamos no dia 13 de maio, no B Music Bar. Estou vendo outras datas pra maio e junho, quem quiser acompanhar é só curtir a minha página no Facebook.

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Written by Talita Lima

10/04/2015 at 11:39 AM

Volar: “Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si”

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Volar/RS   Foto: Divulgação

Volar/RS   Foto: Divulgação

Da pequena Barão, na Serra Gaúcha, vem a Volar. Somos O Que Ouvimos tem acompanhado, ainda que fisicamente distante, a trajetória desta corajosa banda. Como tantas outras, Volar persiste, como pode, na concretização dos mais ordinários ideais que permeiam toda banda autoral independente. A banda falou ao Somos O Que Ouvimos sobre cena, projetos, desalentos e esperanças.

Após o recesso, como a banda está nesse momento? 

Juliano Ebeling: Creio que estamos vendo as coisas de uma forma diferente, com mais profissionalismo e levando mais a sério. Queremos shows maiores, chamar atenção da mídia de forma mais eficaz e por isso apostamos muito nesse novo single.

Como avaliam a recepção ao single “Alquimia”?

Juliano: Na verdade nós não chegamos a divulgá-lo de forma adequada. Voltamos a ensaiar, gravamos, lançamos e logo em seguida paramos de ensaiar de novo. Foi um curto espaço de tempo. Na minha opinião não agregou muito à nossa trajetória. Talvez mais pela má divulgação. Mas o público aceitou bem, inclusive nos shows.

Wagner Muller: Particularmente, achei o single muito bem recebido. Achei que haveriam algumas ressalvas, visto que tínhamos acabado de voltar de um tempo ocioso dentro da banda, mas dentro do que eu ouvi sobre, os comentários foram bem animadores.

No início deste ano a banda anunciou em seu blog que começaria a trabalhar em material inédito. Como está a produção desse material atualmente?

Juliano: Entramos em estúdio agora no início de julho. Vamos gravar um single (“Medo”) e lançar no mesmo mês. Esse material vai ser gravado em Porto Alegre, no Hill Valley Studios, com a produção do Davi Pacote, cara que produziu também nosso primeiro single “Procurando” . Depois vamos seguir na estrada, quem sabe gravar um clipe pra esse som. Coisa que não fizemos com os outros sons.

Conversamos em duas ocasiões: em 2011, quando a banda ainda se chamava Lila, e depois em 2012. Hoje, como estão enxergando a cena underground gaúcha?

Juliano: Talvez eu seja o integrante da banda mais envolvido com isso, por conta de ser quem marca os shows e afins. E na minha opinião vivemos um tempo difícil. Ao mesmo tempo que surgem coletivos e pessoas que realmente se importam com a música e que criam espaços para que as bandas exponham seu trabalho, ainda há muito bar fuleiro e bandas que se submetem a tocar junto com mais dez bandas numa noite sem ganhar um pila. Não acredito numa ‘Cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer. Assim nós viajamos o Brasil na última tour e assim que vamos chegar ainda mais longe na próxima.

Wagner: Acho que a cena gaúcha em si é uma cena muito rica. Não digo somente no underground, mas até nas bandas mais mainstream. Acho que o Rio Grande do Sul tem uma espécie de clamor à cultura em geral de uma forma bastante interessante, talvez até por ser um estado bastante tradicionalista.

 

Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução”. Isto foi dito pelo Jonas, na nossa entrevista de 2012. Naquela época ele dizia que tinha a sensação de que se vivia um tempo de transição, o qual pendia para a abertura de espaços para bandas com música autoral. De acordo com o blog da banda, vocês tiveram duas passagens por rádios locais. As oportunidades estão crescendo?

Juliano: Não. Ainda vivemos os mesmos tempos difíceis. Com poucos locais pra divulgar o trabalho e ainda dentre esses poucos, os maiores são monopolizados. Essa é uma opinião minha. Pois eu enfrento muita dificuldade para fazer com que nosso trabalho chegue até as pessoas. Talvez a gente tenha encontrado atalhos pra chegar aos melhores resultados. Mas certamente não está mais fácil do que antes.

Wagner: Me parece que essa coisa da cultura saudosista está mudando um pouco. Há algum tempo, quando era anunciado um show cover de alguma banda consagrada, dava pra ver que esses lugares movimentavam bastante gente. Hoje esses bares já não apresentam um público tão grande pra esses eventos. Acho que, com a diminuição disso, é natural que a médio prazo as oportunidades tendam a crescer para bandas autorais em geral.

Comente sobre próximos shows e atividades da banda.

Juliano: Pretendemos lançar o single “Medo” em julho e aí vamos rodar por aí. Divulgar esse som novo, fazer shows e continuar a produção dos outros sons do EP. Que pretendemos lançar ano que vem. Por hora creio que trabalharemos mais intensamente na divulgação do single, começarei agora a procurar por shows. Em agosto tocamos em um Festival em Sapiranga/RS. E é só. Por enquanto.

https://www.facebook.com/curtavolar

Written by Talita Lima

26/06/2014 at 12:51 AM

Blear: “Lugares pra tocar estão escassos em São Paulo”

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blear

 

Anderson Lima (baixo), Erick Alves (vocal e guitarra), Rodrigo Lima (guitarra) e Kajiro (bateria) formam a banda Blear. Seu primeiro single, Melting Sun (2013), é a impecável combinação de elementos do shoegaze e do grunge que atinge em cheio os ouvidos e corações dos que estimam os berros e as doces melodias alternadas. Confira a entrevista com a banda que atualmente se prepara para lançar seu primeiro disco.

 

Qual é a experiência anterior de vocês com a música? Tocaram em outras bandas ou a Blear é a primeira de todos?

