SOMOS O QUE OUVIMOS

Underground & Indie

Entrevista: As bandas 3éD+ e zeemer apresentam suas sonoridades e ideias

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As bandas 3éD+ (São Paulo)  e zeemer (Santo André) se apresentam no próximo domingo, 21 de abril, no Gambalaia Espaço de Artes e Convivência em Santo André (a noite também contará com show da banda Intrínseco). Somos O Que Ouvimos conversou com integrantes das duas bandas. As duas entrevistas você lê na sequência:

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

Dom Orione (3éD+) Foto: Leandro Negro

“Hey, menininho bonitinho, aumenta essa guitarra!”. Quem solta o verbo é o inquieto vocalista e guitarrista do duo paulistano 3éD+, Dom Orione. Sincero e provocador, ele conta um pouco da trajetória da dupla underground formada em 2005 com Leandro Lima, fundamentada em bateria e guitarra fugazes, além do vocal (por vezes) esganiçado do próprio, e faz uma avaliação do cenário independente paulistano.

por Talita Lima

Qual a expectativa para o show de domingo em Santo André?

Tocar sempre é bom. Ficamos contentes em saber que o zeemer aceitou dividir o palco conosco e ainda convidou outra banda, a Intrínseco. Isso graças ao Mateus (vocalista de banda Krias de Kafka) que fez a ponte pra gente.

Como você definiria a sonoridade do 3éD+ para quem não os conhece, se é que existe essa preocupação?

Simples e direto. Dois caras fazendo rock do jeito que sabem, sem se preocupar com rótulos ou estética.

Será a primeira vez que o 3éD+ tocará fora de São Paulo?

Este ano sim. Já tocamos em muitos lugares, e os mais inusitados que você possa imaginar. O pessoal do ABC sempre nos recebeu muito bem. Temos os amigos do Krias de Kafka por lá, os meninos da banda Espasmos do Braço Mecânico. E os caras têm os nomes de bandas mais originais que já ouvi, nomes como Sentimento Carpete, Special Cigarettes, que já tocaram conosco. Acho fantástico!

Quando vocês conceberam a ideia da banda, houve alguma inspiração no formato de duplas como The White Stripes, ou mesmo Yeah Yeah Yeahs que, apesar de ser trio, também não tem baixo na formação?

Não, até eu acho estranho pensar nisso, mas a ideia da banda, desde o formato até as temáticas das músicas, na verdade veio do Leandro (baterista). Ele me chamou pra tocar, deu o nome pra banda. Nossas influências ainda são uma salada, a gente ouve de quase tudo, só conheci os White Stripes e Yeah Yeah Yeahs depois de tocar com o 3éD+. Em 2005 a Internet ainda era discada, então não era fácil baixar músicas como é hoje em dia, e o que tínhamos como referência de site para baixar músicas era o site da Trama, as pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. É engraçado, já fomos comparados com muitas bandas dos estilos mais variados possíveis.

O duo passou por uma pausa, certo? Como decidiram que era hora de recomeçar?

Certo, ficamos quase um ano sem tocar e quase não nos víamos. Houve uma ruptura de uns oito meses mais ou menos, eu parti para outro projeto e o Leleco foi respirar outros ares. Ele montou uma banda chamada Celene e eu o SuperDuo. Mas a amizade falou mais forte, então durante um show do Jair Naves o Leandro perguntou se eu não estava a fim de voltar a fazer barulho com ele. Lógico que eu aceitei de primeira, isso foi no começo do ano passado, em duas semanas já tínhamos 10 músicas, mas só consideramos 5 para apresentar ao pessoal. Elas estão disponíveis na nossa página, nós somos meio preguiçosos… A pausa foi boa para revermos todo o processo que passamos nos últimos 7 anos, muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins.

Eu tenho o privilégio de ter uma cópia de um enérgico CD demo do 3éD+. Naquela época (2004, se não me engano), os meios para “subir” e compartilhar música própria e independente na Internet ainda não eram tão populares como atualmente, não existam plataformas gratuitas como o SoundCloud, por exemplo. Como foi essa mudança para vocês?

Poxa, que legal, eu não tenho material nenhum dessa época. Eu lembro que quando gravamos o cd, que na verdade não passava de um ensaio ao vivo, nós cogitávamos conquistar o mundo! Tínhamos apenas 5 meses de banda e tudo foi feito muito rápido, em 2 horas já estava pronto, simples assim. Tínhamos uma urgência muito grande, o cenário independente estava cheio de moleques e molecas tocando guitarra e fazendo barulho. A mudança ocorreu no bolso. Ficou muito mais fácil pra dois caras que sempre foram duros [risos]. Antes tinha que comprar um monte de mídia, ou mesmo K7, tirar xerox… aí você ia até os bares entregar. Agora é bem mais fácil, mas confesso que sinto falta desse contato com as pessoas, ainda tenho muitos CD-Rs desse tempo.

3éD+ Foto: Felipe Mandl

Leandro Lima e Dom Orione, o 3éD+  Foto: Felipe Mandl

As pessoas nos veem no palco, tentam nos associar, pensam que somos cover do White Stripes e aí ouvem o som e ficam sem saber como nos  definir direito. (Orione)

E vocês continuaram apostando no formato físico, em tempos em que até artistas nacionais famosos lançam música em formato digital. Por quê?

Sim, hoje em dia o CD serve como cartão de visitas, mas precisa ser bem gravado. Como disse, antes era tudo muito precário, só os pessoal que tinha “paitrocínio” lançava CDs bem feitos ou o pessoal mais abastado da cena. Nós xerocávamos as capas, as músicas eram gravadas com uma qualidade muito baixa – nosso disco mesmo -, mas tinha um certo charme nisso. Eu lembro de ver amigos produzindo CD em casa mesmo, eu ainda curto isso, e provavelmente é o que vamos continuar fazendo, até termos grana para fazer algo mais “profissional” ou até alguém querer bancar isso pra gente. Mas não tenho dúvidas que os sites especializados em música virtual hoje são responsáveis por 99% da divulgação do trabalho.

A moda agora é se arrumar para o DJ. (Orione)

Você já pode ser considerado um veterano no cenário underground paulistano. Qual avaliação faz da sua atuação e do cenário em geral? 

[Risos] Senti-me velho. Bem, com o 3éD+ estamos na ativa há 8 anos. No começo tentamos nos infiltrar onde as bandas mais populares – por assim dizer -, tocavam. Mas creio que nunca fomos recebidos com bons olhos e acho que ainda não somos. Ainda encontro dificuldades para marcar shows, divulgar a banda. Como costumamos dizer, a gente ainda fica à margem da cena. Hoje o que fazemos são parcerias com bandas e pessoas. Achamos válida a troca de informação por dois motivos básicos: o primeiro inclui o respeito à música e, segundo, não é a falsidade que era há um tempo. Hoje somos mais tranquilos, estamos mais maduros, participamos de alguns festivais, o último foi o Esquema Noise Underground, idealizado pelo Kleber do Estúdio Primeiro Andar, junto com a Cia Humbalada de Teatro. Participamos de todo o processo do evento, desde as escolhas das bandas, atrações e intervenções, até a devolução dos equipamentos do Kleber. Foi bem legal. Nesse evento tocamos com as bandas All Acaso, Radioviernes e Ordinária Hit. Posso dizer que somos vitoriosos, porque ainda não desistimos do nosso propósito que é tocar. Com toda a dificuldade que ainda encontramos, estamos aí. As casas mudaram muito, a moda agora é ser DJ, o pessoal mais novo não curte tanto shows ao vivo e muitas bandas novas estão bunda-mole demais, fazendo som pra agradar a mãe. Como diz o Damazio, um cara que sou fã: “se sua mãe gosta das suas músicas, vai tocar outra coisa. Rock não é pra ser bonitinho”.  A moda agora é se arrumar para o DJ.

