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Archive for the ‘Rock Nacional’ Category

Bendicta lança vídeo para o single ‘Essência’; assista

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A banda Bendicta lançou o vídeo para o single “Essência”. Dirigido por Stefano Capuzzi Lapietra e gravado nos estúdios da O2 Filmes, em São Paulo, o vídeo foi lançado em parceria com a Vevo.

Bendicta é formada por Angel (voz), Thigas (voz e guitarra), Luiz The Last (guitarra e voz), Clayton Mestre (baixo) e Bill (bateria). A banda paulistana, que surgiu em 2015, está prestes a lançar seu primeiro EP ‘Recomeço’, produzido pelo baixista Fernando Quesada, ex-Shaman e atual Noturnall.

Confira a ficha técnica completa do vídeo:

Direção: Stefano Capuzzi Lapietra
Fotografia: Alex Vecchi
Produção: Fernando Chiari/ André Fernandes
Correção de cor: Daniel Mendes
Edição: Daniel Paiva
Composição: Martim Cobelo
3D: Radamês Araujo

 

http://www.bendicta.com
http://www.facebook.com/BandaBendicta

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Written by Talita Lima

13/11/2016 at 9:12 PM

Publicado em Rock Nacional

Guilherme Eddino: “A percepção das pessoas em relação à música é muito livre”

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O músico Guilherme Eddino, que lança hoje seu segundo disco independente, ‘Tremor’, falou ao SOQO sobre sua discografia autoral e como sua percepção sobre o mercado fonográfico contemporâneo alterou sua relação com o download gratuito.

O que você apontaria como principal diferença entre seus dois discos?

Sonoramente falando, o ‘Tremor’ ficou bem mas apurado. Não que eu não goste do meu primeiro disco, mas acho que as músicas em si são melhores do que as gravações finais delas. O ‘Tremor’ soa muito melhor. A gravação, a mixagem, a masterização, foi tudo feito com mais precisão e esmero. E também, acho que esse disco é bem mais maduro que o anterior, tanto nas letras quanto nos arranjos e na coerência do conjunto das músicas. Canções como “Mea Culpa” e “Lá De Onde Eu Vim” estão entre os meus melhores trabalhos até hoje.

Seu primeiro disco, ‘Pulsar’, não foi disponibilizado para download gratuito na época do lançamento, diferente do que ocorre agora com ‘Tremor’. Por que decidiu que era hora de oferecer ao público a opção de não pagar pelo disco?

Porque a gente vive em outros tempos, e eu tive que admitir isso. Hoje em dia a percepção das pessoas em relação à música é muito livre, muito desprendida do conceito do fonograma como produto, como era antes. E também eu li o livro da Amanda Palmer e as ideias dela me esclareceram muito, sobre você disponibilizar seu material gratuitamente e buscar o apoio dos fãs de outras maneiras. Gosto muito da ideia do crowdfunding e de maneiras alternativas de capitalizar com a música. Tenho vontade de me envolver nisso, quando conseguir uma base de fãs maior.

Que diferencial terá aquele que optar pelo download pago?

O diferencial será me ajudar a pagar minhas contas (risos). Na verdade eu decidi dar as duas opções para quem gostar do trabalho a ponto de decidir contribuir pagando alguma coisa por ele. Tenho alguns rascunhos de faixas que não entraram em ‘Tremor’ e penso em distribuí-las no futuro para quem se interessar, mas não penso em manter nada exclusivo.

Comente sobre as próximas datas de shows de divulgação de ‘Tremor’.

Estou com um quarteto de apoio incrível, não vejo a hora de começar os shows. O disco sai no dia 10, e no dia 11 a gente sobe no palco da Praça Victor Civita como parte do Projeto Ponto Pro Rock (entrada grátis). Vai ser a primeira vez que mostramos o novo trabalho, apesar de ser um show mais curto. O primeiro show completo acontece no dia 24 de abril, no Armazém Cultural, em Pinheiros. E também tocamos no dia 13 de maio, no B Music Bar. Estou vendo outras datas pra maio e junho, quem quiser acompanhar é só curtir a minha página no Facebook.