Como tocamos há alguns anos já passamos por algumas bandas sim, inclusive o Kajiro (baterista) toca na Hollowood.

Como surgiu a Blear?

Blear surgiu em 2011 com o Erick e o Rodrigo compondo algumas músicas. O Anderson e o Ricardo Azedo (primeiro baterista) entraram em 2012 pra completar a banda, então começaram os ensaios e novas músicas foram surgindo até a gravação do nosso primeiro single ‘Melting Sun’, em outubro de 2013.

Quais bandas exerceram as mais relevantes influências na sonoridade da Blear?

Sonic Youth, Swervedriver, Nirvana, Smashing Pumpkins, Dinosaur Jr., Helmet, Therapy e muitas outras bandas dos anos 80 e 90.

Como foi o processo de produção do primeiro single, ‘Melting Sun’?

Como gostamos muito de tocar nós compomos muitas músicas desde o primeiro ensaio. Escolhemos as duas que mais representavam nossa sonoridade até então.

Sobre o que tratam suas músicas?

Cada música fala sobre um certo momento de nossas vidas, coisas como levantar cedo e ir trabalhar, preguiça, ficar de saco cheio, desafetos, brigas…

Como está indo a produção do próximo material? Será um disco cheio e digital?

Estamos em processo de gravação, fazendo tudo com muita calma para alcançarmos a sonoridade que desejamos. Será um disco cheio, provavelmente com 9 músicas, e ainda não decidimos em qual formato será lançado.

Tem previsão de lançamento?

Queremos lançar ainda esse ano, estamos nos esforçando pra isso.

Continuam compondo letras em inglês? E por que essa escolha?

Sim, porque a maioria das bandas que escutamos cantam em inglês e isso nos influencia muito. Além da métrica em inglês casar melhor nesse tipo de música.

Em ‘Melting Sun’ a sonoridade ‘grungegaze’ fica bem evidente. O próximo lançamento seguirá a mesma proposta?

Surpresa!

Como avaliam o recente cenário musical underground em SP?

Sobre bandas, achamos que está rolando uma cena bem legal. Temos o Twinpine(s), Mudhill, Vapor, Poltergat, Chalk Outlines entre muitas outras que representam muito bem o rock alternativo e não ficam devendo nada pra nenhuma banda que está em evidência por ai. Temos um pequeno público que tem acompanhando essa galera toda e tem curtido muito a energia que rola nos shows. Lugares pra tocar estão bem escassos aqui em São Paulo. Estamos tocando em lugares mais inusitados como praças e bares em locais mais distantes do circuito central que estávamos acostumados há um tempo.

http://blear.bandcamp.com/

Written by Talita Lima

07/06/2014 at 9:26 PM

Entrevista: As bandas 3éD+ e zeemer apresentam suas sonoridades e ideias

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As bandas 3éD+ (São Paulo)  e zeemer (Santo André) se apresentam no próximo domingo, 21 de abril, no Gambalaia Espaço de Artes e Convivência em Santo André (a noite também contará com show da banda Intrínseco). Somos O Que Ouvimos conversou com integrantes das duas bandas. As duas entrevistas você lê na sequência:

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

“Hey, menininho bonitinho, aumenta essa guitarra!”. Quem solta o verbo é o inquieto vocalista e guitarrista do duo paulistano 3éD+, Dom Orione. Sincero e provocador, ele conta um pouco da trajetória da dupla underground formada em 2005 com Leandro Lima, fundamentada em bateria e guitarra fugazes, além do vocal (por vezes) esganiçado do próprio, e faz uma avaliação do cenário independente paulistano.

por Talita Lima

Qual a expectativa para o show de domingo em Santo André?

Tocar sempre é bom. Ficamos contentes em saber que o zeemer aceitou dividir o palco conosco e ainda convidou outra banda, a Intrínseco. Isso graças ao Mateus (vocalista de banda Krias de Kafka) que fez a ponte pra gente.

Como você definiria a sonoridade do 3éD+ para quem não os conhece, se é que existe essa preocupação?

Simples e direto. Dois caras fazendo rock do jeito que sabem, sem se preocupar com rótulos ou estética.

Será a primeira vez que o 3éD+ tocará fora de São Paulo?

Este ano sim. Já tocamos em muitos lugares, e os mais inusitados que você possa imaginar. O pessoal do ABC sempre nos recebeu muito bem. Temos os amigos do Krias de Kafka por lá, os meninos da banda Espasmos do Braço Mecânico. E os caras têm os nomes de bandas mais originais que já ouvi, nomes como Sentimento Carpete, Special Cigarettes, que já tocaram conosco. Acho fantástico!

Quando vocês conceberam a ideia da banda, houve alguma inspiração no formato de duplas como The White Stripes, ou mesmo Yeah Yeah Yeahs que, apesar de ser trio, também não tem baixo na formação?

Não, até eu acho estranho pensar nisso, mas a ideia da banda, desde o formato até as temáticas das músicas, na verdade veio do Leandro (baterista). Ele me chamou pra tocar, deu o nome pra banda. Nossas influências ainda são uma salada, a gente ouve de quase tudo, só conheci os White Stripes e Yeah Yeah Yeahs depois de tocar com o 3éD+. Em 2005 a Internet ainda era discada, então não era fácil baixar músicas como é hoje em dia, e o que tínhamos como referência de site para baixar músicas era o site da Trama, as pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. É engraçado, já fomos comparados com muitas bandas dos estilos mais variados possíveis.

O duo passou por uma pausa, certo? Como decidiram que era hora de recomeçar?