Comente sobre os planos futuros…

Tocar e tocar e continuar tocando. A música vem em primeiro lugar para nós. É nosso meio maior de expressão, se não fosse pela música, pela banda, acho que eu não seria metade da pessoa que sou hoje, não conheceria nem um terço das pessoas que conheço. Acho que conseguimos um pouco de respeito por insistirmos. Estamos trabalhando em um material novo, já tem músicas sendo trabalhadas. Temos tido a companhia do Targino (Monorock) no palco, nos ajudando com um sintetizador. Em breve músicas novas para download, uns vídeos… essas coisas… a Internet é uma grande ferramenta, acho que é isso.

[Posso agradecer algumas pessoas?]

Primeiramente, quero agradecer algumas pessoas e bandas que nos boicotaram, falaram mal de nós, tentaram  – e em alguns casos conseguiram – nos queimar. Como somos quase desconhecidos, não fez muita diferença, mas valeu porque ficamos mais ao menos “falados”. Quero agradecer as bandas, artistas, donos de bares e de estúdios que viraram parceiros, principalmente fora do palco, os amigos que vêm nos acompanhando… Não temos um público de mil pessoas, no máximo uns 15 amigos que estão conosco sempre que podem e que no fim fazem toda a diferença. Obrigado pelo espaço, para nós é uma honra poder contar um pouco mais sobre o 3éD+.

https://soundcloud.com/3edmais

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

Gabes Arrais (zeemer) Foto: Danilo Tanaka

zeemer. Sim, é isso mesmo, faz lembrar o nome de uma banda de nerds norte-americanos muito famosa. Mas as influências da zeemer vão muito além. Com a voz de Vanessa Stibich (Nes)Gabriel Arrais (Gabes) na guitarra, Willians Caires (Urso) na bateria e Jorge Leandro (Goró) no baixo, zeemer começou 2013 com novo fôlego, dando sequência na contribuição com o fecundo cenário underground de Santo André. Somos O Que Ouvimos falou com Gabes e Urso a respeito do recomeço da banda, a escolha da nova vocalista e mais.

por Talita Lima

Da onde veio a inspiração para formar a zeemer? 

Urso: Tudo começou há sete anos, quando eu e o Gabes nos conhecemos na faculdade, tendo em comum o gosto pela música. Logo nos tornamos bons amigos e decidimos montar uma banda com a participação de outro amigo da faculdade que cantava e tinha algumas composições. Meu amigo de infância, Daniel Penha, também foi convidado para tocar baixo. Logo no primeiro ensaio, Gabes apresentou algumas composições dele que eram bem diferentes do que tínhamos em mente, o que irritou o vocalista, que não havia gostado do estilo, mas agradou ao resto do grupo. Pronto, ali nascia um power trio, a banda zeemer: Urso na bateria, Gabes na guitarra e Daniel Penha no baixo. Vale ressaltar que a banda já passou por muitas coisas: mudanças de integrantes, quando o Daniel saiu e o Goró entrou assumindo o baixo, além de uma grande pausa entre 2007 e 2012.

Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez. (Gabes)

Quais são as bandas mais influentes na sonoridade produzida pela banda?

Gabes: Smashing Pumpkins e Weezer são as mais evidentes quando se escuta o zeemer, mas outras bandas como The Presidents of the United States of America, Stone Temple Pilots, Nirvana, Sleater Kinney e White Stripes também foram bastante influentes. Bebemos muito da fonte dos anos 90. Acho que as pessoas tendem a vangloriar as músicas da época em que foram adolescentes. A geração mais velha que a nossa fez isso em relação aos anos 80, agora é a nossa vez [risos]. Também nos inspiramos no cinema e histórias em quadrinhos.

Por que escolheram compor e cantar em inglês?

Gabes: Temos algumas músicas em português, mas nunca tivemos coragem de executá-las ao vivo. Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso. Foi uma decisão difícil optar por só tocar as músicas em inglês, pensamos muito nas bandas que tentaram misturar e acabaram perdendo a identidade no meio do processo. O Forgotten Boys (que é uma banda que nós adoramos) nasceu para ser em inglês, cantando em português parece que fazem covers deles mesmos.

Algumas músicas nascem em inglês e outras em português, elas são como animais selvagens, é a natureza delas e ninguém pode mudar isso(Gabes)

Como foi o processo de escolha de uma nova vocalista e por quê a escolhida foi a Nes?

Urso: Foi como acertar na loteria. Após retomarmos as atividades com a banda em 2012, não conseguíamos encontrar um(a) vocalista que encarasse com seriedade o nosso trabalho. Queríamos alguém que fizesse parte e que dividisse as responsabilidades da banda, chegamos até a pensar em deixar o Gabes cantando e retomar um power trio, mas foi quando, por acaso, Nes, uma antiga conhecida, postou no Facebook um vídeo onde ela interpretava com maestria a canção “Black” do Pearl Jam. Fizemos um convite para ela vir a um ensaio cantar alguma coisa, ouvir nossas músicas, ver se rolava… e rolou logo de cara. Ela assumiu uma postura profissional, aprendeu as músicas, correu atrás e, no bom português, vestiu a camisa do zeemer.

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich

zeemer e sua nova vocalista, a carioca Vanessa Stibich.

Vocês irão se apresentar pela terceira vez no Gambalaia, um espaço dedicado às artes em geral. De alguma forma isto mostra que estão faltando lugares focados em música (especialmente a independente) em Santo André? 

Urso: Não, pelo contrário. Achamos que não só em Santo André, como no ABC em geral, a música independente tem bastante força. Existem várias casas que recebem bem o rock alternativo, o problema é que existe, por parte de alguns artistas, uma certa resistência em apoiar novos músicos, novas bandas. Enfim, podemos até dizer que existem algumas panelinhas e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade.

Comente a relação da banda com a Internet e as redes sociais… Vi que vocês são bem ativos no Facebook, por exemplo. 

Urso: Hoje em dia é imprescindível uma boa interação através das redes sociais, pelo seu poder de alcance incrível. Podemos dizer que fazemos tudo pela Internet:  marcamos ensaio, fazemos reuniões, acertamos shows,  convidamos as pessoas para as apresentações, etc.

Comente os planos e projetos futuros, como gravação de disco, vídeo e/ou agenda de shows…

Gabes: Estamos finalizando nosso primeiro EP com quatro músicas. Ele está  previsto para ser lançado na primeira semana de junho. No segundo semestre, gravaremos mais algumas músicas. Estamos gravando com o guitarrista, produtor e amigo Thiago Orsioli, no estúdio Ilumi Narts. Tem sido bem divertido, todas as vezes que fomos lá saímos embriagados e com as maçãs do rosto doendo de tanto rir. Nada pode dar errado quando se está entre amigos.