Written by Talita Lima

10/04/2015 at 11:39 AM

Nashville Sessions: o rock instrumental e pesado de O Grande Ogro

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O trio instrumental O Grande Ogro apresenta seu novo EP ‘Nashville Sessions’ composto pelas faixas “Chocalho de Vaca”, “Eu Treinei” e “Fujam Para As Colinas”. Gravado ao vivo no estúdio Nashville, em São Paulo, em parceria com o projeto Tendal Independente, em novembro de 2014, o registro inicialmente disponível para streaming e download já tem versão física em CD.

A banda com forte participação no cenário underground é formada pelos amigos André Astro (guitarra), César Carlos (bateria) e Genésio Alves (baixo). “A exploração dos instrumentos é mais importante do que a exposição dos músicos”, afirmam em seu site oficial, sobre a opção por música instrumental.

Ouça ‘Nashville Sessions’ aqui.

Written by Talita Lima

04/04/2015 at 11:01 PM

Publicado em Independente, Rock Nacional

Autoral e independente: novo disco de Guilherme Eddino

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Capa do disco Tremor

Guilherme Eddino lançará no próximo dia 10 de abril seu segundo disco autoral e independente ‘Tremor’. O sucessor de seu bem recebido debut ‘Pulsar’ (2012), sobre o qual conversamos em entrevista aqui no SOQO, chega com doses de indie rock, funk e MPB. O disco estará disponível na íntegra para audição e download (gratuito) em seu site oficial, bem como à venda via iTunes a partir da mencionada data.

O jovem compositor de São Paulo, também conhecido por seu trabalho com o Radiohead Cover Brasil, lançou recentemente o clipe de “Febre”, primeiro single retirado de ‘Tremor’ (confira abaixo).

Written by Talita Lima

04/04/2015 at 7:56 PM

Publicado em Independente, MPB, Rock Nacional

Volar: “Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si”

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Volar/RS   Foto: Divulgação

Volar/RS   Foto: Divulgação

Da pequena Barão, na Serra Gaúcha, vem a Volar. Somos O Que Ouvimos tem acompanhado, ainda que fisicamente distante, a trajetória desta corajosa banda. Como tantas outras, Volar persiste, como pode, na concretização dos mais ordinários ideais que permeiam toda banda autoral independente. A banda falou ao Somos O Que Ouvimos sobre cena, projetos, desalentos e esperanças.

Após o recesso, como a banda está nesse momento? 

Juliano Ebeling: Creio que estamos vendo as coisas de uma forma diferente, com mais profissionalismo e levando mais a sério. Queremos shows maiores, chamar atenção da mídia de forma mais eficaz e por isso apostamos muito nesse novo single.

Como avaliam a recepção ao single “Alquimia”?

Juliano: Na verdade nós não chegamos a divulgá-lo de forma adequada. Voltamos a ensaiar, gravamos, lançamos e logo em seguida paramos de ensaiar de novo. Foi um curto espaço de tempo. Na minha opinião não agregou muito à nossa trajetória. Talvez mais pela má divulgação. Mas o público aceitou bem, inclusive nos shows.

Wagner Muller: Particularmente, achei o single muito bem recebido. Achei que haveriam algumas ressalvas, visto que tínhamos acabado de voltar de um tempo ocioso dentro da banda, mas dentro do que eu ouvi sobre, os comentários foram bem animadores.

No início deste ano a banda anunciou em seu blog que começaria a trabalhar em material inédito. Como está a produção desse material atualmente?

Juliano: Entramos em estúdio agora no início de julho. Vamos gravar um single (“Medo”) e lançar no mesmo mês. Esse material vai ser gravado em Porto Alegre, no Hill Valley Studios, com a produção do Davi Pacote, cara que produziu também nosso primeiro single “Procurando” . Depois vamos seguir na estrada, quem sabe gravar um clipe pra esse som. Coisa que não fizemos com os outros sons.

Conversamos em duas ocasiões: em 2011, quando a banda ainda se chamava Lila, e depois em 2012. Hoje, como estão enxergando a cena underground gaúcha?