Certo, ficamos quase um ano sem tocar e quase não nos víamos. Houve uma ruptura de uns oito meses mais ou menos, eu parti para outro projeto e o Leleco foi respirar outros ares. Ele montou uma banda chamada Celene e eu o SuperDuo. Mas a amizade falou mais forte, então durante um show do Jair Naves o Leandro perguntou se eu não estava a fim de voltar a fazer barulho com ele. Lógico que eu aceitei de primeira, isso foi no começo do ano passado, em duas semanas já tínhamos 10 músicas, mas só consideramos 5 para apresentar ao pessoal. Elas estão disponíveis na nossa página, nós somos meio preguiçosos… A pausa foi boa para revermos todo o processo que passamos nos últimos 7 anos, muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins.

Eu tenho o privilégio de ter uma cópia de um enérgico CD demo do 3éD+. Naquela época (2004, se não me engano), os meios para “subir” e compartilhar música própria e independente na Internet ainda não eram tão populares como atualmente, não existam plataformas gratuitas como o SoundCloud, por exemplo. Como foi essa mudança para vocês?

Poxa, que legal, eu não tenho material nenhum dessa época. Eu lembro que quando gravamos o cd, que na verdade não passava de um ensaio ao vivo, nós cogitávamos conquistar o mundo! Tínhamos apenas 5 meses de banda e tudo foi feito muito rápido, em 2 horas já estava pronto, simples assim. Tínhamos uma urgência muito grande, o cenário independente estava cheio de moleques e molecas tocando guitarra e fazendo barulho. A mudança ocorreu no bolso. Ficou muito mais fácil pra dois caras que sempre foram duros [risos]. Antes tinha que comprar um monte de mídia, ou mesmo K7, tirar xerox… aí você ia até os bares entregar. Agora é bem mais fácil, mas confesso que sinto falta desse contato com as pessoas, ainda tenho muitos CD-Rs desse tempo.

3éD+ Foto: Felipe Mandl

Leandro Lima e Dom Orione, o 3éD+  Foto: Felipe Mandl

As pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. (Orione)

E vocês continuaram apostando no formato físico, em tempos em que até artistas nacionais famosos lançam música em formato digital. Por quê?

Sim, hoje em dia o CD serve como cartão de visitas, mas precisa ser bem gravado. Como disse, antes era tudo muito precário, só os pessoal que tinha “paitrocínio” lançava CDs bem feitos ou o pessoal mais abastado da cena. Nós xerocávamos as capas, as músicas eram gravadas com uma qualidade muito baixa – nosso disco mesmo -, mas tinha um certo charme nisso. Eu lembro de ver amigos produzindo CD em casa mesmo, eu ainda curto isso, e provavelmente é o que vamos continuar fazendo, até termos grana para fazer algo mais “profissional” ou até alguém querer bancar isso pra gente. Mas não tenho dúvidas que os sites especializados em música virtual hoje são responsáveis por 99% da divulgação do trabalho.

A moda agora é se arrumar para o DJ. (Orione)

Você já pode ser considerado um veterano no cenário underground paulistano. Qual avaliação faz da sua atuação e do cenário em geral? 

[Risos] Senti-me velho. Bem, com o 3éD+ estamos na ativa há 8 anos. No começo tentamos nos infiltrar onde as bandas mais populares – por assim dizer -, tocavam. Mas creio que nunca fomos recebidos com bons olhos e acho que ainda não somos. Ainda encontro dificuldades para marcar shows, divulgar a banda. Como costumamos dizer, a gente ainda fica à margem da cena. Hoje o que fazemos são parcerias com bandas e pessoas. Achamos válida a troca de informação por dois motivos básicos: o primeiro inclui o respeito à música e, segundo, não é a falsidade que era há um tempo. Hoje somos mais tranquilos, estamos mais maduros, participamos de alguns festivais, o último foi o Esquema Noise Underground, idealizado pelo Kleber do Estúdio Primeiro Andar, junto com a Cia Humbalada de Teatro. Participamos de todo o processo do evento, desde as escolhas das bandas, atrações e intervenções, até a devolução dos equipamentos do Kleber. Foi bem legal. Nesse evento tocamos com as bandas All Acaso, Radioviernes e Ordinária Hit. Posso dizer que somos vitoriosos, porque ainda não desistimos do nosso propósito que é tocar. Com toda a dificuldade que ainda encontramos, estamos aí. As casas mudaram muito, a moda agora é ser DJ, o pessoal mais novo não curte tanto shows ao vivo e muitas bandas novas estão bunda-mole demais, fazendo som pra agradar a mãe. Como diz o Damazio, um cara que sou fã: “se sua mãe gosta das suas músicas, vai tocar outra coisa. Rock não é pra ser bonitinho”.  A moda agora é se arrumar para o DJ.

Comente sobre os planos futuros…

Tocar e tocar e continuar tocando. A música vem em primeiro lugar para nós. É nosso meio maior de expressão, se não fosse pela música, pela banda, acho que eu não seria metade da pessoa que sou hoje, não conheceria nem um terço das pessoas que conheço. Acho que conseguimos um pouco de respeito por insistirmos. Estamos trabalhando em um material novo, já tem músicas sendo trabalhadas. Temos tido a companhia do Targino (Monorock) no palco, nos ajudando com um sintetizador. Em breve músicas novas para download, uns vídeos… essas coisas… a Internet é uma grande ferramenta, acho que é isso.

[Posso agradecer algumas pessoas?]

