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Guilherme Eddino: “A percepção das pessoas em relação à música é muito livre”

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O músico Guilherme Eddino, que lança hoje seu segundo disco independente, ‘Tremor’, falou ao SOQO sobre sua discografia autoral e como sua percepção sobre o mercado fonográfico contemporâneo alterou sua relação com o download gratuito.

O que você apontaria como principal diferença entre seus dois discos?

Sonoramente falando, o ‘Tremor’ ficou bem mas apurado. Não que eu não goste do meu primeiro disco, mas acho que as músicas em si são melhores do que as gravações finais delas. O ‘Tremor’ soa muito melhor. A gravação, a mixagem, a masterização, foi tudo feito com mais precisão e esmero. E também, acho que esse disco é bem mais maduro que o anterior, tanto nas letras quanto nos arranjos e na coerência do conjunto das músicas. Canções como “Mea Culpa” e “Lá De Onde Eu Vim” estão entre os meus melhores trabalhos até hoje.

Seu primeiro disco, ‘Pulsar’, não foi disponibilizado para download gratuito na época do lançamento, diferente do que ocorre agora com ‘Tremor’. Por que decidiu que era hora de oferecer ao público a opção de não pagar pelo disco?

Porque a gente vive em outros tempos, e eu tive que admitir isso. Hoje em dia a percepção das pessoas em relação à música é muito livre, muito desprendida do conceito do fonograma como produto, como era antes. E também eu li o livro da Amanda Palmer e as ideias dela me esclareceram muito, sobre você disponibilizar seu material gratuitamente e buscar o apoio dos fãs de outras maneiras. Gosto muito da ideia do crowdfunding e de maneiras alternativas de capitalizar com a música. Tenho vontade de me envolver nisso, quando conseguir uma base de fãs maior.

Que diferencial terá aquele que optar pelo download pago?

O diferencial será me ajudar a pagar minhas contas (risos). Na verdade eu decidi dar as duas opções para quem gostar do trabalho a ponto de decidir contribuir pagando alguma coisa por ele. Tenho alguns rascunhos de faixas que não entraram em ‘Tremor’ e penso em distribuí-las no futuro para quem se interessar, mas não penso em manter nada exclusivo.

Comente sobre as próximas datas de shows de divulgação de ‘Tremor’.

Estou com um quarteto de apoio incrível, não vejo a hora de começar os shows. O disco sai no dia 10, e no dia 11 a gente sobe no palco da Praça Victor Civita como parte do Projeto Ponto Pro Rock (entrada grátis). Vai ser a primeira vez que mostramos o novo trabalho, apesar de ser um show mais curto. O primeiro show completo acontece no dia 24 de abril, no Armazém Cultural, em Pinheiros. E também tocamos no dia 13 de maio, no B Music Bar. Estou vendo outras datas pra maio e junho, quem quiser acompanhar é só curtir a minha página no Facebook.

Written by Talita Lima

10/04/2015 at 11:39 AM

Autoral e independente: novo disco de Guilherme Eddino

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Capa do disco Tremor

Guilherme Eddino lançará no próximo dia 10 de abril seu segundo disco autoral e independente ‘Tremor’. O sucessor de seu bem recebido debut ‘Pulsar’ (2012), sobre o qual conversamos em entrevista aqui no SOQO, chega com doses de indie rock, funk e MPB. O disco estará disponível na íntegra para audição e download (gratuito) em seu site oficial, bem como à venda via iTunes a partir da mencionada data.

O jovem compositor de São Paulo, também conhecido por seu trabalho com o Radiohead Cover Brasil, lançou recentemente o clipe de “Febre”, primeiro single retirado de ‘Tremor’ (confira abaixo).

Written by Talita Lima

04/04/2015 at 7:56 PM

Publicado em Independente, MPB, Rock Nacional

De Radiohead a Ney Matogrosso: O músico Guilherme Eddino fala ao Somos O Que Ouvimos

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Foto: Ricardo Bassetti

Quando aos 11 anos de idade Guilherme Eddino, então morador da cidade de Osasco (SP) frequentava as aulas de violão, parecia improvável que o garoto, que detestava as aulas no conservatório musical, cresceria e aos 26 anos lançaria seu primeiro disco solo, com músicas autorais. Pulsar (2012) marca a estreia de Eddino, com parcerias emocionadas e sonoridades variadas. Nesta entrevista ao Somos O Que Ouvimos, o músico multi-instrumentista fala, entre outras coisas, sobre o disco, suas influências, comparação com artistas consagrados e a desvalorização mercadológica da música na era da Internet.

por Talita Lima

Que bandas e músicos mais te inspiraram a se tornar músico e compositor?