Podemos até dizer que existem algumas panelinhas, e é preciso ter paciência para quebrar algumas barreiras e mostrar que se tem capacidade. (Urso)

Urso: Também estamos planejando um videoclipe para a música “Running Without You/Sex Without You”. Quanto aos shows, pretendemos tocar em todos os  lugares que aparecerem, porque é disso que nós gostamos. Quem quiser acompanhar nossa agenda, é só curtir nossa página no Facebook.

facebook.com/zeemeroficial

Written by Talita Lima

19/04/2013 at 10:34 PM

A inspiração por trás da música da Malavera: Somos O Que Ouvimos conversou com Freddy Guazzone, vocalista da banda de Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio e Martin Carrizo. Divulgação

A delirante onda indie e garage rock que inundou o mundo da música especialmente na primeira década do Século XXI, protagonizada por bandas como The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys deu novo fôlego ao rock and roll e inspirou músicos como os da Malavera a formarem suas próprias bandas. Subproduto dessa nova geração de bandas britânicas e norte-americanas, mas não somente dela, Malavera surgiu em 2007, em Buenos Aires, Argentina. Eles têm um álbum de músicas demo e um CD single com as faixas, “The Sex Scene” e “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos conversou pela Internet com o simpático vocalista Freddy Guazzone sobre suas referências musicais – que vão além do “mass media indie” dos anos 2000 -, o novo single, turnês e música brasileira.

por Talita Lima

Malavera tem uma evidente influência do indie rock americano e britânico produzido no começo dos anos 2000, no qual as bandas trouxeram de volta à cena o pós-punk e o garage rock e o fizeram popular ao longo daquela década, especialmente.  Como condensam estas grandes referências sem que a música fique parecendo só uma reprodução do que veio antes?

Freddy: Bandas como The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club e mais algumas dessas “bandas de garagem” pós-2000 são, de fato, uma grande influência para nós. Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos.

Quanto a não ser apenas uma reprodução do mesmo som, eu acho que todo músico é uma recordação e uma mixagem de todas as coisas que ele ouviu antes. Gon [guitarra], Johann [guitarra], Tape [bateria], Martin [baixo] e eu somos grandes amantes de música. Nós não ouvimos apenas The Strokes, The White Stripes, The Hives e todas essas grandes bandas dos últimos 12 anos, mas temos muitas influências a mais que, na maioria dos casos, têm raízes mais profundas em nós do que o Movimento Garagem do início dos anos 2000. Eu mesmo sou um grande fã de David Bowie e quando eu me ouço percebo que “roubo” muito dele. Também gosto muito da forma como Nick Cave canta, ou Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley ou um milhão de outros nomes.

Eu amo o jeito que Julian Casablancas canta, mas com todas essas outras influências tentando sair quando estou cantando, ele não tem tanta influência no resultado. Acredito que este é o caso com todos na Malavera. Nós amamos essas bandas novas e eles evidentemente influenciaram nossa música, mas isso é apenas uma pequena porcentagem do que trazemos para o nosso trabalho.

No primeiro contato com a banda, as fortes influências de Strokes, Libertines – “indie rock geração 2000” basicamente – são claras… para o público é importante conhecer as outras influências que são tão relevantes quanto eles.

Freddy: Quando você está tocando esse tipo de punk rock, pós-punk de garagem, com a mesma configuração instrumental (duas guitarras, baixo, bateria e um cantor) isso pode mostrar semelhanças porque essas bandas estão muito “frescas” em sua memória, elas apareceram muito na mídia nestes últimos 12 anos.

O que estou tentando dizer é que se John Frusciante, The Replacements, Fugazi e The Birthday Party fossem tão evidentes na cena musical de hoje, você iria encontrar muitos elementos em comum entre Malavera e essas bandas, como com The Strokes. Além disso, é tudo parte de encontrar a sua própria voz, que você raramente alcança no começo. Nossas últimas canções soam bastante diferente do nosso primeiro trabalho.

Ver o sucesso de uma banda como The Strokes em um meio que até aquele momento era povoado tanto por bandas de pop pré-fabricadas ou nü metal, foi uma enorme inspiração para Malavera e, estou certo disto, para toda uma geração de novas bandas que floresceram em todo o mundo nos últimos 12 anos. (Freddy)

Cantar em inglês foi uma escolha da banda desde o começo?

Freddy: Sim, com certeza. Quase toda música que amamos é cantada em inglês. Toda música que eu cresci amando é em inglês. Gon gosta de alguns artistas latino-americanos, Johann também gosta de alguns. Martin e Tape também. Até eu gosto de quatro ou cinco canções espanholas. Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim. No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. Mas, para não desviar do assunto, não havia chance de eu cantar em qualquer idioma que não fosse o inglês. Eu me sinto muito confortável cantando e escrevendo em inglês e eu acho que isso aparece na música. É bastante natural, não vem como algo forçado.

Por que “The Sex Scene” e “Fat Buda” foram escolhidas como single?

Freddy: Nós sempre soubemos que queríamos “The Sex Scene” para ser nosso primeiro single. É a primeira música que escreveu que realmente ressoou com todos nós e nos fez perceber que tinha uma chance de se tornar uma banda de verdade com canções que realmente gostava. É a primeira música que escrevemos que realmente ressoou em todos nós e nos fez perceber que tínhamos uma chance de ser uma banda de verdade com canções que realmente gostávamos. Também foi a canção que recebeu as melhores críticas de pessoas que nos ouviram e queríamos exibir algo que nós gostamos, mas também algo que todo mundo pode se relacionar.

A ideia original era de lançar “Happiness” como o lado B, porque sentíamos uma sensação muito semelhante à de “The Sex Scene”: muito atmosférico e escuro, mas em um ritmo mais lento. Mas quando nos reunimos com o produtor do single para conversar e escolher as músicas que iríamos gravar, ele ressaltou que talvez fosse uma boa ideia lançar duas músicas que apresentassem o nosso espectro musical em vez de mostrar apenas o lado mais “deprê” da Malavera. “Fat Buda” é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. Assim, entre essas duas você tem uma imagem melhor de quem somos como banda.

Fat Buda é uma canção muito mais otimista, mais brilhante, e tem um sabor mais pop. (Freddy)

Como tem sido os shows atuais?

Freddy: Nós realmente não temos excursionado muito ainda. Nós temos empregos, namoradas, esposas, etc., e ser capaz de organizar cinco pessoas diferentes para viajar, mesmo que por uma semana ou duas, é bastante difícil. Mas é definitivamente um projeto para o futuro próximo para nós. Estamos tocando bastante aqui em Buenos Aires e tocar ao vivo é muito gratificante em qualquer lugar, mas nós definitivamente queremos planejar uma pequena turnê em breve.

Eu também gosto muito de Caetano Veloso e Tom Jobim . No verão passado, eu estava no Rio [de Janeiro] e encontrei Domingo de Caetano e Wave de Jobim em uma loja de discos. Álbuns realmente incríveis. (Freddy)

Há planos para tocar no Brasil em breve?