Juliano: Talvez eu seja o integrante da banda mais envolvido com isso, por conta de ser quem marca os shows e afins. E na minha opinião vivemos um tempo difícil. Ao mesmo tempo que surgem coletivos e pessoas que realmente se importam com a música e que criam espaços para que as bandas exponham seu trabalho, ainda há muito bar fuleiro e bandas que se submetem a tocar junto com mais dez bandas numa noite sem ganhar um pila. Não acredito numa ‘Cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer. Assim nós viajamos o Brasil na última tour e assim que vamos chegar ainda mais longe na próxima.

Wagner: Acho que a cena gaúcha em si é uma cena muito rica. Não digo somente no underground, mas até nas bandas mais mainstream. Acho que o Rio Grande do Sul tem uma espécie de clamor à cultura em geral de uma forma bastante interessante, talvez até por ser um estado bastante tradicionalista.

 

Não acredito numa ‘cena’, na verdade é cada um por si. A gente segue nosso caminho e vai encontrando amigos e juntando essas experiências pra seguir em frente. Não acredito em projetos culturais também. Até hoje não conseguimos nada com eles. Eu corro atrás, eu faço acontecer.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução”. Isto foi dito pelo Jonas, na nossa entrevista de 2012. Naquela época ele dizia que tinha a sensação de que se vivia um tempo de transição, o qual pendia para a abertura de espaços para bandas com música autoral. De acordo com o blog da banda, vocês tiveram duas passagens por rádios locais. As oportunidades estão crescendo?

Juliano: Não. Ainda vivemos os mesmos tempos difíceis. Com poucos locais pra divulgar o trabalho e ainda dentre esses poucos, os maiores são monopolizados. Essa é uma opinião minha. Pois eu enfrento muita dificuldade para fazer com que nosso trabalho chegue até as pessoas. Talvez a gente tenha encontrado atalhos pra chegar aos melhores resultados. Mas certamente não está mais fácil do que antes.

Wagner: Me parece que essa coisa da cultura saudosista está mudando um pouco. Há algum tempo, quando era anunciado um show cover de alguma banda consagrada, dava pra ver que esses lugares movimentavam bastante gente. Hoje esses bares já não apresentam um público tão grande pra esses eventos. Acho que, com a diminuição disso, é natural que a médio prazo as oportunidades tendam a crescer para bandas autorais em geral.

Comente sobre próximos shows e atividades da banda.

Juliano: Pretendemos lançar o single “Medo” em julho e aí vamos rodar por aí. Divulgar esse som novo, fazer shows e continuar a produção dos outros sons do EP. Que pretendemos lançar ano que vem. Por hora creio que trabalharemos mais intensamente na divulgação do single, começarei agora a procurar por shows. Em agosto tocamos em um Festival em Sapiranga/RS. E é só. Por enquanto.

https://www.facebook.com/curtavolar

Written by Talita Lima

26/06/2014 at 12:51 AM

Blear: “Lugares pra tocar estão escassos em São Paulo”

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Anderson Lima (baixo), Erick Alves (vocal e guitarra), Rodrigo Lima (guitarra) e Kajiro (bateria) formam a banda Blear. Seu primeiro single, Melting Sun (2013), é a impecável combinação de elementos do shoegaze e do grunge que atinge em cheio os ouvidos e corações dos que estimam os berros e as doces melodias alternadas. Confira a entrevista com a banda que atualmente se prepara para lançar seu primeiro disco.

 

Qual é a experiência anterior de vocês com a música? Tocaram em outras bandas ou a Blear é a primeira de todos?

Como tocamos há alguns anos já passamos por algumas bandas sim, inclusive o Kajiro (baterista) toca na Hollowood.

Como surgiu a Blear?

Blear surgiu em 2011 com o Erick e o Rodrigo compondo algumas músicas. O Anderson e o Ricardo Azedo (primeiro baterista) entraram em 2012 pra completar a banda, então começaram os ensaios e novas músicas foram surgindo até a gravação do nosso primeiro single ‘Melting Sun’, em outubro de 2013.

Quais bandas exerceram as mais relevantes influências na sonoridade da Blear?

Sonic Youth, Swervedriver, Nirvana, Smashing Pumpkins, Dinosaur Jr., Helmet, Therapy e muitas outras bandas dos anos 80 e 90.