Gosto de pensar nos três R da minha vida musical: R.E.M., Rolling Stones e Radiohead. São três bandas que me ensinaram muito sobre como criar uma canção e que expandiram minha mente em relação a tudo que pode ser dito em poucas palavras. Até hoje estão entre minhas bandas favoritas. No Brasil, tem dois artistas que também são tão representativos quanto essas bandas pra mim: Ney Matogrosso e Lenine.

Você consegue definir quais foram as principais referências musicais na produção de Pulsar?

Eu gosto de pensar que esse disco foi realmente uma mistura de todas essas minhas influências. Tanto que acho que isso transparece nas próprias músicas. “O Que Sobrou do Amor” veio de uma época em que eu estava ouvindo muito fado [estilo musical português], e “Agora” surgiu depois de uma temporada de imersão em trip-hop. Pra ajudar, as músicas foram compostas em diferentes fases. O primeiro esboço de “Todavia” foi escrito há uns sete anos, enquanto “Bom Dia” veio pouco tempo antes das gravações começarem. O disco tem ecos de Beatles, de hard rock, de música erudita, de blues, de pós-punk… Procurei não me restringir de maneira nenhuma em prol de uma unidade de estilos, apenas deixei as músicas chegarem onde deviam chegar.

Como tem sido a receptividade a Pulsar

Apesar de o disco não ter ido muito longe até o momento, tenho ouvido praticamente só elogios. Todas as resenhas que li foram excelentes e as pessoas vêm sendo muito generosas. Ainda quero levar esse disco adiante por um bom tempo, então espero que as reações continuem assim!

Comparações com artistas (ou bandas) mais conhecidos te incomodam?

Não. Acho normal ter que encarar rótulos e comparações. Em alguns casos, até fico lisonjeado, como quando falam que minha voz lembra Ney Matogrosso ou Neil Young.

Você é o único letrista? No que as letras se inspiram?

O disco tem duas parcerias. Uma é a própria faixa “Pulsar”, que escrevi com uma amiga da faculdade, Janaína Gonçalves. E em “O Que Sobrou do Amor”, me baseei num texto de outra amiga, Leila dos Santos. Um caso que gosto de citar é “Vão”, a última música. Por mais engraçado que pareça, aquela primeira frase é verídica! Em 2009, fui empurrado enquanto tentava sair de um trem lotado e caí no vão da plataforma logo antes de as portas fecharem. Não me machuquei muito, mas o susto foi grande. Pouco tempo depois, sofri uma tentativa de assalto, o que só piorou aquela sensação de fragilidade que eu já vinha sentindo. Lembro que em um daqueles dias escrevi num papel, sem pensar: “antes de partir daqui, cuidado com o vão”.  Acho que esse processo acaba valendo pra todas as minhas canções, de uma maneira ou de outra. Procuro sempre ouvir meu inconsciente, aquelas frases que surgem na cabeça do nada e que normalmente as pessoas ignoram. Tento anotá-las sempre. Acho que o inconsciente é nossa melhor fonte de energia criativa. No meu caso, me sinto mais confortável usando essa energia do que tentando criar algo de maneira forçada.

Foto: Ricardo Bassetti

Comente sobre as parcerias e os músicos que estiveram com você em Pulsar.