Freddy: Nós realmente gostaríamos de tocar no Brasil. Qualquer lugar do Brasil seria ótimo, mas Rio e São Paulo são dois lugares que nós realmente gostaríamos de visitar com a Malavera. Esperamos estar aí em breve.

Se você pudesse nomear o melhor álbum dos anos 2000 e o melhor de todos os tempos, quais seriam?

Freddy: Essas são realmente questões difíceis para um amante da música como eu. O melhor álbum que ouvi nos últimos 12 anos? Eu tenho Sky Blue Sky do Wilco, Is This It dos Strokes, Ziltoid The Omniscient de Devin Townsend, I Am a Bird Now de Antony and the Johnsons, Cripple Crow de Devendra Banhart, Live in Tokio de Brad Mehldau. Há muitos para escolher apenas um. Álbum favorito de todos os tempos? Jesus, isso é difícil também. Grace do Jeff Buckley, Five Leaves Left do Nick Drake, Closing Time do Tom Waits e Piano Works de Erik Satie. Sim, esses quatro são meus álbuns favoritos de todos os tempos.

www.malavera.com

Written by Talita Lima

26/10/2012 at 5:52 PM

The inspiration behind the music of Malavera: Somos O Que Ouvimos talked with Freddy Guazzone, lead singer of the band from Buenos Aires, Argentina

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Malavera: Tape De Prisco, Freddy Guazzone, Johann Galati, Gonzalo Barrio and Martin Carrizo. Divulgation

The delirious indie and garage rock wave which flooded the music world especially in the first decade of this century, starring bands such as The Strokes, The Libertines, Franz Ferdinand and Arctic Monkeys gave new breath to rock and roll and inspired musicians, such as the members of Malavera, to form their own bands. Byproduct of this new generation of British and American bands, but not only, Malavera arose in 2007 in Buenos Aires, Argentina. They have an album with demo songs and a single with the tracks “The Sex Scene” and “Fat Buda”. Somos O Que Ouvimos chatted on Internet with the friendly lead singer Freddy Guazzone about his musical references – which goes beyond the “mass media indie” of the 2000s -, the new single, tours and Brazilian music.

por Talita Lima

Malavera has an evident influence of American and British indie rock produced in the early 2000s, in which bands brought post-punk and garage rock back to scene and made it very popular over the decade. How to condense these great references without the music seeming just a reproduction of what came before?

Freddy: Bands like The Strokes, The Libertines, Babyshambles, Black Rebel Motorcycle Club and a few more of those post-2000 garage bands are, indeed, a big influence for us. Seeing a band like The Strokes succeed in a medium that, up to that point was populated by either prefabricated pop bands or nü metal bands was a huge inspiration for Malavera and – I´m sure of this – for a whole generation of new bands that flourished all over the world in the last 12 years.

As for being able to not be just a reproduction of that same sound, I think every musician is a recollection and a mix down of all the things he or she has heard before. Gon [guitar], Johann [guitar], Tape [drums], Martin [bass] and myself, we are all huge music lovers. We don´t just listen to The Strokes, The White Stripes, The Hives and all of those great bands from the last 12 years but we have many more influences that, in most cases have deeper roots in ourselves than the early 2000s Garage Movement. I´m a huge David Bowie fan and when I hear my singing I realize I “steal” a lot from him. I also really like the way Nick Cave sings, or Robyn Hitchcock, John Spencer, Scott Walker, Jeff Buckley or a million other names.

I love the way Julian Casablancas sings but with all of the other influences trying to come out when I´m singing he doesn´t have that much input on the outcome. I believe this is much the case with everybody in Malavera. We love those new bands and they have evidently influenced our music but that´s just a small percentage of what we bring to our craft.

At first contact with the band the heavy influences of Strokes, Libertines – “indie rock 2000 generation” basically – are clear… it’s important to the public know the other influences which are as relevant as them.

Freddy: When you are playing that sort of punk, post-punk, garage rock with the same instrument configuration (2 guitars, 1 bass, 1 drum kit and 1 singer) it can bring up resemblances because those bands are very “fresh” in your memory, being in pretty heavy media rotation these last 12 years. I guess what I´m trying to say is, if John Frusciante, The Replacements, Fugazi and The Birthday Party were as prevalent in today´s music scene you would find as many elements in common between Malavera and those bands as with The Strokes. Also, it´s all part of finding your own voice, which you rarely achieve from the very beginning. Our latest songs are quite different sounding from our earliest work.

Seeing a band like The Strokes succeed in a medium that up to that point was populated by either prefabricated pop bands or nü metal bands was a huge inspiration for Malavera and – I´m sure of this – for a whole generation of new bands that flourished all over the world in the last 12 years. (Freddy)

Was singing in English the band’s choice from the beginning?

Freddy: Yes, it most definitely was. Almost all of the music we love is English-sung. All the music I grew up loving is in English. Gon likes a few Latin-American artists, Johann also likes a couple. Martin and Tape do to. Even I like four or five Spanish-sung songs. I also like Caetano Veloso and Tom Jobim very much. Last summer I was in Rio and found Caetano´s Domingo and Jobim´s Wave in a record store. Really amazing records. But, not to divert from the subject, there wasn´t even a chance that I was going to sing in any other language than English. I feel really comfortable singing and writing in English and I think it shows in the music: It doesn´t come out as a forced thing but it´s rather natural.

Why “The Sex Scene” and “Fat Buda” was chosen as the single songs?

Freddy: We always knew we wanted “The Sex Scene” to be our first single. It´s the first song we wrote that really resonated with us all and made us realize we had a chance of becoming a real band with songs that we actually liked. Also it was the song that received the best reviews from the people that heard us and we wanted to put out something that we liked but also something that everybody else could relate to. We had the original idea of putting out “Happiness” as the B side, because we felt it had a very similar feel to “The Sex Scene”: very atmospheric and dark but on a slower time. But when we got together with the single´s producer to talk and choose the songs we were going to record he pointed out that maybe it was a good idea to put out two songs that showcased more of our musical spectrum instead of showing just the more brooding side of Malavera. “Fat Buda” is a much more optimistic, brighter song and it has a more pop flavor to it so between those two you have a better picture of who we are as a band.

Fat Buda is a much more optimistic, brighter song and it has a more pop flavor. (Freddy)

How has the current tour been?

Freddy: We haven´t really toured much yet. We all hold day jobs, girlfriends, wives, etc., and being able to organize five different people to go away for even a week or two is quite difficult but that´s definitely a project for the near future for us. We are playing quite a lot here in Buenos Aires and playing live is very rewar ding anywhere you do it but we definitely want to plan a small tour sometime soon.

I also like Caetano Veloso and Tom Jobim very much. Last summer I was in Rio and found Caetano’s Domingo and Jobim’s Wave in a record store. Really amazing records. (Freddy)

Are there plans to play in Brazil soon?

Freddy: We would really love to play in Brazil. Anywhere in Brazil would be great but Rio and Sao Paulo are two places we´d really enjoy visiting with Malavera. Hopefully we´ll be there soon.

If you could name the best album of the 2000s and the best of all times, what would they be?