Como foi o processo de produção do primeiro single, ‘Melting Sun’?

Como gostamos muito de tocar nós compomos muitas músicas desde o primeiro ensaio. Escolhemos as duas que mais representavam nossa sonoridade até então.

Sobre o que tratam suas músicas?

Cada música fala sobre um certo momento de nossas vidas, coisas como levantar cedo e ir trabalhar, preguiça, ficar de saco cheio, desafetos, brigas…

Como está indo a produção do próximo material? Será um disco cheio e digital?

Estamos em processo de gravação, fazendo tudo com muita calma para alcançarmos a sonoridade que desejamos. Será um disco cheio, provavelmente com 9 músicas, e ainda não decidimos em qual formato será lançado.

Tem previsão de lançamento?

Queremos lançar ainda esse ano, estamos nos esforçando pra isso.

Continuam compondo letras em inglês? E por que essa escolha?

Sim, porque a maioria das bandas que escutamos cantam em inglês e isso nos influencia muito. Além da métrica em inglês casar melhor nesse tipo de música.

Em ‘Melting Sun’ a sonoridade ‘grungegaze’ fica bem evidente. O próximo lançamento seguirá a mesma proposta?

Surpresa!

Como avaliam o recente cenário musical underground em SP?

Sobre bandas, achamos que está rolando uma cena bem legal. Temos o Twinpine(s), Mudhill, Vapor, Poltergat, Chalk Outlines entre muitas outras que representam muito bem o rock alternativo e não ficam devendo nada pra nenhuma banda que está em evidência por ai. Temos um pequeno público que tem acompanhando essa galera toda e tem curtido muito a energia que rola nos shows. Lugares pra tocar estão bem escassos aqui em São Paulo. Estamos tocando em lugares mais inusitados como praças e bares em locais mais distantes do circuito central que estávamos acostumados há um tempo.

http://blear.bandcamp.com/

Written by Talita Lima

07/06/2014 at 9:26 PM

Entrevista: As bandas 3éD+ e zeemer apresentam suas sonoridades e ideias

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As bandas 3éD+ (São Paulo)  e zeemer (Santo André) se apresentam no próximo domingo, 21 de abril, no Gambalaia Espaço de Artes e Convivência em Santo André (a noite também contará com show da banda Intrínseco). Somos O Que Ouvimos conversou com integrantes das duas bandas. As duas entrevistas você lê na sequência:

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

“Hey, menininho bonitinho, aumenta essa guitarra!”. Quem solta o verbo é o inquieto vocalista e guitarrista do duo paulistano 3éD+, Dom Orione. Sincero e provocador, ele conta um pouco da trajetória da dupla underground formada em 2005 com Leandro Lima, fundamentada em bateria e guitarra fugazes, além do vocal (por vezes) esganiçado do próprio, e faz uma avaliação do cenário independente paulistano.

por Talita Lima

Qual a expectativa para o show de domingo em Santo André?

Tocar sempre é bom. Ficamos contentes em saber que o zeemer aceitou dividir o palco conosco e ainda convidou outra banda, a Intrínseco. Isso graças ao Mateus (vocalista de banda Krias de Kafka) que fez a ponte pra gente.

Como você definiria a sonoridade do 3éD+ para quem não os conhece, se é que existe essa preocupação?

Simples e direto. Dois caras fazendo rock do jeito que sabem, sem se preocupar com rótulos ou estética.

Será a primeira vez que o 3éD+ tocará fora de São Paulo?

Este ano sim. Já tocamos em muitos lugares, e os mais inusitados que você possa imaginar. O pessoal do ABC sempre nos recebeu muito bem. Temos os amigos do Krias de Kafka por lá, os meninos da banda Espasmos do Braço Mecânico. E os caras têm os nomes de bandas mais originais que já ouvi, nomes como Sentimento Carpete, Special Cigarettes, que já tocaram conosco. Acho fantástico!

Quando vocês conceberam a ideia da banda, houve alguma inspiração no formato de duplas como The White Stripes, ou mesmo Yeah Yeah Yeahs que, apesar de ser trio, também não tem baixo na formação?