Primeiramente, quero agradecer algumas pessoas e bandas que nos boicotaram, falaram mal de nós, tentaram  – e em alguns casos conseguiram – nos queimar. Como somos quase desconhecidos, não fez muita diferença, mas valeu porque ficamos mais ao menos “falados”. Quero agradecer as bandas, artistas, donos de bares e de estúdios que viraram parceiros, principalmente fora do palco, os amigos que vêm nos acompanhando… Não temos um público de mil pessoas, no máximo uns 15 amigos que estão conosco sempre que podem e que no fim fazem toda a diferença. Obrigado pelo espaço, para nós é uma honra poder contar um pouco mais sobre o 3éD+.

https://soundcloud.com/3edmais

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

zeemer. Sim, é isso mesmo, faz lembrar o nome de uma banda de nerds norte-americanos muito famosa. Mas as influências da zeemer vão muito além. Com a voz de Vanessa Stibich (Nes)Gabriel Arrais (Gabes) na guitarra, Willians Caires (Urso) na bateria e Jorge Leandro (Goró) no baixo, zeemer começou 2013 com novo fôlego, dando sequência na contribuição com o fecundo cenário underground de Santo André. Somos O Que Ouvimos falou com Gabes e Urso a respeito do recomeço da banda, a escolha da nova vocalista e mais.

por Talita Lima

Da onde veio a inspiração para formar a zeemer? 

Urso: Tudo começou há sete anos, quando eu e o Gabes nos conhecemos na faculdade, tendo em comum o gosto pela música. Logo nos tornamos bons amigos e decidimos montar uma banda com a participação de outro amigo da faculdade que cantava e tinha algumas composições. Meu amigo de infância, Daniel Penha, também foi convidado para tocar baixo. Logo no primeiro ensaio, Gabes apresentou algumas composições dele que eram bem diferentes do que tínhamos em mente, o que irritou o vocalista, que não havia gostado do estilo, mas agradou ao resto do grupo. Pronto, ali nascia um power trio, a banda zeemer: Urso na bateria, Gabes na guitarra e Daniel Penha no baixo. Vale ressaltar que a banda já passou por muitas coisas: mudanças de integrantes, quando o Daniel saiu e o Goró entrou assumindo o baixo, além de uma grande pausa entre 2007 e 2012.

Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez. (Gabes)

Quais são as bandas mais influentes na sonoridade produzida pela banda?

Gabes: Smashing Pumpkins e Weezer são as mais evidentes quando se escuta o zeemer, mas outras bandas como The Presidents of the United States of America, Stone Temple Pilots, Nirvana, Sleater Kinney e White Stripes também foram bastante influentes. Bebemos muito da fonte dos anos 90. Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez [risos]. Também nos inspiramos no cinema e histórias em quadrinhos.

Por que escolheram compor e cantar em inglês?

Gabes: Temos algumas músicas em português, mas nunca tivemos coragem de executá-las ao vivo. Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso. Foi uma decisão difícil optar por só tocar as músicas em inglês, pensamos muito nas bandas que tentaram misturar e acabaram perdendo a identidade no meio do processo. O Forgotten Boys (que é uma banda que nós adoramos) nasceu para ser em inglês, cantando em português parece que fazem covers deles mesmos.

Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso(Gabes)

Como foi o processo de escolha de uma nova vocalista e por quê a escolhida foi a Nes?

Urso: Foi como acertar na loteria. Após retomarmos as atividades com a banda em 2012, não conseguíamos encontrar um(a) vocalista que encarasse com seriedade o nosso trabalho. Queríamos alguém que fizesse parte e que dividisse as responsabilidades da banda, chegamos até a pensar em deixar o Gabes cantando e retomar um power trio, mas foi quando, por acaso, Nes, uma antiga conhecida, postou no Facebook um vídeo onde ela interpretava com maestria a canção “Black” do Pearl Jam. Fizemos um convite para ela vir a um ensaio cantar alguma coisa, ouvir nossas músicas, ver se rolava… e rolou logo de cara. Ela assumiu uma postura profissional, aprendeu as músicas, correu atrás e, no bom português, vestiu a camisa do zeemer.

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich.

Vocês irão se apresentar pela terceira vez no Gambalaia, um espaço dedicado às artes em geral. De alguma forma isto mostra que estão faltando lugares focados em música (especialmente a independente) em Santo André? 

Urso: Não, pelo contrário. Achamos que não só em Santo André, como no ABC em geral, a música independente tem bastante força. Existem várias casas que recebem bem o rock alternativo, o problema é que existe, por parte de alguns artistas, uma certa resistência em apoiar novos músicos, novas bandas. Enfim, podemos até dizer que existem algumas panelinhas e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade.

Comente a relação da banda com a Internet e as redes sociais… Vi que vocês são bem ativos no Facebook, por exemplo. 

Urso: Hoje em dia é imprescindível uma boa interação através das redes sociais, pelo seu poder de alcance incrível. Podemos dizer que fazemos tudo pela Internet:  marcamos ensaio, fazemos reuniões, acertamos shows,  convidamos as pessoas para as apresentações, etc.

Comente os planos e projetos futuros, como gravação de disco, vídeo e/ou agenda de shows…

Gabes: Estamos finalizando nosso primeiro EP com quatro músicas. Ele está  previsto para ser lançado na primeira semana de junho. No segundo semestre, gravaremos mais algumas músicas. Estamos gravando com o guitarrista, produtor e amigo Thiago Orsioli, no estúdio Ilumi Narts. Tem sido bem divertido, todas as vezes que fomos lá saímos embriagados e com as maçãs do rosto doendo de tanto rir. Nada pode dar errado quando se está entre amigos.