Freddy: Those are really difficult questions for a cross-genre music lover like myself. The best album I heard in the last 12 years? I´ve got Wilco´s Sky Blue Sky, The Strokes´s Is This It, Devin Townsend´s Ziltoid The Omniscient, Antony and the Johnsons´s I Am a Bird Now, Devendra Banhart´s Cripple Crow, Brad Mehldau´s Live in Tokio, there´s too many to just pick one. Favorite album of all times? Jesus, that´s a tough one too. I´ll try and stick to one. I would have to go with Jeff Buckley´s Grace. And Nick Drake´s Five Leaves Left. And Tom Waits’ Closing Time. And Erik Satie´s Piano Works. Yeah. Those four are my favorite album of all times.

www.malavera.com

Written by Talita Lima

26/10/2012 at 5:47 PM

“A música precisa de inconsequência”, diz Jonas Schommer, vocalista da banda gaúcha Volar

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Foto: Gustavo Carniel

Jonas Schommer (voz/guitarra), Wagner Muller (baixo) e Juliano Ebeling (bateria) formam a Volar, que um dia foi Lila. Até pouco tempo restrita à pequena cidade natal (Barão/RS), a banda da serra gaúcha prepara seu segundo EP, sucessor de Faço De Conta Que Ainda Existo (2011) e segue rompendo os limites geográficos por amor à música autoral, seja com a presença na Internet e nas redes sociais ou na estrada, efetivamente. Somos O Que Ouvimos voltou a conversar com os gaúchos para saber sobre a nova fase da banda e suas recentes passagens por cidades do Sul e Sudeste do país.

por Talita Lima

Por que a banda deixou de ser Lila e passou a se chamar Volar? E por que escolheram este nome?

Juliano Ebeling: Acho que Lila já não nos agradava mais e havia bandas com nomes semelhantes. Sugeri Volar por ter sonoridade forte e o Wag [Wagner Muller] gostou, depois o Jonas acabou simpatizando com o nome também. Volar significa voar em espanhol.

Jonas Schommer: Lila foi um período importante de reconhecimento de si mesmo e aprendizado.  É duro decidir por alterar o nome, porém nos pareceu inevitável. Acredito sermos sempre náufragos em meio a um mundo que nos permite experimentações e jogos de tentativa e erro. Insistir em um nome que não mais significava para nós, apenas por medo de perder algumas de nossas conquistas com ele seria, no mínimo, estupidez. A decisão foi demorada, gradativa e consensual. Acreditamos na Volar. Acho que ela nos deixa mais livres, com um horizonte mais amplo.

“Precisamos interagir, mobilizar-nos para além do lugar comum,produzir diferença.” – Jonas Schommer 

Em novembro de 2011, quando fizemos nossa primeira entrevista, vocês já diziam que planejavam uma turnê pelo Sul e Sudeste (SC, PR e SP). Agora, em 2012, isso se concretizou, vocês estiveram em todos os estados citados. Como foi?

Juliano: Foi fantástico! Em Santa Catarina, dividimos o palco com a Kura, uma banda local bem legal, foi uma noite muito massa. Em São Paulo, tocamos no Rasgada Coletiva em Sorocaba. Foram dois shows em uma noite, foi uma experiência incrível, muita gente que respira cultura e, de quebra, ainda conhecemos a gurizada da INI, banda que citamos na outra entrevista como uma das que mais admirávamos. No final de setembro, fomos ao Paraná pra tocar junto com a Sonora Coisa e La Vantage, gurizada gente finíssima assim como todos que conhecemos em Sorocaba e Santa Catarina. Viajar sempre é bom pra conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes.

Jonas: Quebramos muitas de nossas barreiras conceituais com relação a viajar pra mais longe, mesmo tendo andado longos km por diversas cidades do Rio Grande do Sul. Tocar em Santa Catarina e São Paulo foi, com certeza, um gás a mais para seguirmos. Ainda é pouco, precisamos confessar. A crença na nossa música e, enfim, na música e na arte como um todo, nos faz pensar que as fronteiras precisam ser deixadas de lado. Em um mundo tão descentralizado não há porque insistirmos somente nos mesmos lugares. Precisamos interagir, mobilizar-nos para além do lugar comum, produzir diferença.

Vocês estão prestes a entrar em estúdio para a gravação do segundo EP. Ele já tem nome? Serão quantas músicas?

Jonas: Esboçamos alguns nomes, mas nada certo. Temos hoje cerca de seis músicas com potencial de gravação. Estamos aguardando juntar mais algum dinheiro, aprovar alguns projetos federais e estaduais dos quais aguardamos contemplação como o “Level: Música Sem Fronteiras” e o “Arte!: Construindo Saberes”, com vistas a disponibilizar ao público um material de primeira.

“Sempre cultuei os primeiros álbuns de artistas, eles têm uma magia que ninguém tira.” – Jonas Schommer 

Como avaliam essa passagem de um EP a outro?

Juliano: Acho que evoluímos muito musicalmente e também trouxemos muitas experiências das viagens.

Jonas: Estamos muito mais descontraídos. “Maduro” não me parece uma boa palavra, pois a música precisa de inconsequência. Colocamos-nos hoje em um lugar de muito mais apropriação de nosso espaço artístico, temos consciência de que somos ouvidos e, por vezes, cortejados, ao mesmo tempo em que aprendemos a lidar com a crítica. Isso, de certo modo, aumenta nossa confiança em nós mesmos, pois é disso que sobrevivemos. Eu, particularmente, sempre cultuei os primeiros álbuns de artistas, eles têm uma magia que ninguém tira: um amadorismo, uma gravação mal feita e uma crueza que, de fato, desaprendemos a ter nos trabalhos seguintes. Acredito estarmos em uma linha tênue entre a sensação de inauguração de um trabalho de uma banda com um novo nome, um novo direcionamento. E esse “calourismo”, mesclado ao processo evolutivo natural, fará desse novo EP um trabalho genuíno. Estamos ansiosos.

Há novos elementos e referências incorporados à sonoridade da banda?

Juliano: Acho que sim. Até porque esse EP terá composições minhas também. Além disso, creio que cada um de nós conheceu novos sons e trouxe novas influências.

Jonas: Estamos mais permissivos entre nós. Não há meta ou medida. Há o desejo. De fato, há um respeito pelos gostos, que sempre perduram bastante divergentes. Por vezes, não é possível entender como seguimos juntos, com tantas distâncias conceituais. E não são somente musicais, são nas formas de entender as coisas, na maneira de conviver com as pessoas. Tocar é um exercício de sobrevivência com e pelo outro. É aí que nos encontramos.

“Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução.” – Jonas Schommer

Houve alguma melhora no cenário local em relação a lugares para tocar e melhor aceitação de trabalhos autorais em detrimento das bandas covers?

Juliano: Ainda é difícil, mas de uns tempos pra cá estamos tentando criar um intercâmbio com bandas de outras cidades. Conversamos bastante com a Slow Bricker, de Caxias do Sul, banda muito legal e que está lançando seu primeiro disco agora, essa parceria ainda vai render bons frutos pra cena local.