Não, até eu acho estranho pensar nisso, mas a ideia da banda, desde o formato até as temáticas das músicas, na verdade veio do Leandro (baterista). Ele me chamou pra tocar, deu o nome pra banda. Nossas influências ainda são uma salada, a gente ouve de quase tudo, só conheci os White Stripes e Yeah Yeah Yeahs depois de tocar com o 3éD+. Em 2005 a Internet ainda era discada, então não era fácil baixar músicas como é hoje em dia, e o que tínhamos como referência de site para baixar músicas era o site da Trama, as pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. É engraçado, já fomos comparados com muitas bandas dos estilos mais variados possíveis.

O duo passou por uma pausa, certo? Como decidiram que era hora de recomeçar?

Certo, ficamos quase um ano sem tocar e quase não nos víamos. Houve uma ruptura de uns oito meses mais ou menos, eu parti para outro projeto e o Leleco foi respirar outros ares. Ele montou uma banda chamada Celene e eu o SuperDuo. Mas a amizade falou mais forte, então durante um show do Jair Naves o Leandro perguntou se eu não estava a fim de voltar a fazer barulho com ele. Lógico que eu aceitei de primeira, isso foi no começo do ano passado, em duas semanas já tínhamos 10 músicas, mas só consideramos 5 para apresentar ao pessoal. Elas estão disponíveis na nossa página, nós somos meio preguiçosos… A pausa foi boa para revermos todo o processo que passamos nos últimos 7 anos, muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins.

Eu tenho o privilégio de ter uma cópia de um enérgico CD demo do 3éD+. Naquela época (2004, se não me engano), os meios para “subir” e compartilhar música própria e independente na Internet ainda não eram tão populares como atualmente, não existam plataformas gratuitas como o SoundCloud, por exemplo. Como foi essa mudança para vocês?

Poxa, que legal, eu não tenho material nenhum dessa época. Eu lembro que quando gravamos o cd, que na verdade não passava de um ensaio ao vivo, nós cogitávamos conquistar o mundo! Tínhamos apenas 5 meses de banda e tudo foi feito muito rápido, em 2 horas já estava pronto, simples assim. Tínhamos uma urgência muito grande, o cenário independente estava cheio de moleques e molecas tocando guitarra e fazendo barulho. A mudança ocorreu no bolso. Ficou muito mais fácil pra dois caras que sempre foram duros [risos]. Antes tinha que comprar um monte de mídia, ou mesmo K7, tirar xerox… aí você ia até os bares entregar. Agora é bem mais fácil, mas confesso que sinto falta desse contato com as pessoas, ainda tenho muitos CD-Rs desse tempo.

3éD+ Foto: Felipe Mandl

Leandro Lima e Dom Orione, o 3éD+  Foto: Felipe Mandl

As pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. (Orione)

E vocês continuaram apostando no formato físico, em tempos em que até artistas nacionais famosos lançam música em formato digital. Por quê?

Sim, hoje em dia o CD serve como cartão de visitas, mas precisa ser bem gravado. Como disse, antes era tudo muito precário, só os pessoal que tinha “paitrocínio” lançava CDs bem feitos ou o pessoal mais abastado da cena. Nós xerocávamos as capas, as músicas eram gravadas com uma qualidade muito baixa – nosso disco mesmo -, mas tinha um certo charme nisso. Eu lembro de ver amigos produzindo CD em casa mesmo, eu ainda curto isso, e provavelmente é o que vamos continuar fazendo, até termos grana para fazer algo mais “profissional” ou até alguém querer bancar isso pra gente. Mas não tenho dúvidas que os sites especializados em música virtual hoje são responsáveis por 99% da divulgação do trabalho.

A moda agora é se arrumar para o DJ. (Orione)

Você já pode ser considerado um veterano no cenário underground paulistano. Qual avaliação faz da sua atuação e do cenário em geral? 