Podemos até dizer que existem algumas panelinhas, e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade. (Urso)

Urso: Também estamos planejando um videoclipe para a música “Running Without You/Sex Without You”. Quanto aos shows, pretendemos tocar em todos os  lugares que aparecerem, porque é disso que nós gostamos. Quem quiser acompanhar nossa agenda, é só curtir nossa página no Facebook.

facebook.com/zeemeroficial

Written by Talita Lima

19/04/2013 at 10:34 PM

A inspiração por trás da música da Malavera: Somos O Que Ouvimos conversou com Freddy Guazzone, vocalista da banda de Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio e Martin Carrizo. Divulgação

A delirante onda indie e garage rock que inundou o mundo da música especialmente na primeira década do Século XXI, protagonizada por bandas como The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys deu novo fôlego ao rock and roll e inspirou músicos como os da Malavera a formarem suas próprias bandas. Subproduto dessa nova geração de bandas britânicas e norte-americanas, mas não somente dela, Malavera surgiu em 2007, em Buenos Aires, Argentina. Eles têm um álbum de músicas demo e um CD single com as faixas, “The Sex Scene” e “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos conversou pela Internet com o simpático vocalista Freddy Guazzone sobre suas referências musicais – que vão além do “mass media indie” dos anos 2000 -, o novo single, turnês e música brasileira.

por Talita Lima

Malavera tem uma evidente influência do indie rock americano e britânico produzido no começo dos anos 2000, no qual as bandas trouxeram de volta à cena o pós-punk e o garage rock e o fizeram popular ao longo daquela década, especialmente.  Como condensam estas grandes referências sem que a música fique parecendo só uma reprodução do que veio antes?

Freddy: Bandas como The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club e mais algumas dessas “bandas de garagem” pós-2000 são, de fato, uma grande influência para nós. Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos.

Quanto a não ser apenas uma reprodução do mesmo som, eu acho que todo músico é uma recordação e uma mixagem de todas as coisas que ele ouviu antes. Gon [guitarra], Johann [guitarra], Tape [bateria], Martin [baixo] e eu somos grandes amantes de música. Nós não ouvimos apenas The Strokes, The White Stripes, The Hives e todas essas grandes bandas dos últimos 12 anos, mas temos muitas influências a mais que, na maioria dos casos, têm raízes mais profundas em nós do que o Movimento Garagem do início dos anos 2000. Eu mesmo sou um grande fã de David Bowie e quando eu me ouço percebo que “roubo” muito dele. Também gosto muito da forma como Nick Cave canta, ou Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley ou um milhão de outros nomes.

Eu amo o jeito que Julian Casablancas canta, mas com todas essas outras influências tentando sair quando estou cantando, ele não tem tanta influência no resultado. Acredito que este é o caso com todos na Malavera. Nós amamos essas bandas novas e eles evidentemente influenciaram nossa música, mas isso é apenas uma pequena porcentagem do que trazemos para o nosso trabalho.

No primeiro contato com a banda, as fortes influências de Strokes, Libertines – “indie rock geração 2000” basicamente – são claras… para o público é importante conhecer as outras influências que são tão relevantes quanto eles.

Freddy: Quando você está tocando esse tipo de punk rock, pós-punk de garagem, com a mesma configuração instrumental (duas guitarras, baixo, bateria e um cantor) isso pode mostrar semelhanças porque essas bandas estão muito “frescas” em sua memória, elas apareceram muito na mídia nestes últimos 12 anos.

O que estou tentando dizer é que se John Frusciante, The Replacements, Fugazi e The Birthday Party fossem tão evidentes na cena musical de hoje, você iria encontrar muitos elementos em comum entre Malavera e essas bandas, como com The Strokes. Além disso, é tudo parte de encontrar a sua própria voz, que você raramente alcança no começo. Nossas últimas canções soam bastante diferente do nosso primeiro trabalho.

Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal, foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos. (Freddy)

Cantar em inglês foi uma escolha da banda desde o começo?

Freddy: Sim, com certeza. Quase toda música que amamos é cantada em inglês. Toda música que eu cresci amando é em inglês. Gon gosta de alguns artistas latino-americanos, Johann também gosta de alguns. Martin e Tape também. Até eu gosto de quatro ou cinco canções espanholas. Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim. No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. Mas, para não desviar do assunto, não havia chance de eu cantar em qualquer idioma que não fosse o inglês. Eu me sinto muito confortável cantando e escrevendo em inglês e eu acho que isso aparece na música. É bastante natural, não vem como algo forçado.

Por que “The Sex Scene” e “Fat Buda” foram escolhidas como single?

Freddy: Nós sempre soubemos que queríamos “The Sex Scene” para ser nosso primeiro single. É a primeira música que escreveu que realmente ressoou com todos nós e nos fez perceber que tinha uma chance de se tornar uma banda de verdade com canções que realmente gostava. É a primeira música que escrevemos que realmente ressoou em todos nós e nos fez perceber que tínhamos uma chance de ser uma banda de verdade com canções que realmente gostávamos. Também foi a canção que recebeu as melhores críticas de pessoas que nos ouviram e queríamos exibir algo que nós gostamos, mas também algo que todo mundo pode se relacionar.

A ideia original era de lançar “Happiness” como o lado B, porque sentíamos uma sensação muito semelhante à de “The Sex Scene”: muito atmosférico e escuro, mas em um ritmo mais lento. Mas quando nos reunimos com o produtor do single para conversar e escolher as músicas que iríamos gravar, ele ressaltou que talvez fosse uma boa ideia lançar duas músicas que apresentassem o nosso espectro musical em vez de mostrar apenas o lado mais “deprê” da Malavera. “Fat Buda” é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. Assim, entre essas duas você tem uma imagem melhor de quem somos como banda.

Fat Buda é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. (Freddy)

Como tem sido os shows atuais?

Freddy: Nós realmente não temos excursionado muito ainda. Nós temos empregos, namoradas, esposas, etc., e ser capaz de organizar cinco pessoas diferentes para viajar, mesmo que por uma semana ou duas, é bastante difícil. Mas é definitivamente um projeto para o futuro próximo para nós. Estamos tocando bastante aqui em Buenos Aires e tocar ao vivo é muito gratificante em qualquer lugar, mas nós definitivamente queremos planejar uma pequena turnê em breve.

Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim . No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. (Freddy)

Há planos para tocar no Brasil em breve?