Jonas: Há a sensação de um período de transição. Essa situação não pode perdurar pra sempre. Vivemos em um hiato cultural justamente em um período de forte ebulição dos incentivos à arte e à cultura tanto no país, como no RS. Há uma ebulição visível na perspectiva cultural e somos parte dela. Estamos vivendo as dores de um sistema antiquado que ainda presa e se alimenta de passado, de reprodução. As políticas públicas e, principalmente, o movimento da sociedade civil do meio artístico sabe do importante momento que estamos vivendo e o quão sem volta ele é. Sinto que o espaço para a arte está sendo criado, a passos de zumbi, mas está sendo criado com, no mínimo, honra. Mesmo assim, a classe musical, principalmente a autoral, é marginalizada e se perde nos cantos, refém do jabá e da manipulação midiática. Acredito que justamente essa descentralização, essa “desterritorialização” que as bandas vêm instituindo mostram uma força que não vai cessar. Estamos cavando espaços e fazemos isso da maneira mais elegante: criando.

Em 2011 comentamos também sobre o uso da Internet como meio de divulgação. De lá pra cá, isso se intensificou?

Juliano: Creio que não mudou muito. Enquanto o Twitter perdeu força, o Facebook se tornou mais importante. Mas a Internet continua sendo muito importante pra gente tanto em divulgação quanto na busca de contatos.

Jonas: A mídia impressa, mesmo tendo um peso tremendo, vem perdendo força, justamente por não ser mais tão prático. Com certeza não abrimos mão dela, assim como da TV e do rádio. O poder de ação delas é inquestionável. Mas percebemos uma democratização do acesso mais ferrenha e instantânea com a Internet. Ela nos move a produzir, a inovar o tempo todo. Ela não é mais um mecanismo de divulgação, ela é sim um instrumento de criação, ela é propulsora de criatividade, por isso é tão cativante. Não funciona mais como funcionava. Um hit não te tira da lama por muito tempo, ele te coloca à vista do grande público. E como até a criação se tornou algo descartável (o que não precisa ser ruim) ainda perduram os trabalhos sérios voltados à cultura, à música, como uma forma de viver e não um instrumento financeiro. Para quem produz, a Internet é totalmente benéfica.

Definam rock preto e branco.

Juliano: Para mim é apenas rock, sem frescuras ou definições.

Jonas: Simplicidade. Expressa “sem voltas”,  “sem delongas”. Espontaneidade. O rock preto e branco é catártico e certeiro. Não é “poser”. O rock preto e branco acontece em um show sem a preocupação de agradar, pois ele alivia por si só. É crer em si mesmo, ser livre, dividir o palco e a guitarra com o público. Tocar com amor e entrega. Esse é o rock preto e branco. Essa é a Volar.

“Evoluímos muito musicalmente e também trouxemos muitas experiências das viagens.” – Juliano Ebeling

Próximos shows?

Juliano: Temos um show no dia 20/10 no Show Bar, em Carlos Barbosa (RS), com os Cartolas, uma banda da qual gostamos muito. Depois, no dia 09/11, tocamos com os amigos da Slow Bricker, no Roça in Rio, festival que nós mesmos organizamos com o objetivo de difundir a música autoral da nossa região, coisa bem difícil por aqui.

Página oficialhttp://bandavolar.blogspot.com.br/

Link relacionado:

Entrevista – Primeira entrevista da banda ao blog, ainda como Lila, em 2011.

Written by Talita Lima

03/10/2012 at 7:03 PM

De Radiohead a Ney Matogrosso: O músico Guilherme Eddino fala ao Somos O Que Ouvimos

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Foto: Ricardo Bassetti

Quando aos 11 anos de idade Guilherme Eddino, então morador da cidade de Osasco (SP) frequentava as aulas de violão, parecia improvável que o garoto, que detestava as aulas no conservatório musical, cresceria e aos 26 anos lançaria seu primeiro disco solo, com músicas autorais. Pulsar (2012) marca a estreia de Eddino, com parcerias emocionadas e sonoridades variadas. Nesta entrevista ao Somos O Que Ouvimos, o músico multi-instrumentista fala, entre outras coisas, sobre o disco, suas influências, comparação com artistas consagrados e a desvalorização mercadológica da música na era da Internet.

por Talita Lima

Que bandas e músicos mais te inspiraram a se tornar músico e compositor?

Gosto de pensar nos três R da minha vida musical: R.E.M., Rolling Stones e Radiohead. São três bandas que me ensinaram muito sobre como criar uma canção e que expandiram minha mente em relação a tudo que pode ser dito em poucas palavras. Até hoje estão entre minhas bandas favoritas. No Brasil, tem dois artistas que também são tão representativos quanto essas bandas pra mim: Ney Matogrosso e Lenine.

Você consegue definir quais foram as principais referências musicais na produção de Pulsar?

Eu gosto de pensar que esse disco foi realmente uma mistura de todas essas minhas influências. Tanto que acho que isso transparece nas próprias músicas. “O Que Sobrou do Amor” veio de uma época em que eu estava ouvindo muito fado [estilo musical português], e “Agora” surgiu depois de uma temporada de imersão em trip-hop. Pra ajudar, as músicas foram compostas em diferentes fases. O primeiro esboço de “Todavia” foi escrito há uns sete anos, enquanto “Bom Dia” veio pouco tempo antes das gravações começarem. O disco tem ecos de Beatles, de hard rock, de música erudita, de blues, de pós-punk… Procurei não me restringir de maneira nenhuma em prol de uma unidade de estilos, apenas deixei as músicas chegarem onde deviam chegar.

Como tem sido a receptividade a Pulsar

Apesar de o disco não ter ido muito longe até o momento, tenho ouvido praticamente só elogios. Todas as resenhas que li foram excelentes e as pessoas vêm sendo muito generosas. Ainda quero levar esse disco adiante por um bom tempo, então espero que as reações continuem assim!

Comparações com artistas (ou bandas) mais conhecidos te incomodam?

Não. Acho normal ter que encarar rótulos e comparações. Em alguns casos, até fico lisonjeado, como quando falam que minha voz lembra Ney Matogrosso ou Neil Young.

Você é o único letrista? No que as letras se inspiram?

O disco tem duas parcerias. Uma é a própria faixa “Pulsar”, que escrevi com uma amiga da faculdade, Janaína Gonçalves. E em “O Que Sobrou do Amor”, me baseei num texto de outra amiga, Leila dos Santos. Um caso que gosto de citar é “Vão”, a última música. Por mais engraçado que pareça, aquela primeira frase é verídica! Em 2009, fui empurrado enquanto tentava sair de um trem lotado e caí no vão da plataforma logo antes de as portas fecharem. Não me machuquei muito, mas o susto foi grande. Pouco tempo depois, sofri uma tentativa de assalto, o que só piorou aquela sensação de fragilidade que eu já vinha sentindo. Lembro que em um daqueles dias escrevi num papel, sem pensar: “antes de partir daqui, cuidado com o vão”.  Acho que esse processo acaba valendo pra todas as minhas canções, de uma maneira ou de outra. Procuro sempre ouvir meu inconsciente, aquelas frases que surgem na cabeça do nada e que normalmente as pessoas ignoram. Tento anotá-las sempre. Acho que o inconsciente é nossa melhor fonte de energia criativa. No meu caso, me sinto mais confortável usando essa energia do que tentando criar algo de maneira forçada.