[Risos] Senti-me velho. Bem, com o 3éD+ estamos na ativa há 8 anos. No começo tentamos nos infiltrar onde as bandas mais populares – por assim dizer -, tocavam. Mas creio que nunca fomos recebidos com bons olhos e acho que ainda não somos. Ainda encontro dificuldades para marcar shows, divulgar a banda. Como costumamos dizer, a gente ainda fica à margem da cena. Hoje o que fazemos são parcerias com bandas e pessoas. Achamos válida a troca de informação por dois motivos básicos: o primeiro inclui o respeito à música e, segundo, não é a falsidade que era há um tempo. Hoje somos mais tranquilos, estamos mais maduros, participamos de alguns festivais, o último foi o Esquema Noise Underground, idealizado pelo Kleber do Estúdio Primeiro Andar, junto com a Cia Humbalada de Teatro. Participamos de todo o processo do evento, desde as escolhas das bandas, atrações e intervenções, até a devolução dos equipamentos do Kleber. Foi bem legal. Nesse evento tocamos com as bandas All Acaso, Radioviernes e Ordinária Hit. Posso dizer que somos vitoriosos, porque ainda não desistimos do nosso propósito que é tocar. Com toda a dificuldade que ainda encontramos, estamos aí. As casas mudaram muito, a moda agora é ser DJ, o pessoal mais novo não curte tanto shows ao vivo e muitas bandas novas estão bunda-mole demais, fazendo som pra agradar a mãe. Como diz o Damazio, um cara que sou fã: “se sua mãe gosta das suas músicas, vai tocar outra coisa. Rock não é pra ser bonitinho”.  A moda agora é se arrumar para o DJ.

Comente sobre os planos futuros…

Tocar e tocar e continuar tocando. A música vem em primeiro lugar para nós. É nosso meio maior de expressão, se não fosse pela música, pela banda, acho que eu não seria metade da pessoa que sou hoje, não conheceria nem um terço das pessoas que conheço. Acho que conseguimos um pouco de respeito por insistirmos. Estamos trabalhando em um material novo, já tem músicas sendo trabalhadas. Temos tido a companhia do Targino (Monorock) no palco, nos ajudando com um sintetizador. Em breve músicas novas para download, uns vídeos… essas coisas… a Internet é uma grande ferramenta, acho que é isso.

[Posso agradecer algumas pessoas?]

Primeiramente, quero agradecer algumas pessoas e bandas que nos boicotaram, falaram mal de nós, tentaram  – e em alguns casos conseguiram – nos queimar. Como somos quase desconhecidos, não fez muita diferença, mas valeu porque ficamos mais ao menos “falados”. Quero agradecer as bandas, artistas, donos de bares e de estúdios que viraram parceiros, principalmente fora do palco, os amigos que vêm nos acompanhando… Não temos um público de mil pessoas, no máximo uns 15 amigos que estão conosco sempre que podem e que no fim fazem toda a diferença. Obrigado pelo espaço, para nós é uma honra poder contar um pouco mais sobre o 3éD+.

https://soundcloud.com/3edmais

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

zeemer. Sim, é isso mesmo, faz lembrar o nome de uma banda de nerds norte-americanos muito famosa. Mas as influências da zeemer vão muito além. Com a voz de Vanessa Stibich (Nes)Gabriel Arrais (Gabes) na guitarra, Willians Caires (Urso) na bateria e Jorge Leandro (Goró) no baixo, zeemer começou 2013 com novo fôlego, dando sequência na contribuição com o fecundo cenário underground de Santo André. Somos O Que Ouvimos falou com Gabes e Urso a respeito do recomeço da banda, a escolha da nova vocalista e mais.

por Talita Lima

Da onde veio a inspiração para formar a zeemer? 

Urso: Tudo começou há sete anos, quando eu e o Gabes nos conhecemos na faculdade, tendo em comum o gosto pela música. Logo nos tornamos bons amigos e decidimos montar uma banda com a participação de outro amigo da faculdade que cantava e tinha algumas composições. Meu amigo de infância, Daniel Penha, também foi convidado para tocar baixo. Logo no primeiro ensaio, Gabes apresentou algumas composições dele que eram bem diferentes do que tínhamos em mente, o que irritou o vocalista, que não havia gostado do estilo, mas agradou ao resto do grupo. Pronto, ali nascia um power trio, a banda zeemer: Urso na bateria, Gabes na guitarra e Daniel Penha no baixo. Vale ressaltar que a banda já passou por muitas coisas: mudanças de integrantes, quando o Daniel saiu e o Goró entrou assumindo o baixo, além de uma grande pausa entre 2007 e 2012.

Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez. (Gabes)

Quais são as bandas mais influentes na sonoridade produzida pela banda?

Gabes: Smashing Pumpkins e Weezer são as mais evidentes quando se escuta o zeemer, mas outras bandas como The Presidents of the United States of America, Stone Temple Pilots, Nirvana, Sleater Kinney e White Stripes também foram bastante influentes. Bebemos muito da fonte dos anos 90. Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez [risos]. Também nos inspiramos no cinema e histórias em quadrinhos.

Por que escolheram compor e cantar em inglês?

Gabes: Temos algumas músicas em português, mas nunca tivemos coragem de executá-las ao vivo. Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso. Foi uma decisão difícil optar por só tocar as músicas em inglês, pensamos muito nas bandas que tentaram misturar e acabaram perdendo a identidade no meio do processo. O Forgotten Boys (que é uma banda que nós adoramos) nasceu para ser em inglês, cantando em português parece que fazem covers deles mesmos.

Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso(Gabes)

Como foi o processo de escolha de uma nova vocalista e por quê a escolhida foi a Nes?

Urso: Foi como acertar na loteria. Após retomarmos as atividades com a banda em 2012, não conseguíamos encontrar um(a) vocalista que encarasse com seriedade o nosso trabalho. Queríamos alguém que fizesse parte e que dividisse as responsabilidades da banda, chegamos até a pensar em deixar o Gabes cantando e retomar um power trio, mas foi quando, por acaso, Nes, uma antiga conhecida, postou no Facebook um vídeo onde ela interpretava com maestria a canção “Black” do Pearl Jam. Fizemos um convite para ela vir a um ensaio cantar alguma coisa, ouvir nossas músicas, ver se rolava… e rolou logo de cara. Ela assumiu uma postura profissional, aprendeu as músicas, correu atrás e, no bom português, vestiu a camisa do zeemer.

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich.

Vocês irão se apresentar pela terceira vez no Gambalaia, um espaço dedicado às artes em geral. De alguma forma isto mostra que estão faltando lugares focados em música (especialmente a independente) em Santo André? 

Urso: Não, pelo contrário. Achamos que não só em Santo André, como no ABC em geral, a música independente tem bastante força. Existem várias casas que recebem bem o rock alternativo, o problema é que existe, por parte de alguns artistas, uma certa resistência em apoiar novos músicos, novas bandas. Enfim, podemos até dizer que existem algumas panelinhas e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade.

Comente a relação da banda com a Internet e as redes sociais… Vi que vocês são bem ativos no Facebook, por exemplo. 

Urso: Hoje em dia é imprescindível uma boa interação através das redes sociais, pelo seu poder de alcance incrível. Podemos dizer que fazemos tudo pela Internet:  marcamos ensaio, fazemos reuniões, acertamos shows,  convidamos as pessoas para as apresentações, etc.

Comente os planos e projetos futuros, como gravação de disco, vídeo e/ou agenda de shows…

Gabes: Estamos finalizando nosso primeiro EP com quatro músicas. Ele está  previsto para ser lançado na primeira semana de junho. No segundo semestre, gravaremos mais algumas músicas. Estamos gravando com o guitarrista, produtor e amigo Thiago Orsioli, no estúdio Ilumi Narts. Tem sido bem divertido, todas as vezes que fomos lá saímos embriagados e com as maçãs do rosto doendo de tanto rir. Nada pode dar errado quando se está entre amigos.

Podemos até dizer que existem algumas panelinhas, e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade. (Urso)

Urso: Também estamos planejando um videoclipe para a música “Running Without You/Sex Without You”. Quanto aos shows, pretendemos tocar em todos os  lugares que aparecerem, porque é disso que nós gostamos. Quem quiser acompanhar nossa agenda, é só curtir nossa página no Facebook.

facebook.com/zeemeroficial

Written by Talita Lima

19/04/2013 at 10:34 PM