Freddy: Nós realmente gostaríamos de tocar no Brasil. Qualquer lugar do Brasil seria ótimo, mas Rio e São Paulo são dois lugares que nós realmente gostaríamos de visitar com a Malavera. Esperamos estar aí em breve.

Se você pudesse nomear o melhor álbum dos anos 2000 e o melhor de todos os tempos, quais seriam?

Freddy: Essas são realmente questões difíceis para um amante da música como eu. O melhor álbum que ouvi nos últimos 12 anos? Eu tenho Sky Blue Sky do Wilco, Is This It dos Strokes, Ziltoid The Omniscient de Devin Townsend, I Am a Bird Now de Antony and the Johnsons, Cripple Crow de Devendra Banhart, Live in Tokio de Brad Mehldau. Há muitos para escolher apenas um. Álbum favorito de todos os tempos? Jesus, isso é difícil também. Grace do Jeff Buckley, Five Leaves Left do Nick Drake, Closing Time do Tom Waits e Piano Works de Erik Satie. Sim, esses quatro são meus álbuns favoritos de todos os tempos.

www.malavera.com

Written by Talita Lima

26/10/2012 at 5:52 PM

The inspiration behind the music of Malavera: Somos O Que Ouvimos talked with Freddy Guazzone, lead singer of the band from Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio and Martin Carrizo. Divulgation

The delirious indie and garage rock wave which flooded the music world especially in the first decade of this century, starring bands such as The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand and Arctic Monkeys gave new breath to rock and roll and inspired musicians, such as the members of Malavera, to form their own bands. Byproduct of this new generation of British and American bands, but not only, Malavera arose in 2007 in Buenos Aires, Argentina. They have an album with demo songs and a single with the tracks “The Sex Scene” and “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos chatted on Internet with the friendly lead singer Freddy Guazzone about his musical references – which goes beyond the “mass media indie” of the 2000s -, the new single, tours and Brazilian music.

por Talita Lima

Malavera has an evident influence of American and British indie rock produced in the early 2000s, in which bands brought post-punk and garage rock back to scene and made it very popular over the decade. How to condense these great references without the music seeming just a reproduction of what came before?

Freddy: Bands like The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club and a few more of those post-2000 garage bands are, indeed, a big influence for us. Seeing a band like The Strokes succeed in a medium that, up to that point was populated by either prefabricated pop bands or nü metal bands was a huge inspiration for Malavera and – I´m sure of this – for a whole generation of new bands that flourished all over the world in the last 12 years.

As for being able to not be just a reproduction of that same sound, I think every musician is a recollection and a mix down of all the things he or she has heard before. Gon [guitar], Johann [guitar], Tape [drums], Martin [bass] and myself, we are all huge music lovers. We don´t just listen to The Strokes, The White Stripes, The Hives and all of those great bands from the last 12 years but we have many more influences that, in most cases have deeper roots in ourselves than the early 2000s Garage Movement. I´m a huge David Bowie fan and when I hear my singing I realize I “steal” a lot from him. I also really like the way Nick Cave sings, or Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley or a million other names.

I love the way Julian Casablancas sings but with all of the other influences trying to come out when I´m singing he doesn´t have that much input on the outcome. I believe this is much the case with everybody in Malavera. We love those new bands and they have evidently influenced our music but that´s just a small percentage of what we bring to our craft.

At first contact with the band the heavy influences of Strokes, Libertines – “indie rock 2000 generation” basically – are clear… it’s important to the public know the other influences which are as relevant as them.

Freddy: When you are playing that sort of punk, post-punk, garage rock with the same instrument configuration (2 guitars, 1 bass, 1 drum kit and 1 singer) it can bring up resemblances because those bands are very “fresh” in your memory, being in pretty heavy media rotation these last 12 years. I guess what I´m trying to say is, if John Frusciante, The Replacements, Fugazi and The Birthday Party were as prevalent in today´s music scene you would find as many elements in common between Malavera and those bands as with The Strokes. Also, it´s all part of finding your own voice, which you rarely achieve from the very beginning. Our latest songs are quite different sounding from our earliest work.

Seeing a band like The Strokes succeed in a medium that up to that point was populated by either prefabricated pop bands or nü metal bands was a huge inspiration for Malavera and – I´m sure of this – for a whole generation of new bands that flourished all over the world in the last 12 years. (Freddy)

Was singing in English the band’s choice from the beginning?

Freddy: Yes, it most definitely was. Almost all of the music we love is English-sung. All the music I grew up loving is in English. Gon likes a few Latin-American artists, Johann also likes a couple. Martin and Tape do to. Even I like four or five Spanish-sung songs. I also like Caetano Veloso and Tom Jobim very much. Last summer I was in Rio and found Caetano´s Domingo and Jobim´s Wave in a record store. Really amazing records. But, not to divert from the subject, there wasn´t even a chance that I was going to sing in any other language than English. I feel really comfortable singing and writing in English and I think it shows in the music: It doesn´t come out as a forced thing but it´s rather natural.

Why “The Sex Scene” and “Fat Buda” was chosen as the single songs?

Freddy: We always knew we wanted “The Sex Scene” to be our first single. It´s the first song we wrote that really resonated with us all and made us realize we had a chance of becoming a real band with songs that we actually liked. Also it was the song that received the best reviews from the people that heard us and we wanted to put out something that we liked but also something that everybody else could relate to. We had the original idea of putting out “Happiness” as the B side, because we felt it had a very similar feel to “The Sex Scene”: very atmospheric and dark but on a slower time. But when we got together with the single´s producer to talk and choose the songs we were going to record he pointed out that maybe it was a good idea to put out two songs that showcased more of our musical spectrum instead of showing just the more brooding side of Malavera. “Fat Buda” is a much more optimistic, brighter song and it has a more pop flavor to it so between those two you have a better picture of who we are as a band.