Um dos convidados foi Pedro Jóia, um violonista português que já tocou com Ney Matogrosso. Simplesmente um dos maiores violonistas de fado do mundo, virtuoso, impressionante. Entrei em contato com ele na cara de pau, por uma página do Facebook, quando descobri que na semana seguinte ele estaria em turnê no Brasil. Perguntei se ele gravaria violões em “O Que Sobrou do Amor”. O que me surpreendeu mais foi que ele aceitou! Três dias depois fomos pro estúdio e tive que segurar o choro enquanto ele criava um arranjo ali, na minha frente. Ainda me convidou para ir ao show dele, comprei seu CD e ele autografou: “Ao Guilherme, companheiro de música”. Até hoje me comovo quando ouço a gravação. E claro, Cida Moreira, minha amiga e antiga professora de canto, participou de “Vão”. Cida foi a pessoa que me levou a dar o pontapé inicial no disco. Em novembro de 2010, fui à uma festa na casa dela e comentei que estava pensando em gravar um disco. Na hora ela disse que me dava a maior força. Um mês depois, prometi pra mim mesmo que faria esse projeto acontecer. Foi muito simbólico e emocionante ter a voz dela na faixa final. Ainda contei com alguns grandes amigos que toparam me ajudar nas gravações: Luciano Montesanti nas guitarras, Nivaldo Maciel e Raphael Manfré nos baixos e Waldner Fernandez na bateria. O Luciano fez parte do Guillotin, já o conheço há uns bons anos. É um grande músico, compôs todos os solos do disco.

Comente sobre sua ex-banda, a Guillotin, e o que você levou dela para a fase solo atual?

O Guillotin existiu por quase dois anos. Foi a minha primeira banda séria de música autoral, apesar de até então eu ter apenas material em inglês. Aprendi muito a trabalhar arranjos em grupo para as canções, buscando criar uma espécie de consenso, numa época em que eu ainda era muito arrogante e reservado em relação a minha música. Com o tempo fui mudando de postura, e na época que se seguiu eu passei a tentar ser mais colaborativo como músico. Tanto que agora, com esses novos músicos, assumi uma postura mais aberta, buscando aceitar sugestões, dando espaço para que todos coloquem algo de si, mesmo sendo composições minhas. Acho uma postura saudável a seguir. Talvez este seja o maior legado do Guillotin na minha vida. Sem contar que a banda me trouxe alguns bons amigos.

Você adotou o mesmo princípio do “pague quanto quiser por minha música” do Radiohead, por quê?

Penso que a desvalorização da música como bem material, na forma de fonograma, não tem mais volta desde que a internet virou parte essencial da nossa vida. Então nós artistas temos que nos adequar e entender que não há mais como querer vender discos e ter isso como base de lucro, porque as pessoas não precisam mais do disco. Basta baixar ou ouvir por streaming. Tenho plena consciência de que a simples decisão de lançar um grupo de dez músicas foi, até certo ponto, uma atitude romântica, já que pouquíssimas pessoas ainda se dão o luxo de ouvir um disco integralmente, e as estatísticas já me mostraram isso. Lançar o disco de graça era minha ideia inicial, mas acabei optando pelo método In Rainbows [disco do Radiohead lançado em 2007] mais pela chance de obter algum eventual retorno. Mas de qualquer modo, minha meta com o disco é apenas divulgação, não lucro.

Não é raro que bandas de outras cidades ou estados venham morar em São Paulo para terem mais proximidade com público e casas de shows específicos. Fale um pouco sobre sua perspectiva a respeito da cidade de São Paulo nesse sentido.

Acho que essa idealização de São Paulo como o lugar ideal pras bandas poderem fazer sucesso é um pouco falha, já que, talvez justamente por isso, a cidade parece estar se fechando cada vez mais nesse sentido. As boas casas de show estão cada vez menos numerosas e, por isso, cada vez mais inacessíveis aos artistas de pouco calibre. Os bares estão cada vez menos preocupados com a questão técnica, raramente oferecendo boa estrutura, mas cada vez mais implacáveis com as bandas ao cobrarem mais e mais público. Oportunidades de instituições como o SESC são disputadas a tapa. No final das contas a realidade é um pouco frustrante. Torço para que a cidade evolua mais em sua cultura musical conforme vai virando um conglomerado de bons artistas e bandas de outras regiões. Qualidade não falta, mas falta oportunidade e estrutura.

Comente sobre sua agenda…  Fique à vontade para falar sobre próximos shows e projetos…

No momento só muitos planos e muita preparação. No primeiro semestre, juntei uns amigos músicos e desde então estamos preparando o show de lançamento, que deve acontecer entre outubro e novembro. A base do repertório é o próprio disco, mais algumas releituras e canções que ficaram de fora. Nossa intenção é sair em turnê ao longo do ano que vem. Também estou trabalhando em projetos visuais que envolvem não só o próprio show, mas também alguns vídeos que estão sendo planejados, e uma eventual versão física do disco que pode sair entre o final do ano e o início do ano que vem.