Foto: Ricardo Bassetti

Comente sobre as parcerias e os músicos que estiveram com você em Pulsar.

Um dos convidados foi Pedro Jóia, um violonista português que já tocou com Ney Matogrosso. Simplesmente um dos maiores violonistas de fado do mundo, virtuoso, impressionante. Entrei em contato com ele na cara de pau, por uma página do Facebook, quando descobri que na semana seguinte ele estaria em turnê no Brasil. Perguntei se ele gravaria violões em “O Que Sobrou do Amor”. O que me surpreendeu mais foi que ele aceitou! Três dias depois fomos pro estúdio e tive que segurar o choro enquanto ele criava um arranjo ali, na minha frente. Ainda me convidou para ir ao show dele, comprei seu CD e ele autografou: “Ao Guilherme, companheiro de música”. Até hoje me comovo quando ouço a gravação. E claro, Cida Moreira, minha amiga e antiga professora de canto, participou de “Vão”. Cida foi a pessoa que me levou a dar o pontapé inicial no disco. Em novembro de 2010, fui à uma festa na casa dela e comentei que estava pensando em gravar um disco. Na hora ela disse que me dava a maior força. Um mês depois, prometi pra mim mesmo que faria esse projeto acontecer. Foi muito simbólico e emocionante ter a voz dela na faixa final. Ainda contei com alguns grandes amigos que toparam me ajudar nas gravações: Luciano Montesanti nas guitarras, Nivaldo Maciel e Raphael Manfré nos baixos e Waldner Fernandez na bateria. O Luciano fez parte do Guillotin, já o conheço há uns bons anos. É um grande músico, compôs todos os solos do disco.

Comente sobre sua ex-banda, a Guillotin, e o que você levou dela para a fase solo atual?

O Guillotin existiu por quase dois anos. Foi a minha primeira banda séria de música autoral, apesar de até então eu ter apenas material em inglês. Aprendi muito a trabalhar arranjos em grupo para as canções, buscando criar uma espécie de consenso, numa época em que eu ainda era muito arrogante e reservado em relação a minha música. Com o tempo fui mudando de postura, e na época que se seguiu eu passei a tentar ser mais colaborativo como músico. Tanto que agora, com esses novos músicos, assumi uma postura mais aberta, buscando aceitar sugestões, dando espaço para que todos coloquem algo de si, mesmo sendo composições minhas. Acho uma postura saudável a seguir. Talvez este seja o maior legado do Guillotin na minha vida. Sem contar que a banda me trouxe alguns bons amigos.

Você adotou o mesmo princípio do “pague quanto quiser por minha música” do Radiohead, por quê?

Penso que a desvalorização da música como bem material, na forma de fonograma, não tem mais volta desde que a internet virou parte essencial da nossa vida. Então nós artistas temos que nos adequar e entender que não há mais como querer vender discos e ter isso como base de lucro, porque as pessoas não precisam mais do disco. Basta baixar ou ouvir por streaming. Tenho plena consciência de que a simples decisão de lançar um grupo de dez músicas foi, até certo ponto, uma atitude romântica, já que pouquíssimas pessoas ainda se dão o luxo de ouvir um disco integralmente, e as estatísticas já me mostraram isso. Lançar o disco de graça era minha ideia inicial, mas acabei optando pelo método In Rainbows [disco do Radiohead lançado em 2007] mais pela chance de obter algum eventual retorno. Mas de qualquer modo, minha meta com o disco é apenas divulgação, não lucro.

Não é raro que bandas de outras cidades ou estados venham morar em São Paulo para terem mais proximidade com público e casas de shows específicos. Fale um pouco sobre sua perspectiva a respeito da cidade de São Paulo nesse sentido.

Acho que essa idealização de São Paulo como o lugar ideal pras bandas poderem fazer sucesso é um pouco falha, já que, talvez justamente por isso, a cidade parece estar se fechando cada vez mais nesse sentido. As boas casas de show estão cada vez menos numerosas e, por isso, cada vez mais inacessíveis aos artistas de pouco calibre. Os bares estão cada vez menos preocupados com a questão técnica, raramente oferecendo boa estrutura, mas cada vez mais implacáveis com as bandas ao cobrarem mais e mais público. Oportunidades de instituições como o SESC são disputadas a tapa. No final das contas a realidade é um pouco frustrante. Torço para que a cidade evolua mais em sua cultura musical conforme vai virando um conglomerado de bons artistas e bandas de outras regiões. Qualidade não falta, mas falta oportunidade e estrutura.

Comente sobre sua agenda…  Fique à vontade para falar sobre próximos shows e projetos…

No momento só muitos planos e muita preparação. No primeiro semestre, juntei uns amigos músicos e desde então estamos preparando o show de lançamento, que deve acontecer entre outubro e novembro. A base do repertório é o próprio disco, mais algumas releituras e canções que ficaram de fora. Nossa intenção é sair em turnê ao longo do ano que vem. Também estou trabalhando em projetos visuais que envolvem não só o próprio show, mas também alguns vídeos que estão sendo planejados, e uma eventual versão física do disco que pode sair entre o final do ano e o início do ano que vem.

Fora isso, faço parte do Diesel Pop Drink (http://www.facebook.com/dieselpopdrink), uma banda de covers variados, e do Radiohead Cover Brasil (http://www.facebook.com/RadioheadCoverBrasil), que homenageia uma das minhas bandas favoritas. Agora no final do ano também devo participar de um show em homenagem ao R.E.M. com alguns amigos que também são fãs. E além disso tenho planos pra um show solo em homenagem a Neil Young. Sim, pode me chamar de workaholic.

guilhermeeddino.com

Written by Talita Lima

19/09/2012 at 6:01 PM

Lançamento: Pulsar (2012) – Guilherme Eddino

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O disco de estreia de Guilherme Eddino abre bem com “Bom Dia”, pronta pra embalar, no repeat, o café da manhã açucarado de casais apaixonados. E segue com a entusiasmada “Quem Me Dera”.  O tempo fecha e a gaita de Eddino em “Suave” chega pra quebrar o ânimo que veio da melodia anterior. É uma canção bonita mas densa e melancólica, com cara de que teria se encaixado melhor entre as últimas faixas do disco. O entusiasmo volta com a faixa-título, que é certamente um dos destaques, com direito a solo de guitarra e vocal vigoroso.

“Agora” arrisca uma base eletrônica. É uma faixa mais experimental e muito interessante. “Deus Ex Machina”, é caótica e tem letra mordaz, bem longe do clima de “Bom Dia”, a faixa que abriu o disco. “O Que Sobrou Do Amor”, com o violão do português Pedro Jóia, é grandiosa e sensível. “E o que restou de mim além de você?”, pergunta Eddino. É a mais bela (e sofrida) canção de Pulsar. “Todavia” é alegre, com ares de Legião Urbana.

“Senhas” traz peso ao disco, terminando com um enérgico solo de guitarra. “Suave” teria se encaixado melhor nesse momento de Pulsar. Talvez seja esse o único desajuste do disco, que fecha, dignamente, com “Vão” a qual é mais uma prova de que a angústia também pode ser linda, ou ao menos resultar em belas e delicadas canções. Nesta última faixa, Eddino divide os vocais com a cantora Cida Moreira.