Fat Buda is a much more optimistic, brighter song and it has a more pop flavor. (Freddy)

How has the current tour been?

Freddy: We haven´t really toured much yet. We all hold day jobs, girlfriends, wives, etc., and being able to organize five different people to go away for even a week or two is quite difficult but that´s definitely a project for the near future for us. We are playing quite a lot here in Buenos Aires and playing live is very rewar ding anywhere you do it but we definitely want to plan a small tour sometime soon.

I also like Caetano Veloso and Tom Jobim very much. Last summer I was in Rio and found Caetano’s Domingo and Jobim’s Wave in a record store. Really amazing records. (Freddy)

Are there plans to play in Brazil soon?

Freddy: We would really love to play in Brazil. Anywhere in Brazil would be great but Rio and Sao Paulo are two places we´d really enjoy visiting with Malavera. Hopefully we´ll be there soon.

If you could name the best album of the 2000s and the best of all times, what would they be?

Freddy: Those are really difficult questions for a cross-genre music lover like myself. The best album I heard in the last 12 years? I´ve got Wilco´s Sky Blue Sky, The Strokes´s Is This It, Devin Townsend´s Ziltoid The Omniscient, Antony and the Johnsons´s I Am a Bird Now, Devendra Banhart´s Cripple Crow, Brad Mehldau´s Live in Tokio, there´s too many to just pick one. Favorite album of all times? Jesus, that´s a tough one too. I´ll try and stick to one. I would have to go with Jeff Buckley´s Grace. And Nick Drake´s Five Leaves Left. And Tom Waits’ Closing Time. And Erik Satie´s Piano Works. Yeah. Those four are my favorite album of all times.

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Written by Talita Lima

26/10/2012 at 5:47 PM

“A música precisa de inconsequência”, diz Jonas Schommer, vocalista da banda gaúcha Volar

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Foto: Gustavo Carniel

Jonas Schommer (voz/guitarra), Wagner Muller (baixo) e Juliano Ebeling (bateria) formam a Volar, que um dia foi Lila. Até pouco tempo restrita à pequena cidade natal (Barão/RS), a banda da serra gaúcha prepara seu segundo EP, sucessor de Faço De Conta Que Ainda Existo (2011) e segue rompendo os limites geográficos por amor à música autoral, seja com a presença na Internet e nas redes sociais ou na estrada, efetivamente. Somos O Que Ouvimos voltou a conversar com os gaúchos para saber sobre a nova fase da banda e suas recentes passagens por cidades do Sul e Sudeste do país.

por Talita Lima

Por que a banda deixou de ser Lila e passou a se chamar Volar? E por que escolheram este nome?

Juliano Ebeling: Acho que Lila já não nos agradava mais e havia bandas com nomes semelhantes. Sugeri Volar por ter sonoridade forte e o Wag [Wagner Muller] gostou, depois o Jonas acabou simpatizando com o nome também. Volar significa voar em espanhol.

Jonas Schommer: Lila foi um período importante de reconhecimento de si mesmo e aprendizado.  É duro decidir por alterar o nome, porém nos pareceu inevitável. Acredito sermos sempre náufragos em meio a um mundo que nos permite experimentações e jogos de tentativa e erro. Insistir em um nome que não mais significava para nós, apenas por medo de perder algumas de nossas conquistas com ele seria, no mínimo, estupidez. A decisão foi demorada, gradativa e consensual. Acreditamos na Volar. Acho que ela nos deixa mais livres, com um horizonte mais amplo.

“Precisamos interagir, mobilizar-nos para além do lugar comum,produzir diferença.” – Jonas Schommer 

Em novembro de 2011, quando fizemos nossa primeira entrevista, vocês já diziam que planejavam uma turnê pelo Sul e Sudeste (SC, PR e SP). Agora, em 2012, isso se concretizou, vocês estiveram em todos os estados citados. Como foi?

Juliano: Foi fantástico! Em Santa Catarina, dividimos o palco com a Kura, uma banda local bem legal, foi uma noite muito massa. Em São Paulo, tocamos no Rasgada Coletiva em Sorocaba. Foram dois shows em uma noite, foi uma experiência incrível, muita gente que respira cultura e, de quebra, ainda conhecemos a gurizada da INI, banda que citamos na outra entrevista como uma das que mais admirávamos. No final de setembro, fomos ao Paraná pra tocar junto com a Sonora Coisa e La Vantage, gurizada gente finíssima assim como todos que conhecemos em Sorocaba e Santa Catarina. Viajar sempre é bom pra conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes.

Jonas: Quebramos muitas de nossas barreiras conceituais com relação a viajar pra mais longe, mesmo tendo andado longos km por diversas cidades do Rio Grande do Sul. Tocar em Santa Catarina e São Paulo foi, com certeza, um gás a mais para seguirmos. Ainda é pouco, precisamos confessar. A crença na nossa música e, enfim, na música e na arte como um todo, nos faz pensar que as fronteiras precisam ser deixadas de lado. Em um mundo tão descentralizado não há porque insistirmos somente nos mesmos lugares. Precisamos interagir, mobilizar-nos para além do lugar comum, produzir diferença.

Vocês estão prestes a entrar em estúdio para a gravação do segundo EP. Ele já tem nome? Serão quantas músicas?

Jonas: Esboçamos alguns nomes, mas nada certo. Temos hoje cerca de seis músicas com potencial de gravação. Estamos aguardando juntar mais algum dinheiro, aprovar alguns projetos federais e estaduais dos quais aguardamos contemplação como o “Level: Música Sem Fronteiras” e o “Arte!: Construindo Saberes”, com vistas a disponibilizar ao público um material de primeira.