Fora isso, faço parte do Diesel Pop Drink (http://www.facebook.com/dieselpopdrink), uma banda de covers variados, e do Radiohead Cover Brasil (http://www.facebook.com/RadioheadCoverBrasil), que homenageia uma das minhas bandas favoritas. Agora no final do ano também devo participar de um show em homenagem ao R.E.M. com alguns amigos que também são fãs. E além disso tenho planos pra um show solo em homenagem a Neil Young. Sim, pode me chamar de workaholic.

guilhermeeddino.com

Written by Talita Lima

19/09/2012 at 6:01 PM

Lançamento: Pulsar (2012) – Guilherme Eddino

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O disco de estreia de Guilherme Eddino abre bem com “Bom Dia”, pronta pra embalar, no repeat, o café da manhã açucarado de casais apaixonados. E segue com a entusiasmada “Quem Me Dera”.  O tempo fecha e a gaita de Eddino em “Suave” chega pra quebrar o ânimo que veio da melodia anterior. É uma canção bonita mas densa e melancólica, com cara de que teria se encaixado melhor entre as últimas faixas do disco. O entusiasmo volta com a faixa-título, que é certamente um dos destaques, com direito a solo de guitarra e vocal vigoroso.

“Agora” arrisca uma base eletrônica. É uma faixa mais experimental e muito interessante. “Deus Ex Machina”, é caótica e tem letra mordaz, bem longe do clima de “Bom Dia”, a faixa que abriu o disco. “O Que Sobrou Do Amor”, com o violão do português Pedro Jóia, é grandiosa e sensível. “E o que restou de mim além de você?”, pergunta Eddino. É a mais bela (e sofrida) canção de Pulsar. “Todavia” é alegre, com ares de Legião Urbana.

“Senhas” traz peso ao disco, terminando com um enérgico solo de guitarra. “Suave” teria se encaixado melhor nesse momento de Pulsar. Talvez seja esse o único desajuste do disco, que fecha, dignamente, com “Vão” a qual é mais uma prova de que a angústia também pode ser linda, ou ao menos resultar em belas e delicadas canções. Nesta última faixa, Eddino divide os vocais com a cantora Cida Moreira.

Pulsar é evidentemente um disco com várias nuances, mas essencialmente roqueiro. Embalado em teclados pertinentes e letras poéticas, onde Eddino explora vocais ora mais suaves, ora mais agressivos. Concebido com notável inspiração, soa levemente como canções que Ney Matogrosso cantaria e rock brasileiro dos anos 80. (Talita Lima)

Ouça: http://soundcloud.com/guilhermeeddino/sets/pulsar

http://guilhermeeddino.com/

Written by Talita Lima

10/08/2012 at 8:33 AM

Publicado em Independente, MPB, Rock Nacional

SP terá festival para celebrar música latina

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por Talita Lima

Entre os dias 21 e 25 de setembro, o Jockey Club, em São Paulo, será palco para o primeiro Telefônica Sonidos – Festival Mundo Latino. Como o  próprio nome sugere, a ideia do festival é reunir músicos latino-americanos de diferentes estilos, entre jazz, MPB, pop-rock e rap.

No line up, veteranos da música brasileira como Ana Carolina, Maria Rita, Nando Reis, Monobloco, Capital Inicial, o violonista Yamandú Costa e as jovens cantoras Maria Gadú e Ana Cañas, que dividirão o palco com artistas de outras nacionalidades como o grupo de pop-rock espanhol El Canto del Loco, o duo Calle 13, que mistura rap aos ritmos caribenhos, o multi-instrumentista e produtor argentino Pedro Aznar e o pianista cubano Alfredo Rodriguez, nada menos do que a nova aposta do produtor musical Quincy Jones, que trabalhou com Michael Jackson no álbum Thriller (1982).

Mais sobre programação e vendas aqui.

Written by Talita Lima

08/09/2010 at 9:32 PM

Publicado em Eventos, Música Latina, MPB