Pulsar é evidentemente um disco com várias nuances, mas essencialmente roqueiro. Embalado em teclados pertinentes e letras poéticas, onde Eddino explora vocais ora mais suaves, ora mais agressivos. Concebido com notável inspiração, soa levemente como canções que Ney Matogrosso cantaria e rock brasileiro dos anos 80. (Talita Lima)

Ouça: http://soundcloud.com/guilhermeeddino/sets/pulsar

http://guilhermeeddino.com/

Written by Talita Lima

10/08/2012 at 8:33 AM

Publicado em Independente, MPB, Rock Nacional

Dez anos da banda Rock Rocket: Entrevista com Noel

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Com 10 anos de carreira, dois discos (Por Um Rock’n’Roll Mais Alcoólatra e Inconsequente e Rock Rocket), participação em várias coletâneas, videoclipes e um nome que percorre o país, a Rock Rocket já não é mais tão underground como no começo. Noel Rouco (voz/guitarra) falou sobre disco de vinil, a satisfação em tocar no mesmo palco em que os Raimundos, a relação da banda com o audiovisual e os lançamentos que estão por vir.

por Talita Lima

Rock Rocket fez um show em Manaus com os Raimundos no dia 31 de março, como foi?

Foi animal! Sou fanzaço dos Raimundos desde os 13 anos. Quer dizer, os três primeiros CDs deles que eu acompanhei muito. Eu tinha visto o show deles quando tinha 13 anos, no Olympia. Pegamos o avião com eles na ida, paramos em Brasília pra fazer conexão, fomos sentados do lado. A gente foi trocando muita ideia com o Canisso, gente finíssima. Contou várias histórias legais [risos]. O show foi animal, bem louco. O legal do show dos Raimundos, mesmo sem Rodolfo, é que a banda tem muito hit, tem muitos anos e muita música que faz sucesso. Então é muito empolgante ver o show. Em várias horas eu até me arrepiei de lembrar da sensação… eu com 13 anos ouvindo aquilo. Foi muita música, muito sucesso, foi muito legal ter conhecido eles.

Foi a primeira vez que você teve esse contato com eles?

Contato direto, sim. Na verdade eu já conhecia o Fred, o baterista que saiu. A gente cruzou algumas vezes com a outra banda dele, Supergalo. Já trocamos bastante ideia, ele também é bem gente fina.

Vocês estão completando 10 anos de banda…

Isso, completamos 10 anos. A gente começou no início de 2002, em março.

A banda tem planos de comemorar esses 10 anos? Quais são os projetos?

Este ano a gente vai relançar os nossos dois primeiros discos num só, junto com um CD bônus com raridades da banda, deve sair em duas ou três semanas. Coisas mal gravadas e toscas de quando a gente estava no começo. É bom ouvir aquelas coisas e pensar “Nossa, a gente tocava tão mal!” [risos]. Terminamos de gravar nosso disco novo, já está gravado e masterizado. Só estamos vendo como vamos lançar. A gente está conversando com selos e gravadoras. Deve sair em junho ou julho.

Vai sair em vinil também?

Provavelmente sim. Estamos trabalhando nisso.

Vocês têm um tipo de veneração por vinil?

Quem tem mais veneração é o Alan [bateria], o Juninho [baixo] também. Eu gosto, mas não sou bitolado. Não fico gastando meu pouco e escasso dinheiro com discos [risos]. O Alan tem uma coleção enorme de vinil. Inclusive, eu estava ajudando ele na mudança de casa e deu trabalho. Ainda mais porque ele se mudou pra um prédio que tem que subir dois andares de escada, que não tem elevador, carregando aquele monte de caixa de discos, é pesado pra ca*****! Obviamente eu gosto também, só não sou colecionador. É legal disco em vinil. O CD, mesmo que você não risque, se risca sozinho. E vinil dura mais, se você cuidar direito. E é mais bonito. Tem fetiche.

Tem um artista lá do Sul que se chama Plato Divorak que é muito louco, meio psicodélico, o cara é muito animal. No nosso segundo compacto, a gente regravou uma música dele. Mas no nosso primeiro compacto, fomos num show dele no Sesc Pompeia. A gente deu pra ele o disco no final do show. A primeira coisa que ele fez não foi olhar a capa, ele pegou e cheirou. Alguém faz isso com CD? Não. Com vinil, sim.

Vocês veem o vinil como alternativa pra se ganhar dinheiro com música?

Não vejo o vinil como uma coisa pra ganhar dinheiro. Dá pra você lançar, pagar o lançamento e tomar uma birita. Mas ganhar dinheiro com venda de disco? CD já é muito difícil, você ganha muito pouco. Com vinil, então, é mais difícil ainda porque tem menos gente ainda que tem toca-discos em casa. A gente faz isso mais por hobby, e tem bastante gente que gosta, e quem gosta compra. Mas não acredito que, pelo menos em curto prazo, seja uma alternativa pra se voltar a vender milhões de discos, isso falando do mainstream, não no nosso caso, logicamente [risos]. Mas não acredito. Acho que é uma coisa que sempre vai existir, vai estar sempre ali, é palpável, mas não é uma coisa que vai salvar a indústria musical da falência.

A banda lançou um clipe-curta. Vocês apostam em novos formatos? É essa a ideia?

Boa parte do que acontece com a gente não é exatamente o que a gente planejou. As coisas acontecem. Nesse caso, por exemplo, o Kapel Furman, que foi quem dirigiu esse clipe, fazia efeitos especiais de filme de terror, sangue… esse tipo de coisa… E aí fomos fazer o clipe ao vivo de “Cerveja Barata” que a gente tocou de múmia,ensanguentados. Alguém chamou ele pra colocar o sangue em nós. Depois ele chamou a gente pra fazer o clipe da música “Doidão”, tinha uma historinha, aí acabou virando um curta porque tinha uns 2 minutos de introdução. Não foi que a gente planejou fazer um clipe-curta, aconteceu.

Tem um monte de clipes que têm historinhas sem serem considerados curtas. Esse nosso clipe foi pra alguns festivais, internacionais, inclusive, de filmes B. Na verdade, nesses festivais é proibido clipe de música, então a gente chamou de curta, e virou um clipe-curta.

A gente tem um outro clipe com o Kapel, que lançou um filme chamado Pólvora Negra. Inclusive, eu fui ver ontem no cinema, estava numa mostra. O Alan foi quem produziu a trilha sonora e tem uma música nossa no filme, a “Shark Attack”. Fizemos um clipe dessa música, que é do disco novo, com imagens do filme. Então agora a gente tem também um clipe-trailer, além do clipe-curta [risos].

Isso é legal, vocês estão se diferenciando…

É que a gente gosta de cinema, gostamos de trabalhar com audiovisual. A gente não tem nenhum conhecimento técnico, trabalhamos com pessoas que têm. Nos encontramos com pessoas de outras áreas que gostam do mesmo que gostamos na música. Do cinema, inclusive. Aí que acabam rolando essas parcerias.

http://bandarockrocket.tumblr.com

Written by Talita Lima

12/04/2012 at 10:32 PM

Publicado em Entrevista, Rock Nacional