“Sempre cultuei os primeiros álbuns de artistas, eles têm uma magia que ninguém tira.” – Jonas Schommer 

Como avaliam essa passagem de um EP a outro?

Juliano: Acho que evoluímos muito musicalmente e também trouxemos muitas experiências das viagens.

Jonas: Estamos muito mais descontraídos. “Maduro” não me parece uma boa palavra, pois a música precisa de inconsequência. Colocamos-nos hoje em um lugar de muito mais apropriação de nosso espaço artístico, temos consciência de que somos ouvidos e, por vezes, cortejados, ao mesmo tempo em que aprendemos a lidar com a crítica. Isso, de certo modo, aumenta nossa confiança em nós mesmos, pois é disso que sobrevivemos. Eu, particularmente, sempre cultuei os primeiros álbuns de artistas, eles têm uma magia que ninguém tira: um amadorismo, uma gravação mal feita e uma crueza que, de fato, desaprendemos a ter nos trabalhos seguintes. Acredito estarmos em uma linha tênue entre a sensação de inauguração de um trabalho de uma banda com um novo nome, um novo direcionamento. E esse “calourismo”, mesclado ao processo evolutivo natural, fará desse novo EP um trabalho genuíno. Estamos ansiosos.

Há novos elementos e referências incorporados à sonoridade da banda?

Juliano: Acho que sim. Até porque esse EP terá composições minhas também. Além disso, creio que cada um de nós conheceu novos sons e trouxe novas influências.

Jonas: Estamos mais permissivos entre nós. Não há meta ou medida. Há o desejo. De fato, há um respeito pelos gostos, que sempre perduram bastante divergentes. Por vezes, não é possível entender como seguimos juntos, com tantas distâncias conceituais. E não são somente musicais, são nas formas de entender as coisas, na maneira de conviver com as pessoas. Tocar é um exercício de sobrevivência com e pelo outro. É aí que nos encontramos.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução.” – Jonas Schommer

Houve alguma melhora no cenário local em relação a lugares para tocar e melhor aceitação de trabalhos autorais em detrimento das bandas covers?

Juliano: Ainda é difícil, mas de uns tempos pra cá estamos tentando criar um intercâmbio com bandas de outras cidades. Conversamos bastante com a Slow Bricker, de Caxias do Sul, banda muito legal e que está lançando seu primeiro disco agora, essa parceria ainda vai render bons frutos pra cena local.

Jonas: Há a sensação de um período de transição. Essa situação não pode perdurar pra sempre. Vivemos em um hiato cultural justamente em um período de forte ebulição dos incentivos à arte e à cultura tanto no país, como no RS. Há uma ebulição visível na perspectiva cultural e somos parte dela. Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução. As políticas públicas e, principalmente, o movimento da sociedade civil do meio artístico sabe do importante momento que estamos vivendo e o quão sem volta ele é. Sinto que o espaço para a arte está sendo criado, a passos de zumbi, mas está sendo criado com, no mínimo, honra. Mesmo assim, a classe musical, principalmente a autoral, é marginalizada e se perde nos cantos, refém do jabá e da manipulação midiática. Acredito que justamente essa descentralização, essa “desterritorialização” que as bandas vêm instituindo mostram uma força que não vai cessar. Estamos cavando espaços e fazemos isso da maneira mais elegante: criando.

Em 2011 comentamos também sobre o uso da Internet como meio de divulgação. De lá pra cá, isso se intensificou?

Juliano: Creio que não mudou muito. Enquanto o Twitter perdeu força, o Facebook se tornou mais importante. Mas a Internet continua sendo muito importante pra gente tanto em divulgação quanto na busca de contatos.

Jonas: A mídia impressa, mesmo tendo um peso tremendo, vem perdendo força, justamente por não ser mais tão prático. Com certeza não abrimos mão dela, assim como da TV e do rádio. O poder de ação delas é inquestionável. Mas percebemos uma democratização do acesso mais ferrenha e instantânea com a Internet. Ela nos move a produzir, a inovar o tempo todo. Ela não é mais um mecanismo de divulgação, ela é sim um instrumento de criação, ela é propulsora de criatividade, por isso é tão cativante. Não funciona mais como funcionava. Um hit não te tira da lama por muito tempo, ele te coloca à vista do grande público. E como até a criação se tornou algo descartável (o que não precisa ser ruim) ainda perduram os trabalhos sérios voltados à cultura, à música, como uma forma de viver e não um instrumento financeiro. Para quem produz, a Internet é totalmente benéfica.

Definam rock preto e branco.

Juliano: Para mim é apenas rock, sem frescuras ou definições.

Jonas: Simplicidade. Expressa “sem voltas”,  “sem delongas”. Espontaneidade. O rock preto e branco é catártico e certeiro. Não é “poser”. O rock preto e branco acontece em um show sem a preocupação de agradar, pois ele alivia por si só. É crer em si mesmo, ser livre, dividir o palco e a guitarra com o público. Tocar com amor e entrega. Esse é o rock preto e branco. Essa é a Volar.

“Evoluímos muito musicalmente e também trouxemos muitas experiências das viagens.” – Juliano Ebeling

Próximos shows?

Juliano: Temos um show no dia 20/10 no Show Bar, em Carlos Barbosa (RS), com os Cartolas, uma banda da qual gostamos muito. Depois, no dia 09/11, tocamos com os amigos da Slow Bricker, no Roça in Rio, festival que nós mesmos organizamos com o objetivo de difundir a música autoral da nossa região, coisa bem difícil por aqui.

Página oficialhttp://bandavolar.blogspot.com.br/

Link relacionado:

Entrevista – Primeira entrevista da banda ao blog, ainda como Lila, em 2011.

Written by Talita Lima

03/10/2012 at 7:03 PM